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'Até presidente russo pediu desculpa'

'Até presidente russo pediu desculpa'

Atualizado: Quarta-feira, 29 Junho de 2011 as 9:04

João revela que até o presidente russo ficou triste

com caso de recismo(Foto: Arquivo Pessoal)

  Não foi o primeiro, mas certamente, todos esperam que seja o último. O episódio em que torcedores russos atiraram uma banana em campo em uma atitude racista contra o lateral-esquerdo Roberto Carlos, do Anzhi, parece ter ligado, enfim, um sinal de alerta contra o racismo na Rússia. Sede da Copa do Mundo de 2018, o país, finalmente, está começando a se mostrar mais preocupado com este tipo de preconceito no futebol. Quem garante é o zagueiro brasuca João Carlos, companheiro de Roberto no Azhi, que está desde 2009 no clube.

Passando uma semana de folga do Campeonato Russo no Rio de Janeiro, o defensor concedeu entrevista exclusiva ao GLOBOESPORTE.COM e falou sobre a repercussão negativa do caso na Rússia. Segundo ele, a população, a imprensa e as autoridades ficaram ao lado de Roberto Carlos após o incidente, que promete ser um marco de uma nova época no futebol russo.

- A repercussão foi imensa e muito negativa para os torcedores que fizeram isso. A Fifa mandou uma carta pedindo desculpas, a federação, e até o presidente da Rússia pediu desculpas. Até a torcida do nosso adversário, no jogo seguinte, cantou o nome do Roberto Carlos. Além disso, eles estão também usando os meios de comunicação para conscientizar as pessoas, com os jogadores dando entrevistas, com grandes reportagens abordando o assunto... Eles estão muito preocupados com a Copa do Mundo, porque imagina a vergonha que seria se houvesse um caso deste tipo no Mundial? - explicou o jogador, que acha que o racismo está com os dias contados no país graças à pressão mundial em torno deste tipo de caso.

- Esperamos que tenha sido o último episódio desta forma. Acho que não só a Rússia, como todo o mundo, abriu os olhos por causa deste caso. Foi um alerta. Repercutiu em todo o planeta e agora parece que vão tomar medidas mais drásticas por aqui, como punições. Os próprios clubes também estão fazendo campanha contra este tipo de preconceito - observou.

João Carlos vem se dedicando bastante para lutar pelo título russo pelo Anzhi (Foto: Arquivo Pessoal)

  João Carlos foi a primeira contratação do Anzhi em seus "novos tempos", desde que o milionário Suleiman Kerimov assumiu o comando do clube e modificou radicalmente a vida da equipe de Makhachkala. Pioneiro na equipe que agora tem Roberto Carlos, Jucilei e Diego Tardelli, além de outros reforços vindos do futebol europeu, o defensor revela que nunca teve problemas com preconceito no país, mas admite que as ofensas ao companheiro também doeram nele.

- Eles gostam de atingir os mais famosos, porque sabem que vai dar mais repercussão, como foi agora com o Roberto. Eu, graças a Deus, nunca tive nenhum problema, mas estou muito triste com isso. Ficamos chateados, ainda mais por ser com ele, que é um cara super alegre, brincalhão e que passe felicidade a todos no grupo. Ele ficou muito chateado naquele dia e acho que isso fez a diferença também, porque se ele tivesse ficado em campo, seria só mais uma banana e não teria toda a repercussão que teve - contou o jogador, que apesar disso, se diz muito feliz vivendo e jogando na Rússia.

- Pra mim, que dei um tiro no escuro, apostei em jogar nesse time, que era amador, brigava para não descer... Foi uma surpresa e tanto. Quando vi o projeto e depois vieram Roberto, Jucilei, Tardelli... A estrutura melhorou muito, estamos em um CT ótimo em Moscou, a estrutura é fantástica... Para mim está sendo um paraíso - ressaltou.

