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Bolatti, um estádio, um gol: volante reencontra palco de "sonho"

Bolatti, um estádio, um gol: volante reencontra palco de "sonho"

Atualizado: Quarta-feira, 27 Abril de 2011 as 1:49

Argentina, bicampeã do mundo, com sua divindade máxima como técnico. Uruguai, bicampeão do mundo, país tomado de onda patriótica pelas eleições presidenciais. Rivais eternos no futebol, vizinhos não exatamente amistosos, cada qual mergulhado em suas particularidades. Só um deles garantiria, naquela noite de 14 de novembro de 2009, num Centenário abarrotado de orgulho nacional, uma vaga na Copa do Mundo da África do Sul. E o que o Inter tem a ver com Isso? Tem Mario Bolatti.

Foi do volante, então desconhecido, o gol que colocou a Argentina no Mundial. Foi o agora atleta colorado quem permitiu que Diego Armando Maradona urrasse de alívio na beira do campo, explodisse de euforia no vestiário, avançasse com agressões verbais contra os jornalistas que o criticaram. Foi uma noite histórica. E agora, um ano e meio depois, o jogador reencontra o palco de seu sonho. Nesta quinta-feira, vestindo a camisa vermelha, ele duela com o Peñarol pela Libertadores da América.

Os contornos do Centenário parecem se desenhar nos olhos de Bolatti quando ele lembra daquele jogo. É impossível esquecer.

- Tenho as melhores lembranças daquela noite. Foi uma partida linda, valendo uma classificação, com um grande significado. Acima de tudo, tive a possibilidade de fazer um gol. Foi um sonho que pude alcançar. Não sei se foi o jogo da minha vida, mas foi, sim, um dos mais importantes, por tudo que significava. Valia uma classificação para o Mundial. Não é algo que se joga todos os dias. Fazer um gol também não é sempre, ainda mais em uma classificação assim. Sem dúvidas, é uma das partidas mais importantes que já tive – disse o argentino, com exclusividade, ao GLOBOESPORTE.COM.

Eram tempos difíceis para a seleção argentina. Maradona precisava de duas vitórias, nas duas últimas rodadas das eliminatórias, para garantir presença na Copa. Primeiro, sob um temporal em Buenos Aires e com Palermo marcando gol aos 47 minutos do segundo tempo, venceu o Peru; depois, bateu o Uruguai no Centenário. Bolatti encontrou o significado da palavra alívio.

- Era um momento muito difícil, com muitas dúvidas, muitas críticas da imprensa, das pessoas. Era um momento difícil. Havia a possibilidade de não classificar para o Mundial. Para a Argentina, isso seria catastrófico. Mas, por sorte, conseguimos superar todos esses momentos, todas essas circunstâncias, e classificar.

Grande parte do simbolismo daquele jogo estava em Maradona. Seria um fiasco ele não classificar sua seleção tão amada para a Copa. Bolatti foi um jogador da confiança dele. Deu resposta. E se orgulha disso até hoje.

- Ter o Maradona como técnico foi o máximo. Seria, aqui, como se um jogador brasileiro fosse dirigido por Pelé. Seria o máximo. A seleção é o máximo para cada jogador, ainda mais sendo dirigido pela maior ídolo da história do futebol no país. Foi um sonho. Sou um agradecido a Deus, porque tive a sorte de conhecê-lo bem, também como pessoa, e ele foi um fenômeno sob todos os aspectos – comentou Bolatti.

A ironia maior é que o Uruguai, que avançou à Copa na repescagem, acabou indo mais longe do que a Argentina na África do Sul. Caiu só nas semifinais, enquanto os “hermanos”, com Bolatti entre eles, parou nas quartas, contra a Alemanha. Mas o volante colorado teve o Centenário, teve uma lembrança para jamais esquecer. E agora terá o reencontro.

- O Centenário é lindo, com muita história. Dá gosto, é motivador jogar em um estádio assim. Sabemos que vamos enfrentar uma equipe uruguaia. Eles são difíceis, não se entregam nunca. Temos que levar isso em conta.

O Inter duela com o Peñarol às 19h30m de quinta-feira. Há um treinamento no Centenário às 18h desta quarta.

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