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"Chegamos ao fim da Era Federer no tênis?"

"Chegamos ao fim da Era Federer no tênis?"

Atualizado: Quinta-feira, 1 Julho de 2010 as 8:42

Alguns leitores já fizeram isso na caixinha de comentários anterior, mas aproveito a ocasião para voltar a citar Pete Sampras e sua "imprevisibilidade" . Como o americano dizia no fim de sua carreira, grandes tenistas temem essa inconstância, o momento em que nunca se sabe o que acontecerá em quadra. Ele conseguirá jogar seu melhor sempre? Ou correrá o risco de jogar menos do que espera e ficará vulnerável a adversário de calibre inferior? Wimbledon costuma ser o termômetro para Roger Federer , e este ano a campanha do suíço no Grand Slam britânico refletiu boa parte de sua temporada. Momentos de brilho, como no domínio em Melbourne, e instantes de evidente declínio, como os reveses em Estoril, diante de Albert Montañés, e até a vitória suada contra Alejandro Falla em Londres.

Na coletiva concedida nesta quarta-feira, Federer revelou que sentia dores na perna direita e nas costas , o que ajuda a explicar sua atuação abaixo da média. Por outro lado, lesões mais frequentes são também consequência da idade – 28 anos – e do desgaste de anos jogando e vencendo com frequência impressionante no circuito. E tudo isso, acumulando, provoca a tal imprevisibilidade da qual Sampras falava ( lembre aqui ).

A pergunta que fica no ar, e já me fizeram várias vezes hoje, é a seguinte: "Chegamos ao fim da Era Federer no tênis?" . A caixinha de comentários abaixo fica aberta à sua resposta.

Primeiro, é preciso determinar algumas coisas. Há algum tempo, Federer já não domina o tênis como o fez até 2007 . Em 2008, Nadal lhe tomou a dianteira do ranking, mas o suíço voltou a reinar no ano passado, justamente fazendo valer seu domínio em Wimbledon. Agora, em 2010, o suíço amarga dois resultados decepcionantes: eliminações nas quartas em Paris e Londres (lembremos que o conceito de decepcionante, aqui, está amarrado ao potencial de Federer). Nos últimos três Grand Slams, tivemos títulos de Juan Martín Del Potro (bateu o suíço na final), Roger Federer e Rafael Nadal. E mais uma vez não teremos o suíço sequer na decisão. A campanha em Wimbledon, aliás, derrubará o suíço para número 3 do mundo, algo que não acontecia desde 2003 – muito antes de aquele jovem suíço se tornar o Roger Federer que bateu quase todos os recordes de Pete Sampras.

Não acredito em franca decadência de Federer nos próximos meses. Quando provocado e questionado, ele costuma responder com atuações brilhantes . Descansado e curado das lesões, pode atropelar no US Open, em agosto. E silenciar, antes mesmo que elas comecem, as especulações sobre sua aposentadoria e sua decadência.

Ainda acredito em uma última arrancada de Federer rumo ao topo do ranking e ao recorde de Pete Sampras, que ficou uma semana a mais como líder do ranking. Mesmo assim, não vejo o suíço voltando a dominar o circuito torneio-sim-torneio-não, até porque isto não acontece há muito tempo.  

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