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Campeã mundial de boxe, Roseli tinha outro sonho: 'Sempre quis jogar vôlei'

Campeã mundial de boxe, Roseli tinha outro sonho: 'Sempre quis jogar vôlei'

Atualizado: Terça-feira, 21 Setembro de 2010 as 8:35

O futuro, a princípio, estava nas quadras. Jogadora de vôlei na adolescência, Roseli Feitosa precisou abandonar os treinos para trabalhar. Para manter a forma, continuou na academia e passou a fazer aulas de boxe. Três anos e meio depois, a jovem paulista colhe os frutos da escolha. Campeã na categoria até 81kg no Mundial de Barbados, no último sábado, ela diz que ainda não entendeu a grandeza da conquista.

- É uma coisa inexplicável. Eu acabei de voltar, ainda não caiu a ficha de tudo que aconteceu. Mas é uma emoção muito grande. Eu tenho três anos e meio de boxe. Meu sonho sempre foi ser jogadora de vôlei. Cheguei a jogar em clubes, fui federada. Mas minha família é de baixa renda, então tive que parar de jogar vôlei para trabalhar. Conheci o boxe na academia onde malhava. Comecei a treinar e me disseram que eu levava jeito. Entrei na equipe e fui campeã brasileira quatro meses depois.

Roseli chegou a São Paulo nesta segunda-feira. De lá, foi direto para São José do Rio Preto, no interior paulista, onde treina. Ela afirma que o reconhecimento já aumentou e que a conquista pode servir para acabar com os preconceitos contra o boxe.

- Nem fui ver minha família. Vou para casa só amanhã. Mas por enquanto não mudou muita coisa. O reconhecimento que está sendo grande. Isso é importante para mim. O boxe serve muito preconceito.

Para Roseli, o boxe brasileiro já mostrou ter qualidade. Só falta o reconhecimento dentro de casa.

- Tem muita coisa para melhorar, mas já evoluiu muito. Não tinha nenhuma medalha de ouro em Mundiais. Já foi um grande passo, principalmente no feminino, que está mais evoluído do que o masculino. Temos atletas cinco vezes campeãs pan-americanas. O problema é que não tem divulgação Estamos escondidas.

No Mundial, Roseli teve de superar o nervosismo da primeira luta. A maior dificuldade, no entanto, foi mesmo a decisão, contra a cazaque Marina Volnova.

Na primeira luta, você fica muito nervosa, até por saber que é Mundial. Mas creio que a maior dificuldade é mesmo a final. Eram as duas melhores ali em cima. As duas querendo muito o ouro, colocando o coração na disputa.

Agora, Roseli vai tirar “três ou quatro” dias para descansar. O ano, porém, ainda não acabou. A pugilista ainda terá mais dois torneios pela frente até dezembro. Depois, começa preparação para a próxima temporada. A cabeça, no entanto, está em Londres.

- Estou me preparando para o Pan (no ano que vem, em Guadalajara). Todas que estiverem lá, provavelmente estarão em Londres. Meu objetivo são as Olimpíadas.

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