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Após o tempo de tristeza e egoísmo, Caio sorri para jogar 'amarradão'

Após o tempo de tristeza e egoísmo, Caio sorri para jogar 'amarradão'

Atualizado: Sexta-feira, 5 Novembro de 2010 as 9:53

A mesma força que empurrou Caio para o alto o jogou no chão. Alçado ao posto de talismã do Botafogo na conquista do Campeonato Carioca, o atacante logo percebeu que Campeonato Brasileiro era para gente grande. Não apenas em termos físicos, mas principalmente de maturidade. E ele não aguentou a pressão. A agonia de ficar sete meses sem marcar um gol terminou na última quarta-feira, quando ele abriu o placar da vitória por 3 a 2 sobre o Atlético-GO, no Engenhão.

Com mãe Nelma presente à arquibancada do estádio, após quatro anos distante, Caio voltou a sorrir. Em bate-papo com o GLOBOESPORTE.COM, o jogador de 20 anos reconheceu que a briga com Herrera em campo no jogo contra o Goiás, pelo primeiro turno do Brasileirão, foi o início de um período de turbulência mental. Ela teve como consequências um gesto obsceno para a torcida alvinegra no Engenhão, em partida contra o Cruzeiro, e o excesso de individualismo no empate com o Corinthians, quando, no último lance, decidiu chutar para o gol quando tinha Loco Abreu livre ao seu lado.

Caio negou ter sido pego pelo deslubramento, mas admitiu que demorou a reconhecer seus erros. No entanto, garante que, a partir de agora, aquele que é talismã e filho do Papai Joel terá papel importante para ajudar o Botafogo a tornar realidade o sonho de chegar ao título do Campeonato Brasileiro.

Joel Santana costuma dizer que trata você como um filho. Quais foram as palavras dele que mais o marcaram durante este período de dificuldades?

Ele dizia que era importante eu voltar às minhas origens, que fosse novamente um jogador alegre, que brinca com todo mundo. Além disso, lembrou que as pessoas que gostam de mim fazem críticas construtivas e que era importante que eu as escutasse. Mas na preleção do dia do jogo contra o Atlético-GO, soltei uma risada quando o Joel disse que eu começaria jogando e que seria como lateral-direito. Ele falou para eu ficar à vontade e jogar o que eu sabia. Fui para o jogo amarradão, como há algum tempo não acontecia.

Mas por que você não estava alegre? Quando isso começou?

Foi naquela briga com o Herrera, durante o jogo contra o Goiás. A partir dali, tudo virou de cabeça para baixo. Não conseguia me adaptar à função que o Joel pedia, era criticado pela torcida... Parece que fui atropelado e não conseguia me levantar. Mas não sou e nunca fui de criar polêmica. Não quero briga com ninguém, quero paz.

Sinceramente, você acha que sua queda de rendimento foi porque ficou deslumbrado?

É injusto falarem isso. O que eu ganhei de títulos no futebol para ficar deslumbrado? Nada.

Mas todo mundo sabe que, no futebol, deslumbramento tem mais a ver com sucesso, dinheiro, mulheres...

Comigo não tem isso! A maioria das minhas fãs são meninas novas, crianças, não tem nada a ver. O problema é que eu estava triste comigo mesmo por não poder me adaptar ao que vinha sendo pedido. Além disso, era uma porrada em cima da outra. Torcida em cima... Sei que não posso reclamar de nada. Só tenho a agradecer por tudo o que aconteceu comigo em tão pouco tempo.

Mas durante esse período havia algum tipo de teimosia da sua parte?

Eu admito que vinha sendo egoísta. Queria ouvir somente as minhas opiniões, não queria saber o que estava certo ou errado, apenas rebatia. Mas depois percebi que as pessoas dão conselho porque desejam o melhor para mim. E passei a ouvir.

E a partir de que momento isso aconteceu? Foi depois da dura repreensão que você sofreu de dirigentes, técnico e companheiros de Botafogo quando optou por chutar a bola e dão dar o passe a Loco Abreu no empate em 1 a 1 com o Corinthians, no Pacaembu?

Eu juro que não vi o Abreu! Apenas tentei ajudar e fui crucificado. Meu pai até me disse que ele estava em posição de impedimento. Você não imagina quantos xingamentos eu recebi pelo Twitter. Também recebi conselhos e alguns puxões de orelha. Realmente tivemos alguns problemas internos por causa daquele jogo, mas está tudo resolvido.

E agora, Caio?

Vou dar a minha vida pelo Botafogo nessas últimas partidas da temporada. O que eu mais quero é disputar a Libertadores no ano que vem. E se for depois de conquistar o título do Brasileiro, melhor ainda.

Por: Gustavo Rotstein

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