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Atual campeã, Azzurra perde para Eslováquia e está fora da Copa

Atual campeã, Azzurra perde para Eslováquia e está fora da Copa

Atualizado: Quinta-feira, 24 Junho de 2010 as 1:04

Na Copa de 2002, Itália e França estavam juntas, frente a frente na decisão estádio Olímpico de Berlim (Alemanha). Quatro anos depois, as duas seleções com títulos mundiais no currículo estão novamente unidas. Mas com um destino bem diferente: eliminadas na primeira fase do Mundial 2010. Nesta quinta-feira, os atuais campeões do mundo foram desclassificados da Copa da África do Sul ao perderem por 3 a 2 para a Eslováquia no estádio Ellis Park, em Joanesburgo.

Em 60 anos de história dos Mundiais de futebol, nunca o campeão e o vice da edição anterior haviam sido eliminados na fase inicial da competição. E pela primeira vez, a tetracampeã Itália deixa uma Copa sem vencer um jogo sequer (dois empates e uma derrota).

Primeiro colocado da chave, o Paraguai enfrenta na próxima terceira-feira o segundo do Grupo E (os mais cotados são Dinamarca e Japão). A Eslováquia, segunda do F, encara o líder do F, provavelmente a Holanda.

Após indicar que daria uma oportunidade para Pazzini, Marcello Lippi surpreendeu ao manter Iaquinta no time. Além de Gattuso, que já tinha o retorno previso no lugar de Marchisio, outra novidade foi a presença de Di Natale no lugar de Gilardino, que foi mal contra Paraguai e Nova Zelândia.

Escalada no 4-3-3, a Azzurra deu um indício, logo após o pontapé inicial, que iria pressionar  adversário. Após a equipe dar a saída, Di Natale arriscou de longe, por cima do gol. Aos três, Iaquinta tabelou, mas concluiu mal. Indicativo que seria mostraria falso.

Na Eslováquia, o treinador Vladimir Weiss, que deu um show de irritação com os jornalistas durante o Mundial, abandonando duas coletivas de imprensa, também demonstrou insatisfação com o desempenho do time na partida contra o Paraguai (derrota por 2 a 0). E fez quatro alterações na equipe. Kozak, Salata, Sestak e até seu filho, Weiss, perderam a vaga no time. Zabavnik, Kucka, Stoch e Jendrisek iniciaram a partida.

E foi a equipe estreante em Mundiais que teve a primeira grande chance para marcar. Aos cinco minutos, Vittek ajeitou de cabeça para Hamsik. Livre, quase na marca do pênalti, o jogador do Napoli chutou torto.

Mas os lances de perigo na metade inicial do primeiro tempo foram ofuscados pelo número de faltas: 12 em 17 minutos.

Apesar de ter três atacantes em campo, a Azzurra seguia com problemas sérios na armação de jogadas. E uma saída de bola errada complicou ainda mais a situação da atual campeã mundial. Na entrada da área, De Rossi deu a Jabulani no pé de Kucka, que rapidamente acionou Vittek. O atacante dominou e chutou bem, cruzado, no canto direito. Para desespero de Lippi à beira do campo. E de Buffon (contundido) e Pirlo (ainda sem condições de jogar os 90 minutos), lado a lado no banco de reservas.

E apesar da necessidade de reagir diante do resultado que eliminava a equipe, a Itália não conseguia criar algo de perigoso, se limitando a chutões para frente. E a defesa tão famosa da Azzurra não transmitia segurança. Cannavaro levou amarelo aos 30 e poderia ter levado o segundo quatro minutos depois - e o consequente vermelho -, ao atingir Hamsik por trás. O árbitro inglês Howard Webb prefiriu não expulsar o capitão que ergueu a Taça Fifa em 2006.

