MENU

Ceni chega aos 900 jogos pelo São Paulo e quer o tri da América

Ceni chega aos 900 jogos pelo São Paulo e quer o tri da América

Atualizado: Quarta-feira, 28 Abril de 2010 as 12

Uma faixa de uma torcida do São Paulo que sempre está presente nos jogos no Morumbi avisa: "Todos os times têm goleiro, mas só nós temos Rogério Ceni". Ela reflete com exatidão a importância do camisa 1 na história do clube, que terá mais um capítulo na noite desta quarta-feira. Assim que começar a partida contra o Universitario (PER), em Lima, pela Taça Libertadores, o camisa 1 completará a incrível marca de 900 jogos pelo Tricolor.

O capitão do São Paulo conversou com a reportagem do GLOBOESPORTE.COM na capital peruana. Ele citou os melhores e os piores momentos na carreira e falou da sua fase atual. Disse que sua maior motivação é a chance de se tornar o primeiro jogador do clube com três títulos da Libertadores - foi reserva de Zetti em 1993 e titular absoluto em 2005. Na conquista continental de 1992, a primeiro do São Paulo, ele ainda não estava entre os profissionais.

Confira os principais trechos e, em seguida, conheça mais sobre a carreira do ídolo tricolor.

Motivação

"O mais difícil depois de tanto tempo é manter a motivação no dia a dia, manter o profissionalismo. Eu costumo dizer que os treinamentos, para mim, possuem duas horas a mais. Tenho de chegar mais cedo para fazer fortalecimento e todas as proteções que são obrigatórias e saio sempre mais tarde porque tenho de fazer gelo, banheira, coisas que são necessárias para me manter no nível perto do passado. Mas ainda encontro muito prazer na minha profissão."

Novecentos jogos

"Muitos me falam do recorde de completar 900 jogos pelo São Paulo e me perguntam se posso chegar aos mil jogos. Isso, no entanto, é secundário. Hoje, o recorde que batalho é ganhar minha terceira Libertadores pelo São Paulo. Seria a primeira vez que um jogador na história da equipe conquistaria isso, e aí sim seria algo muito gratificante. Isso me motiva demais."

O melhor e o pior momento

"As pessoas sempre relacionam o melhor momento com os títulos conquistados. Sendo assim, o melhor momento foi em 2005. Tive anos ótimos, como 2004 e 2006, mas que não valeram nada porque não vencemos nada. O pior, sem dúvida, foi a lesão do ano passado. Perdi metade do ano e, na volta, aprendi a conviver com as dores. Só hoje, um ano depois, é que me sinto livre das dores."

Falhas em 2010

"Na minha cabeça, estou pronto para jogar até o fim do meu contrato (dezembro de 2012). Acontece que as pessoas analisam a tua fase de acordo com o momento da equipe. Se o time ganha, está tudo certo, você é um grande líder, genial. Se o time perde, não interessa o que você já fez ou representa. Mas, se você analisar, eu fiz 27 jogos, dos quais 25 consecutivos. E cometi duas ou três falhas. Não é nada fora do comum. Mas como não ganhamos o Campeonato Paulista..."

A história de um ídolo

A primeira parte desta história de sucesso foi escrita em setembro de 1990, quando, levado por um amigo do seu pai, Rogério Ceni chegou para fazer um teste no São Paulo vindo da longínqua Sinop (MT). Duas curiosidades marcaram esse momento. A primeira é que a posição de goleiro ficou com Ceni por acaso. Aos 15 anos, época em que trabalhava como auxiliar administrativo no Banco do Brasil, ele foi substituto do seu chefe em uma partida da Atlética. Destacou-se e logo conseguiu a vaga para terceiro goleiro do Sinop.

A sorte continuou sorrindo para ele. Em meados de 1990, o Sinop disputaria a decisão do campeonato estadual, e o técnico Nilo Neves resolveu apostar no garoto de 17 anos. O titular, Brasília, havia acabado de passar por uma cirurgia, e o reserva, Valdir Braga, sofrera uma lesão muscular. Ceni entrou, defendeu um pênalti, e o Sinop foi campeão mato-grossense. Para o goleiro, a próxima etapa seria fazer um teste em algum clube de São Paulo.

Aí apareceu a segunda curiosidade. A primeira opção era o Santos, mas o pai, Eurydes, recebeu a orientação de um dirigente do Sinop para ir ao São Paulo e procurar um dirigente amigo. Bastou um teste para Rogério Ceni ser aprovado e começar a morar no alojamento do Morumbi. De lá para cá, 19 anos se passaram, e Ceni viveu de tudo: desde os momentos de glória, com títulos e recordes consecutivos, até passagens turbulentas, com a acusação do então presidente Paulo Amaral, em 2001, de ter forjado uma proposta do Arsenal (ING) para ganhar aumento salarial.

Muita paciência

Para se tornar o dono da camisa 1 do time profissional do São Paulo, Rogério Ceni precisou ser muito paciente. Ele chegou ao time de cima em 1993, promovido por Telê Santana. Na época, Zetti era o titular absoluto. O ainda garoto disputou competições de menor expressão pelo time reserva, chamado na época de Expressinho e comandado por Muricy Ramalho. Foram 205 partidas no banco de reservas. Até que, em 1997, a chance que ele sonhava finalmente aconteceu. Zetti foi negociado com o Santos, e a camisa 1 finalmente ficou com Rogério Ceni.

Naquele ano, o goleiro já marcou seu nome na história do clube ao marcar um gol de falta, contra o União São João, pelo Campeonato Paulista. Isso foi fruto de muito treinamento no CT da Barra Funda. Sempre que os treinos acabavam, o goleiro pegava uma bola e ficava chutando sozinho em um dos campos do local. No ano seguinte, veio o primeiro título, o do Campeonato Paulista. Em 2000, novo título estadual, contra o Santos e com direito a gol de falta na grande decisão (veja o vídeo acima).

Em 2001, o goleiro viveu seu momento mais turbulento no São Paulo. Ele foi acusado pelo presidente Paulo Amaral de ter forjado uma proposta do Arsenal (ING) para ganhar aumento salarial. O negócio não foi fechado, e o camisa 1 ganhou da diretoria uma suspensão de 29 dias, sem receber salário. A situação só não caminhou para a rescisão contratual porque, na eleição seguinte, Paulo Amaral foi derrotado por Marcelo Portugal Gouvêa, que, em um de seus primeiros atos, renovou o contrato do camisa 1. Ceni hoje tem contrato com o clube do Morumbi até o dia 31 de dezembro de 2012.

Ceni e São Paulo enfrentaram um período longo sem títulos, que só foi quebrado - em grande estilo - em 2005. O capitão levantou os canecos do Campeonato Paulista, da Taça Libertadores da América e do Mundial de Clubes da Fifa. No torneio realizado no Japão, a vitória na final foi por 1 a 0 sobre o Liverpool, e o camisa 1 teve uma de suas melhores atuações na carreira. O grande momento lhe valeu uma vaga no grupo que disputou a Copa do Mundo da Alemanha no ano seguinte. Em 2006, 2007 e 2008, o São Paulo foi soberano no Campeonato Brasileiro.

Em 2009, Ceni sofreu a lesão mais séria de sua carreira. Em um treino no CT da Barra Funda, ao dividir uma bola com o atacante André Lima, ele quebrou o tornozelo esquerdo e ficou quatro meses em recuperação. Sua volta se deu apenas no segundo semestre do ano passado, quando tentou e não conseguiu levar o time ao quarto título nacional consecutivo.

Por: Marcelo Prado

veja também