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Assis surgiu no Grêmio, peregrinou por dez clubes e parou aos 31 anos

Assis surgiu no Grêmio, peregrinou por dez clubes e parou aos 31 anos

Atualizado: Sexta-feira, 7 Janeiro de 2011 as 8:11

A volta de Ronaldinho Gaúcho ao Brasil fez os fãs mais antigos de futebol relembrarem de outro talento surgido nos campos nacionais: Assis, irmão e representante do atacante. O ex-jogador tem aparecido muito mais que o próprio Ronaldinho, o objeto de desejo nessa novela que envolve os interessados Fla, Palmeiras, Corinthians e Grêmio.

Grêmio, aliás, que revelou Assis - e Ronaldinho, claro, posteriormente. Foi na cancha do Estádio Olímpico que, na década de 80, o DNA da família Moreira começou a revelar-se adequado ao futebol de alto nível. A carreira, entretanto, foi curta. Com apenas 31 anos, parou de jogar para administrar os negócios da família, ligados à imagem de Ronaldinho. Um ano antes, participara da turbulenta troca de clube do irmão, que foi do Grêmio ao francês Paris-Saint Germain.

Para quem não sabe, Assis cresceu tido como uma das principais joias das categorias de base do Tricolor. Com 16 anos, já despertava atenção fora dos muros do Olímpico. Conquistou espaço no grupo principal do Grêmio e substituiu com brilho o eficientíssimo Valdo.  Viveu o auge em 1989, conquistando o título da primeira Copa do Brasil com apenas 18 anos de idade. Na decisão, contra o Sport Recife, abriu o placar na vitória gremista por 2 a 1.

De 1988 a 1990 foi tricampeão gaúcho. Era meia-esquerda de precisos toques na bola. Qualificado nos passes e lançamentos, um articulador à moda antiga. Com a canhota cobrava faltas, escanteios, e desferia violentos chutes a gol. Comemorava-os correndo na direção da torcida, batendo no peito, mostrando as veias onde corria o inegável sangue gremista. Começava a ser idolatrado.

Tido como craque, Assis transformou-se em uma garantia financeira ao Grêmio em uma época em que os clubes brasileiros pouco exploravam contratos de patrocínios e ações de marketing. Precisando de dinheiro, o Tricolor negociou o meia-esquerda com o modesto Sion, da Suíça, logo após o tri estadual. Ele tinha apenas 21 anos e despertava em grande parte dos cronistas esportivos a impressão de que logo se destacaria também na Seleção Brasileira.

Mas Assis ficou três temporadas praticamente "escondido" no acanhado futebol suíço.  Em 1995, foi para o Sporting, de Portugal, que poderia ter sido o trampolim para clubes e glórias ainda maiores. Mas não foi feliz em sua primeira passagem por Lisboa.

Em um ano, voltou ao Brasil, onde permaneceu por 12 meses: foram seis jogando pelo Vasco e outros seis pelo Fluminense. Mas não conseguia confirmar a perspectiva criada no Olímpico. Voltou ao Sion e consagrou-se em uma temporada vitoriosa - foram quatro títulos nacionais na Suíça entre 1996 e 1997.

O troca-troca de times persistiu, com passagens por Estrela de Amadora (Portugal), Consadole Sapporo (Japão) e UAG (México), até concretizar mais um breve momento no futebol brasileiro, ao defender o Corinthians em 2000. No ano seguinte, foi ao francês Montpellier, encerrando a carreira curiosamente no mesmo campeonato nacional onde brilhava Ronaldinho pelo PSG.  Tinha apenas 31 anos.

Foram dez clubes em quinze anos. De jovem promessa, passava a ser um não menos jovem empresário de um jogador só: o irmão, Ronaldinho. A escolha, afinal, se mostrou acertada. O guri logo mostrou futebol de gente grande, ganhando lugar na Seleção Brasileira e o posto de craque do Barcelona.

Agora, Assis é o diretor da novela mais assistida do futebol brasileiro nos últimos tempos. E ao menos um talento dos seus tempos de habilidoso meia ele parece ter preservado: esconde o jogo como ninguém. Enquanto isso, gremistas, flamenguistas, palmeirenses e corintianos seguem atentos seus passos pelos bastidores.

Por Eduardo Cecconi

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