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Após recorde de Cielo no Brasil, técnicos trocam elogios

Após recorde de Cielo no Brasil, técnicos trocam elogios

Atualizado: Segunda-feira, 21 Dezembro de 2009 as 12

Na piscina do Pinheiros, seu próprio clube, o nadador César Cielo quebrou o recorde mundial dos 50m livres na manhã da última sexta-feira. Na arquibancada, o brasileiro Albertinho Silva e o australiano Brett Hawke vibraram com o feito do jovem de 22 anos e trocaram elogios em seguida.

''Eu não fiz o César. Ele chegou a mim feito, pois antes de chegar às minhas mãos teve excelentes treinadores e um deles está sentado à minha frente'', disse Hawke em referencia a Albertinho durante palestra a treinadores realizada na noite da última sexta-feira, a convite da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), no Pinheiros.

Na Universidade de Auburn, no estado norte-americano do Alabama, o treinador australiano comanda César Cielo e o francês Frederick Bousquet, que teve sua marca de 20s94 superada pelos 20s91 do brasileiro nos 50m livres, entre outros velocistas.

Antes de ganhar o bronze nos 100m livres e o ouro nos 50m livres dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, Cielo preferiu realizar sua preparação em Auburn. No começo deste ano, ele resolveu manter o isolamento pensando na disputa do Mundial de Roma e venceu as duas distâncias com direito a recorde mundial na segunda prova.

No segundo semestre, no entanto, Cielo permaneceu no Brasil sob o comando de Albertinho Silva, que passou a treinar o atleta no Pinheiros quando ele tinha apenas 16 anos. Logo depois de deixar a piscina com o recorde mundial dos 50m livre, o nadador lembrou dos dois treinadores. ''Graças a Deus, saiu. Não podia terminar o ano de forma melhor. Tenho que agradecer ao Albertinho por tudo e ao Brett por ter vindo até aqui'', comemorou.

Lembranças de Pequim

Na palestra aos técnicos brasileiros, Hawke lembrou os Jogos Olímpicos de 2008. Na manhã da final dos 100m livre, na qual Cielo ganhou o bronze, ele revelou que teve dificuldades para acordar o atleta. Desanimado, o brasileiro achava que não tinha chance por estar na raia oito e vestiu o uniforme de Vila Olímpica ao invés do traje de pódio.

''Arranquei as calças do uniforme errado e disse que colocasse a roupa certa, pois ele tinha uma medalha para ganhar. Resmungando, me obedeceu e continuei falando que ele precisava mentalizar positivo. Ele então disse que se comprometia a fazer isso por três horas. Aí respondi que três horas era tudo o que eu precisava para que ele subisse no pódio'', contou Hawke.

O técnico foi a Pequim com a certeza do título. ''Na última semana antes do embarque, fiz um desafio na piscina com o Fred (Bousquet) e o Cielo. Aí tive certeza que César ganharia a medalha de ouro'', disse. Por fim, Hawke ganhou a plateia. ''Sou australiano, recentemente adquiri a cidadania americana, mas digo uma coisa: sou brasileiro. Quero ajudar no que for possível para que o Brasil tenha o maior êxito em 2016''.

Albertinho, por sua vez, contou que o australiano corrigiu a saída de Cielo, fundamento que não foi executado com sucesso na prova do dia anterior, quando o nadador registrou 21s02. ''Estando aqui, ele teve a oportunidade de ajudar. O César fez algo inédito, então toda contribuição é válida'', declarou.

Ao lado de Cielo desde a adolescência do atleta, Albertinho viu o pupilo mudar no exterior. ''Acho que ele cresce indo para fora. A maturidade também veio com a saída do país. Ele ficou uma pessoa mais madura, um atleta mais consciente'', apontou.

Ex-nadador olímpico e formado em psicologia, Hawke assegura que os dois treinadores mantêm um bom relacionamento. ''Não existe ciúmes, pois o César está seis meses com cada um e ambos estão pensando apenas no melhor para ele'', declarou o australiano.

Já o técnico brasileiro imagina uma parceria em tempo integral com o colega estrangeiro. ''Eu estava conversando com o Brett agora: talvez eu fique seis meses lá e ele fique seis meses aqui. A gente passa a trabalhar junto'', brincou Albertinho Silva.

Depois de acompanharem o sucesso de Cielo nos Jogos Olímpicos de Pequim no ano passado, a dupla de treinadores vê o brasileiro protagonizar um feito inédito em toda a história da natação. Ele é o primeiro atleta a encerrar o ano como campeão mundial e recordista dos 50m livres e dos 100m livres.

Por Bruno Ceccon

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