João Carlos e Roberto Carlos posam para foto em

treinamento no Anzhi (Foto: Divulgação)

  "Ele pode contratar qualquer um"

De fato, desde que Kerimov passou a mandar no Anzhi, o time reforçou, a estrutura melhorou e a expectativa é de que tudo evolua ainda mais em breve. Segundo João Carlos, mais reforços estão por vir e os objetivos do clube são ambiciosos para as próximas duas temporadas. Primeiro, disputar a Liga Europa. Depois, buscar o título russo. Mas João Carlos não se deixa levar pelo sucesso e pelos milhões do dirigente de sua equipe.

- Para mim é indiferente, já estou há muito tempo fora do Brasil, não muda muita coisa, mas mesmo assim é engraçado saber que você joga em um clube que pode contratar qualquer um. Basta ele querer e o jogador querer. As vezes não acredito que estou aqui ainda, porque ele poderia ter contratado qualquer zagueiro e eu fui o primeiro. É uma coisa fora da realidade e que me deixa muito feliz. E com certeza ainda vaai melhorar mais - afirmou o jogador, que está na expectativa pelo título russo ainda neste ano.

- A expectativa muito boa. O projeto era chegar entre os oito primeiros, agora é buscar uma vaga na Liga Europa. Estamos em quarto lugar, perto dos líderes, e quem sabe também não vamos lutar pelo título? Está sendo muito bom este ano, sabemos que vai chegar mais um atacante de peso, que o presidente prometeu, além de quatro jogadores lesionados que irão voltar, então estamos muito animados - comentou.

Entre os "mimos" que o milionário pode dar aos seus jogadores, estão um carro de dois milhões de dólares que Roberto Carlos ganhou e uma viagem para assistir à final da Liga dos Campeões ao vivo, em Wembley.

- Foi impressionante. Nunca vi aquilo. Achei que não estava nem acontecendo na hora (risos). É fora da realidade um presidente levar não só jogadores, como também massagistas, fisioterapeutas, toda a comissão técnica, para uma final de Liga dos Campeões, em um espaço VIP, só para nós. Foi muito legal - lembrou.

João Carlos com os brasucas do Anzhi na final da

Liga dos Campeões (Foto: Divulgação)

  República brasileira e zoações a Tardelli

Com João Carlos, Roberto Carlos, Diego Tardelli e Jucilei, o Anzhi tem uma grande república brasileira na Rússia. E o zagueiro conta que é mais ou menos assim mesmo que eles vivem no clube. Sempre juntos, conversando, brincando e tentando passar um pouco da alegria brasileira para o frio do país em que estão vivendo.

- Estamos todos os dias juntos, sempre brincando muito, levando aquela alegria brasileira para os russos. O Roberto Carlos é o mais animado, está sempre sorrindo, implantou o bobinho que eles não conheciam aqui e isso é muito bom. Faz a gente se sentir um pouco mais perto de casa - contou o jogador, que brincou que o único que sofre as vezes é Tardelli, que ainda não marcou pelo Anzhi.

- Ele deu azar, porque quando era pra desencantar, em um dos jogos mais fáceis que tivemos, ele se machucou com cinco minutos de bola rolando. Aì ficamos brincando com ele e ele diz que se tiver pressão, o gol não sai (risos). Mas com certeza ele vai voltar de lesão agora e fazer o que sabe, que é gol - frisou.

Sobre as especulações envolvendo nomes como o do técnico Dunga , do meia Riquelme e do atacante Aimar , João garante que não sabe de nada, mas avisa: independente de quem for, é certo que o clube vai contratar mais reforços em breve.

- Como eu falei, ele pode contratar quem quiser (risos). Realmente não ouvi nenhuma dessas notícias, mas claro que o clube está atrás de grandes jogadores. Podem ter certeza que ainda teremos novos reforços e o time vai lutar pelo título - completou.

Atualmente com 26 pontos, o Anzhi é o quinto colocado do Campeonato Russo. O líder é o CSKA, de Vagner Love, com 34. Agora, a competição fica um mês parada e o Anzhi volta a jogar apenas no dia 23 de julho, quando recebe o Zenit São Petersburgo.          

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