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Campanha do futebol brasileiro na Libertadores é a pior desde 1994

Campanha do futebol brasileiro na Libertadores é a pior desde 1994

Atualizado: Quinta-feira, 5 Maio de 2011 as 3:06

Em apenas 90 minutos acabou o sonho do futebol brasileiro de voltar a fazer uma final de Copa Libertadores. Na trágica noite do futebol nacional que viu Fluminense , Grêmio , Cruzeiro e Internacional serem eliminados da principal competição sul-americana, sobraram lamentações e reclamações, mas faltaram os gols, a tranquilidade, o bom desempenho em campo e a garra necessária para seguirem no torneio.

Desde 1994 que o Brasil não fazia uma campanha tão ruim na Libertadores e chegava nas quartas de final com apenas um único representante. A diferença, porém, é que naquele ano, o país só tinha três times no torneio: Palmeiras, Cruzeiro e São Paulo. Neste ano, o Brasil teve seis representantes. Além dos quatro eliminados na quarta-feira, havia o Corinthians, derrotado pelo Tolima na fase preliminar, e o Santos, o único que segue vivo e que agora enfrentará o Once Caldas nas quartas de final.

Há 17 anos, palmeirenses e mineiros estiveram no mesmo grupo, que tinha ainda Vélez Sarsfield e Boca Juniors, e se classificaram junto com o Vélez para as oitavas de final, de onde o São Paulo iniciou a sua caminhada por ter sido campeão no ano anterior. O Cruzeiro acabaria eliminado pelo Unión Española, do Chile, enquanto o Palmeiras cairia no clássico contra o São Paulo.

Assim, o tricolor paulista seguiu na competição eliminando Unión Española e Olimpia, do Paraguai, até perder o título para o Vélez, nos pênaltis.

Parte dessa história é o que o Santos de Muricy Ramalho agora sonha em repetir. Em 1994, Muricy estava no São Paulo. Ele era auxiliar de Telê Santana e comandava um time B que ficou conhecido como Expressinho e ganhou a Copa Conmebol. Até hoje, é o único título internacional do treinador que agora sonha em finalmente conquistar a Libertadores depois de tantos anos sendo eliminado no mata-mata.

Tristeza nacional após derrotas

Aos demais clubes só resta lamentar a queda nas oitavas de final e pensar agora exclusivamente nas finais dos Campeonatos Estaduais ou somente no Campeonato Brasileiro. É o caso do Fluminense, que após a derrota por 3 a 0 para o Libertad só terá a defesa do título brasileiro a fazer nesta temporada.

A tristeza de D'Alessandro após a eliminação do Internacional no Beira-Rio - AP

- É difícil explicar a eliminação. A equipe não estava numa noite inspirada, criamos muito pouco e acabamos sofrendo os gols - lamentou o zagueiro Edinho.

Se Edinho não conseguia explicar, outros tentaram obter uma resposta ou procurar uma desculpa para os seus torcedores. Após a derrota por 2 a 1 para o Peñarol, o técnico Falcão reclamou do que chamou de "apagão" do Inter, que levou dois gols em cinco minutos no segundo tempo.

- Ali perdemos o jogo. Quando tomamos o primeiro gol ficamos nervosos, tensos. Era óbvio que isso aconteceria se sofrêssemos o gol. Mas aí fizeram o segundo imediatamente. Eles ganharam o jogo em cinco minutos - disse o técnico, criticado pela entrada de Ricardo Goulart no segundo tempo, quando tinha jogadores mais experientes no campo como Cavenaghi e Rafael Sóbis.

Rival do Inter, o Grêmio caiu diante da Universidad Católica e o técnico Renato Gaúcho culpou os desfalques. Entre os titulares, Victor, Gabriel, William Magrão, Fábio Rochemback, Lúcio e André Lima, todos lesionados, não estiveram em campo na derrota por 1 a 0.

- Estivemos sem sete jogadores. Nosso grupo é bom, o grupo do Cruzeiro é muito bom, outros são bons e saíram também. Perdemos jogadores machucados e isso faz falta quando você tem que buscar a classificação fora de casa.

Grêmio e Inter agora lutarão pelo prêmio de consolação nos dois próximos fins de semana: o título gaúcho. O mesmo tentará o Cruzeiro diante do rival Atlético-MG em Minas. Dono da melhor campanha na primeira fase e praticando um futebol elogiado por todos os especialistas, ninguém esperava que o clube mineiro fosse cair tão cedo na Libertadores. Ainda mais depois da vitória por 2 a 1 sobre o Once Caldas na Colômbia. A derrota por 2 a 0 em Sete Lagoas foi uma ducha de água fria nos cruzeirenses.

Cuero, do Once Caldas, tenta consolar Gil, do Cruzeiro, após a eliminação do time mineiro - Reuters

Para piorar, o técnico Cuca ainda agrediu o atacante Renteria no final do jogo. O treinador, porém, negou a agressão.

- O Rentería veio em minha direção, eu me agachei e segurei a bola. E ele se chocou comigo. Lógico, malandro, quer ganhar tempo, faltando um minuto, consegue o objetivo dele - disse Cuca, que tentou explicar a derrota.

- Foi nosso pior jogo neste ano, tanto na pegada quanto na qualidade do passe e na distribuição. Fomos um time apático num momento decisivo. Mas temos que levantar a cabeça e seguir em frente. Não adianta procurar culpado.

Resta agora aos times eliminados remarem de novo no Brasileiro para voltarem no ano que vem no torneio continental.

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