MENU

Beisebol brasileiro: heróis nacionais no anonimato - Parte 2

Beisebol brasileiro: heróis nacionais no anonimato - Parte 2

Atualizado: Terça-feira, 4 Março de 2008 as 12

Beisebol brasileiro: heróis nacionais no anonimato - Parte 2

 

O fato de o beisebol ser um esporte amador aqui no Brasil enaltece mais ainda as conquistas que esse tem somado. Na nossa seleção há médico, fisioterapeuta e estudantes universitários. Pessoas que só podem jogar beisebol nas suas folgas, nos finais de semana.

Mas já há brasileiros que conseguem viver do beisebol de forma profissional, como os atletas Anderson Gomes (Chicago Whitesox), Paulo Roberto Orlando (Chicago Whitesox), Tiago Magalhães (Yamaha), Rodrigo Miyamoto (Yamaha), Renan Issamu Sato (Mitsubishi) e outros que jogam em times profissionais e semiprofissionais do Japão e Estados Unidos, recebendo até cerca de US$ 4.000 (algo em torno de R$ 8.000) por mês. E isso graças à estrutura física e de apoio técnico que o beisebol brasileiro dispõe hoje.

Boa estrutura

 

Além dos técnicos cubanos que são contratados para trabalharem no Brasil, os atletas disponibilizam de um moderno complexo esportivo construído pela Confederação Brasileira de Beisebol, em parceria com a multinacional japonesa Yakult, na cidade de Ibiúna (60 km da capital São Paulo). São quatro campos de beisebol, três em dimensões oficiais, um refeitório, alojamentos para atletas e técnicos, salas de musculação e de treinamentos de arremesso e rebatida, tudo construído numa área de 230.000 metros quadrados, algo de dar inveja a muito time grande do futebol brasileiro.

Nesse complexo funciona a Academia de Beisebol, que oferece treinamento intensivo para atletas pré-selecionados com a supervisão dos melhores técnicos da modalidade no Brasil. Os acadêmicos, como são chamados esses atletas que treinam na Academia, paralelamente ao treinamento do beisebol, têm o dever de continuar estudando e também são matriculados em escolas de inglês e japonês, já visando um futuro intercâmbio com times dos Estados Unidos e Japão.

Diversos atletas brasileiros têm se destacado no beisebol nacional e internacional, mas o nome do arremessador Kleber Ojima foi o mais comentado no último ano. Com uma excelente performance durante a Copa do Mundo, que lhe rendeu até o título de melhor arremessador do campeonato, Kleber desponta como o melhor beisebolista brasileiro em atividade.

Massificação

 

Com um calendário extenso de competições nacionais para as mais diversas categorias (pré-infantil, infantil, pré-júnior, júnior, juvenil, adulta, veterana) e ainda a manutenção das seleções brasileiras de beisebol e softbol, também de diversas categorias, a Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol, em conjunto dos times espalhados pelo Brasil inteiro (com maior concentração no eixo São Paulo-Paraná), luta pelo o que considera como maior desafio no esporte: sua massificação.

Dentre os vários fatores que dificultam a difusão do beisebol, como o preço elevado do material para prática e a falta de campos, o que ainda se destaca é o forte elo que esse esporte tem com a colônia japonesa. O que é confundido muitas vezes como exclusivismo, o beisebol é um esporte que chegou ao Brasil através dos imigrantes japoneses, os mesmos que ensinam até hoje filhos, netos e bisnetos a o praticarem.

Além da divulgação do esporte nos mais diversos meios de comunicação brasileiros, projetos sociais têm embalado a disseminação do beisebol entre os não-descendentes de japoneses. Hoje se estima que 33% dos praticantes de beisebol não tem nenhuma descendência oriental. Isso representa uma grande vitória do trabalho que estamos desenvolvendo. Uma das muitas que, sempre com muita perseverança e seriedade, lutamos diariamente para conquistar.

veja também