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Brasil perde para Porto Rico e fica fora da briga pelo ouro

Brasil perde para Porto Rico e fica fora da briga pelo ouro

Atualizado: Terça-feira, 25 Outubro de 2011 as 8:46

Durante cinco minutos, o caminho até a cesta parecia tão fácil quanto a ida à final. O Brasil mostrava agressividade nas duas tábuas e inibia Porto Rico. Num piscar de olhos, a diferença já era de dez pontos, as adversárias pareciam perdidas, mas a seleção parou. Não defendia mais como antes, se precipitava ofensivamente, desperdiçava lances livres demais e via o comando do placar mudar de lado. Passou sufoco, tentou reagir, mas não conseguiu. Nesta segunda-feira, no último segundo, perdeu a chance de disputar a medalha de ouro no  Pan de Guadalajara: 69 a 68 (35 a 40).

As pupilas do técnico Ênio Vecchi vão jogar pelo bronze com o perdedor do confronto entre Colômbia e México. A cestinha da partida foi Jazmine Sepulveda, com 22 pontos, seguida da compatriota Carla Escalera (17). Do outro lado, Silvia anotou 16, um a mais que Damiris.

  Damiris chora depois de perder o ataque que poderia ter dado a vitória ao Brasil (Foto: Reuters)   - Foram poucas as equipes que conseguiram fazer 70 pontos na gente. Não tivemos um ataque inspirado e o time esteve ansioso. Sabíamos que seria um jogo disputado. Não podemos deixar de enaltecer Porto Rico por aproveitar os nosso erros. Nossa defesa não estava bem posicionada. A bola não quis entrar. Olhando de fora, não tem explicação. Não Há como interferir nesse tipo de acontecimento. O técnico pode substituir, mudar marcação a jogadora capricha, mas a bola não cai. A gente treina para que a cesta aconteça. Até na última bola fomos certos para a cesta, mas quando a bola não quer entrar, não tem jeito. É um dia que o time não está inspirado - disse o treinador brasileiro.

O jogo

Aquele 8 a 0 logo no início da partida fez Porto Rico se preocupar. Além de não conseguir parar Iziane, o time também não encontrava espaços para dar o troco no ataque. A seleção fez 16 a 6 e tinha tudo para fugir ainda mais no marcador. Só que parou. Sepulveda entendeu que era o momento de tirar proveito da instabilidade do Brasil e liderou a reação porto-riquenha. A equipe fez sete pontos seguidos contra nenhum de Erika e suas companheiras, e se aproximou no fim do primeiro quarto: 17 a 13.   

A virada viria pouco depois. As brasileiras forçavam arremessos, perdiam lances livres e não apresentavam resistência no garrafão. Melhor para Escalera, que deixou o banco de reservas para anotar 12 pontos e ajudar Porto Rico a passar a frente: 27 a 25. Duas bolas de três seguidas fizeram a seleção respirar, até o susto com Gilmara. No finalzinho do segundo período, vencido pelo Brasil, a pivô teve o joelho esquerdo atingido por uma adversária e precisou deixar a quadra: 40 a 35.

Na volta do vestiário, a jovem Damiris chamou a responsabilidade. Fez seis pontos, mas o time  não estava na mesma sintonia. O que se viu foi mais do mesmo. Porto Rico trabalhava melhor a bola, brigava por todas elas. E era recompensado com nova virada: 56 a 52.

Restavam dez minutos para mudar aquela situação e garantir o lugar na final. Mas Escalera não estava nem um pouco disposta a deixar a vitória escapar. Sobrava nela a tranquilidade que faltava às brasileiras. Erika continuava apenas com dois pontos na conta, Iziane continuava no banco, o Brasil continuava a perder ataques, e Escalara continuava cavando suas faltas.   Erika pegou 15 rebotes, mas não conseguiu passar dos dois pontos no ataque (Foto: Reuters)   Apática, a seleção cometia erros bobos de passe. As porto-riquenhas agradeciam. A 1m50s, Silvia conseguiu o empate (66 a 66), apesar da pressão da torcida mexicana. Pouco depois, Babi recolocou o Brasil à frente. Mas numa nova falha da defesa, Mari Placido retomou a vantagem: 69 a 68. Faltavam 33s, Babi cometeu falta de ataque em Carla Cortijo. Posse de bola para Porto Rico. O ataque foi desperdiçado. O contra-ataque é brasileiro, mas Damiris erra. Restava ainda 1s. Damiris, livre, não conseguiu converter. Derrota e choro.

- Uma equipe de baixa estatuta dificultou nossa defesa. Elas inflitraram na maior parte do jogo e complicaram a marcação. Os juízes foram para o lado delas, mas o principal foi que jogou com o melhor delas, e nós não. A defesa poderia ter sido melhor. Erramos muito no ataque em bolas debaixo do aro - admitiu Iziane.

A ala deu sua contribuição durante 13 minutos, marcando14 pontos. Ênio Vecchi disse que a decisão de deixá-la mais tempo no banco respeitou "critérios técnicos que estão dentro do nosso contexto. Apenas isso". 

- Acho que joguei o que o técnico achou que eu deveria jogar, o que o jogo pediu - disse a jogadora.          

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