Os eslovacos aproveitam os espaços e ameaçavam mais que rivais. E o lance mais perigoso da Itália na etapa inicial foi uma conclusão do zagueiro Srktel contra o seu próprio gol aos 40. A bola passou rente ao travessão. O que não passou rente foi a chuteira de Gattuso, que atingiu em cheio o joelho direito de Strba. Com um corte profundo no local causado pelas travas, o meia foi retirado de campo. Mas se negou a deixar o jogo quando Kopunek já estava pronto para entrar.

Os dois últimos lances da etapa foram o retrato do período. Enquanto de um lado, Kucka acertou um belo chute de longa distância, assustando Marchetti (a bola acertou a rede, pelo lado de fora), do outro, Montolivo, até mais próximo da meta, pegou errado, isolando a bola.

Com o empate sem gols entre Paraguai e Nova Zelândia em Polokwane, a Azzurra foi para o intervalo com a lanterna do Grupo F.

Diante da atuação decepcionante italiana no primeiro tempo, Marcello Lippi fez duas alterações, colocando Maggio no lugar de Criscito para tentar dar mais firmeza à retaguarda e um quarto atacante em campo - Quagliarella - no lugar de Gattuso.

A presença de mais um avante não resolveu o maior problema da equipe: a armação de jogadas. Nos dez primeiros minutos, a equipe só ameaçou com um desvio de cabeça de Iaquinta para fora. A esperança entrou em campo aos dez minutos. Após perder os dois primeiros jogos por uma lesão na panturrilha, Pirlo entrou em campo. Segundos antes de Di Natale chutar errado, perdendo ótima oportunidade. E em seu primeiro lance, o meia do Milan dominou mal e deixou a bola escapar pela lateral.

Aos 17, a Azzura conseguiu concluir uma bola a gol. Di Natale chutou quase da meia-lua e fez com que o goleiro Mucha deixasse de ser um mero espectador da partida, defendendo o arremate. Mas a grande chance surgiu aos 22. Pepe cruzou da direita e encontrou Quagliarella dentro da área. O atacante dominou no peito e mandou uma bomba. A bola venceu Mucha, mas Srktel, quase dentro do gol, salvou com o joelho esquerdo. Para desespero de Buffon e Gattuso, que não conseguiu ficar sentados no banco.

O lance incendiou a partida. Os italianos abriram a defesa, buscando o gol salvador. E deixando espaços para os eslovacos. Em um contra-ataque, Stoch invadiu, mas chutou para fora aos 24. Mas quatro minutos, não houve erro. Após cobrança de escanteio, Chiellini afastou de cabeça. A bola voltou para Hamsik, que cruzou rasteiro. Vittek se antecipou ao zagueiro italiano e concluiu entre o goleiro Marchetti e a trave esquerda.

Ao ver a bola na rede, Marcello Lippi virou as costas e foi sentar no banco de reservas, demonstrando claramente a decepção italiana. Mas a confiança voltou aos 36. Quagliarella tabelou com Iaquinta e chutou. Mucha defendeu, mas o rebote sobrou para Di Natale empurrar para a rede.

Com o empate sem gols da Nova Zelândia com o Paraguai, a Itália precisava de mais uma bola na rede para seguir no Mundial. E chegou a balançar a rede adversária aos 40. Di Natale cruzou da esquerda, e Quagliarella completou para o gol. Mas o atacante do Napoli estava centímetros à frente do último defensor.

Quando a tragédia italiana parecia que poder terminar em alegria, a Eslováquia sepultou as chances da Azzurra. Aos 44, em uma desatenção de uma mais famosas defesas do mundo, Kopunek recebeu um passe de lateral e encobriu Marchetti.

Mas a história da Azzurra é sempre marcada pelo drama. Aos 47, Quagliarella, com um chute de categoria, encobriu Mucha e diminuiu. Dando nova esperança à equipe. Que terminou o jogo na área adversária. E Pepe desperdiçou a derradeira chance aos 50 minutos, completando para fora um cruzamento na área. O último capítulo da tragédia italiana na África.     Por GLOBOESPORTE.COM Joanesburgo, África do Sul fonte: globo.com MCS

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