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Caio Júnior reencontra uma das 'estrelas solitárias' do Botafogo

Caio Júnior reencontra uma das 'estrelas solitárias' do Botafogo

Atualizado: Sexta-feira, 1 Abril de 2011 as 9:52

Em meio aos inúmeros reencontros que o técnico Caio Júnior teve em sua breve passagem por Curitiba em sua estreia no comando do Botafogo, um, na tarde desta quinta-feira, foi certamente especial. E reuniu três gerações diferentes de profissionais que tiveram sua vida marcada pelo time da Estrela Solitária.

A primeira é a do ídolo maior do clube, o inesquecível Garrincha. Falecido há pouco mais de 28 anos, o craque alvinegro é a figura principal de um bar temático na cidade, que o homenageia já no nome: O Torto, com suas paredes repletas de fotos, reportagens, quadros e outros objetos relacionados à Mané.

Sob a égide do ‘anjo das pernas tortas’, Caio Júnior representou a geração atual de botafoguenses em uma homenagem a Sicupira, jogador do time alvinegro em meados dos anos 1960, ao lado de Nilton Santos, Didi, Zagallo e do próprio Garrincha. Paranaense como o cascavelense Caio – nasceu na cidade da Lapa -, o hoje comentarista de rádio começou sua carreira no extinto Ferroviário, um dos muitos clubes que deu origem ao atual Paraná Clube. Equipe que o próprio Caio defendeu como atleta e treinador.

Do Ferroviário, Sicupira se transferiu para o Botafogo, em 1964, para jogar ao lado de vários craques da Seleção Brasileira. No alvinegro, usava a camisa oito, a mesma que Caio escolheu para presenteá-lo em sua passagem por Curitiba.

- Estou fazendo uma homenagem ao Sicupira, que fez parte da história do Botafogo. Quando vim estrear em Curitiba, na Vila Capanema, eu lembrei dele e quis homenageá-lo de alguma forma – conta Caio.

Caio Júnior lembra: Sicupira faz parte da história (Foto: Luciano Balarotti)

  Estrelas nada solitárias

Maior artilheiro da história do Atlético-PR, clube que defendeu após sua passagem pelo Rio de Janeiro, Sicupira era um jovem de 20 anos quando chegou ao Botafogo para jogar ao lado de estrelas consagradas pelos títulos nas Copas do Mundo de 1958 e 1962. E lembra que precisava se concentrar muito para não se distrair assistindo de tão perto os craques que admirava tanto.

- Joguei com todo aquele povo, Garrincha, Nilton Santos, Didi, Zagallo. Foi logo depois da Copa de 62, em que o Botafogo era a base da Seleção. Você precisa prestar muita atenção porque, de repente, você fica meio boboca, só olhando para eles.

O jogador lembra que o ambiente no Botafogo era de deslumbramento pelo que faziam tantos bons jogadores. Ele foi testemunha de feitos que define como "coisa de gênio".

  - Teve coisas que eu os vi fazer que estão distante do imaginário popular. Eram coisas de gênio, de pessoas que foram superdotadas mesmo. Eu procurei aprender e acho que fui um bom aluno. Mas é difícil você chegar perto dos mestres. Superar, nem pensar, mas só chegar perto já é grande coisa.

Sicupira relembra dos tempos ao lado de Mané (Foto: Luciano Balarotti-RPC TV)

  Recém-chegado ao clube de tanta história, Caio Júnior apenas inicia a caminhada para buscar um lugar na galeria estrelada do Botafogo. Algo que Sicupira conseguiu, mesmo que ofuscado pelo brilho maior da constelação que fez da equipe alvinegra dos anos 60 umas das poucas a rivalizar, ao lado do Palmeiras, com o Santos de Pelé. Mas, para seu ‘padrinho’, isto será apenas uma questão de tempo.

- O Caio é um exemplo para mim por ser uma pessoa obstinada. Ele decidiu que ia ser treinador e hoje é um treinador brilhante. Eu fui treinador por seis meses e não agüentei. Mas o Caio foi talhado para esta missão. Ele saiu (do país) e agora volta para o Botafogo como um grande treinador. Lógico que ele não vai ganhar todos os títulos que disputar, mas ele vai mais longe e ainda vai parar na Seleção Brasileira.

Se Sicupira tem razão, só mesmo o tempo vai responder. O mesmo tempo capaz de reunir numa tarde tanta história de um dos clubes mais tradicionais do Brasil, não à toa chamado de Glorioso.      

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