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Carrapato do nacional, Wellington se espelha em Ceni e vibra com boa fase

Carrapato do nacional, Wellington se espelha em Ceni e vibra com boa fase

Atualizado: Terça-feira, 14 Junho de 2011 as 9:57

Ele foi cria da safra de 2008 do CT de Cotia e soube ter paciência por uma oportunidade no time profissional do São Paulo. Nas primeiras vezes, atuou sempre improvisado, como lateral-direito. Em 2010, quando começava a ganhar uma sequência, sofreu uma séria lesão no joelho direito. Mas Wellington Aparecido Martins não desistiu. Nas mãos de Paulo César Carpegiani, o camisa 28 se tornou uma realidade. Tanto que, com apenas quatro rodadas do Campeonato Brasileiro disputadas, o meio-campista caiu de vez nas graças do treinador são-paulino.

- O Wellington estava no São Paulo à espera de uma oportunidade. Pelo que me falaram, ele também sabia jogar de lateral-direito. Foi então que comecei a observá-lo nos treinamentos. Com a eliminação que tivemos na Copa do Brasil, resolvi buscar uma equipe mais competitiva. E ele me surpreendeu, tomou conta do meio-campo. Hoje, eu não tenho mais o direito de tirá-lo do time – afirmou Carpegiani.

Garoto virou uma realidade no time comandado por Paulo César Carpegiani (Foto:Marcelo Prado/Globoesporte.com)

  Os elogios fizeram o tímido volante, que mora perto do estádio do Morumbi, sorrir. Seus números no Campeonato Brasileiro impressionam. Ao lado do flamenguista Willians, Wellington é o maior ladrão de bolas do nacional (18 roubadas de bola). Em entrevista exclusiva ao GLOBOESPORTE.COM, o garoto fala sobre seu ótimo momento, diz que o goleiro e capitão Rogério Ceni é um espelho para o que ele pretende ser na carreira e ressalta que fica balançado entre disputar o mundial da Colômbia pela Seleção Brasileira sub-20 e seguir como titular no São Paulo na disputa do Campeonato Brasileiro.     GLOBOESPORTE.COM – Para quem conquistou a vaga no time há quatro rodadas, ser um dos principais ladrões de bola do Campeonato Brasileiro impressiona?

Wellington – Eu nem sabia disso para te falar a verdade. E só não estou sozinho na liderança porque o juiz do jogo de sábado errou ao marcar algumas faltas minhas. Eu não podia nem encostar no jogador. Mas não importa, estou muito feliz. Há tempos que estava esperando uma oportunidade. Antes, quando fui utilizado como lateral, não mostrei o meu verdadeiro futebol. Não fui bem, oscilei demais. Mas botei na cabeça que na próxima chance todos conheceriam o verdadeiro Wellington. Agora é só alegria.

É mais difícil ou mais fácil chegar ao time profissional vindo da base?

Uma coisa que ajuda muito é que o São Paulo é um clube que dá espaço para os garotos. Mas, ao mesmo tempo, quem sobe sabe que, quando chega, precisa mostrar serviço porque senão não fica. O elenco é forte, o time é acostumado a jogar a Libertadores e disputar grandes torneios. Eu comecei a ganhar espaço no ano passado com o Ricardo Gomes atuando como lateral. No meio do ano, fui convocado para a seleção sub-20 para um período de testes na Granja Comary e sofri uma contusão (rompimento do ligamento cruzado do joelho esquerdo). Fiquei seis meses parado. Agora retomei uma sequência e, principalmente, na minha posição, que é no meio-campo.

Garoto sonha com uma convocação para o mundial sub-20 (Foto: Marcelo Prado/Globoesporte.com)

  Uma das coisas que o Carpegiani mais elogia em você é sua vontade de ajudar, sua atitude sempre em benefício do grupo.

É claro que você joga melhor na posição que você conhece. Mas o Paulo sabe que eu jogo de meia, de volante, de lateral, de zagueiro, onde ele quiser e precisar. Em um elenco como o nosso, onde sobra qualidade e falta espaço, você não pode escolher, tem é que se prontificar a ajudar.

De onde vem tanta disposição?

Sou garoto, estou começando, não ganhei nada. Hoje sou titular do São Paulo e, quando olho para trás, vejo quantas pessoas passaram e fizeram história. Dentro do nosso grupo, me inspiro demais no Rogério. Ele, que conquistou tudo, quer ganhar sempre, já jogou machucado para nos ajudar no Brasileiro. Se ele que já está consagrado tem essa postura no dia a dia, por que eu serei diferente? Por isso, cada jogo para mim é como se valesse a minha vida. É ganhar três pontos ou nada.

Você começou a chamar a atenção contra o Fluminense, quando anulou o melhor jogador do último Campeonato Brasileiro. Como foi marcar o Conca?

Sinceramente, acho que ele não esperava o que aconteceu. Mas eu entrei em campo sabendo o que podia fazer. Você não pode brincar com o Conca. Em dois lances que eu não consegui marcá-lo, ele deixou o Deco na cara do gol e deu um chute perigoso. Esse é o meu lema, eu marco quem tiver que marcar. Não serei perfeito, mas posso garantir que vou ser chato.

Na quinta-feira, o Ney Franco anunciará a lista dos convocados para o mundial sub-20. E você é um dos atletas com maior potencial para ser chamado. O que é mais importante agora? Jogar uma Copa do Mundo ou seguir defendendo o São Paulo no Campeonato Brasileiro? (Nota da redação: seria a segunda convocação do atleta. Com 17 anos, ele foi previamente chamado para o torneio de 2007, mas foi cortado na lista final).

É uma escolha difícil, o mundial sempre foi um objetivo meu. Eu não sei o que falar. Venho buscando o meu espaço no São Paulo e estou tendo uma sequência. Deixa para o Ney Franco e para o São Paulo decidirem. Não posso me escalar sem ser convocado. Mas, se o clube precisar de mim e não liberar, ficarei contente do mesmo jeito.

Volante foi um dos melhores em campo na vitória sobre o Grêmio  (Foto: Marcelo Prado/Globoesporte.com)            

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