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Blatter pede respeito a jornalistas, promete "tolerância zero" e nega crise na Fifa

Blatter pede respeito a jornalistas, promete "tolerância zero" e nega crise na Fifa

Atualizado: Segunda-feira, 30 Maio de 2011 as 2:41

Acuado em meio a uma série de denúncias de corrupção no alto escalão da Fifa, o presidente e candidato à reeleição da entidade, o suíço Joseph Blatter, concedeu nesta segunda-feira uma entrevista coletiva marcada pela tensão, a apenas dois dias da eleição que vai reelegê-lo para mais um mandato.

O cartola se irritou com várias perguntas dos jornalistas e, no momento mais nervoso da coletiva, chegou a falar em tom mais elevado e pediu “respeito” aos repórteres. “Eu aceitei ter uma entrevista coletiva. Por favor, respeito. Respeitem a mim e às regras da entrevista coletiva. Não estamos em um bazar aqui. Estamos em uma sala de conferência da Fifa. Estou aqui e só vou responder a perguntas que estejam relacionadas a mim, não a outras pessoas. Por favor, respeito, senhores!”, bradou.

Questionado sobre que mudanças promoverá na entidade em mais um mandato à frente da Fifa, Blatter falou em “tolerância zero”, dando a entender que vai combater a corrupção. “Um dos itens na agenda é a tolerância zero. É alguma coisa que brotou nessa sala no ano passado pelo presidente do Comitê de Ética. Significa que tolerância zero dentro de campo e também fora de campo. Temos que nos esforçar para profissionalizar o Comitê de Ética e ter profissionalismo em todas as partes desse comitê”, afirmou.

“Mais do que isso, temos que ter uma unidade e olhar para os próximos quatro anos. Não será fácil, mas podemos fazer isso juntos. Estou certo de que nós vamos juntos para o bem do jogo e para o bem dos torcedores, e também da percepção que o jogo tem na sociedade. Temos que nos preocupar com questões de dentro e também fora de campo”, prosseguiu o cartola.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, se irritou com os jornalistas em entrevista coletiva

Crédito da imagem: Reuters Interferência externa

Sobre a proposta de alguns governos de países de que a eleição na Fifa seja adiada por causa dos recentes escândalos, o cartola criticou a interferência externa. “Se os governos decidem intervir na Fifa e na organização da Fifa, alguma coisa está errada. Somos fortes o suficiente para resolver nossos problemas internamente. Tenho certeza de que o Congresso de depois de amanhã vai mostrar unidade e solidariedade. Nós somos capazes de resolver nossos problemas sem interferência externa”, disse.

Por fim, Joseph Blatter rechaçou a tese de que a a Fifa e o futebol estejam passando por uma crise. “Crise? O que é crise? Se alguém descrever o que é crise, eu posso responder”, rebateu. “O futebol não está em crise. Vimos agora a final da Champions League, um espetáculo. Não estamos em crise na Fifa, mas passando por algumas dificuldades. Temos problemas que podem ser resolvidos por nossa família.”

“Se alguém quer mudar alguma coisa na eleição ou no congresso, são os membros da Fifa. Isso não pode ser feito pelo Comitê Executivo ou nenhuma autoridade fora da Fifa. É uma decisão do Comitê Executivo por si só”, continuou Blatter.

Na próxima quarta-feira, Blatter será aclamado presidente da Fifa para mais um mandato. Ele não terá adversário na disputa, já que o catariano Mohamed Bin Hammam anunciou a desistência de sua candidatura após ser alvo de acusações – ele também foi suspenso pelo Comitê de Ética do órgão.

“Você deve perguntar a ele por que ele desistiu de concorrer”, disse Blatter a um repórter. “Nós estamos em um jogo. E nesse jogo eu posso dizer a vocês que há muita trapaça. Nós começamos a lutar contra algumas coisas ruins que aconteciam. E a família do futebol tem a possibilidade de dar a sua resposta na quarta-feira. Se eles quiserem restaurar a credibilidade da Fifa e se querem restaurar a credibilidade da Fifa comigo.”

“Nós temos muita energia e moral. Eu não escolhi os membros de meu Comitê Executivo. Eles foram delegados pelas confederações nacionais. Eu tenho que lidar com as personalidades que estão lá. Se nós temos agora esses instrumentos que podem corrigir os erros, é sinal de que alguma coisa mudou na Fifa. E vamos continuar aumentando essas mudanças no futuro”, concluiu o presidente da Fifa.  

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