MENU

Cinquenta mil jogadores: na final, torcida joga junto com o Inter

Cinquenta mil jogadores: na final, torcida joga junto com o Inter

Atualizado: Quinta-feira, 19 Agosto de 2010 as 9:27

Eles queriam tudo de novo. Uma vez não bastava. Queriam lotar o Gigante, cantar sem parar, empurrar o time, vaiar o adversário, vibrar o quanto fosse possível. Queriam a mesma emoção, só que em dobro. Queriam viver 2010 inspirados em 2006. Queriam ser novamente donos da América. E são. Nesta quarta-feira, o Inter aumentou de tamanho. A vitória por 3 a 2 sobre o Chivas, num Beira-Rio tomado e eufórico, coloca o Colorado entre os bicampeões do continente. Muito por conta da torcida. Foi o suporte que o time precisou durante toda a campanha e também fez a diferença na decisão contra os mexicanos.

A concentração começou cedinho, quando o sol chegou para esquentar a manhã fria de Porto Alegre. Veio gente de todo lugar. Gente que pediu folga, que largou a família, que viajou de ônibus ou de avião só para ver o Internacional ficar ainda maior. A expectativa pelo bicampeonato da Libertadores fez a quarta-feira útil ganhar jeito de feriado. Churrasco às 9h? Teve. Música, cerveja e confiança completaram o cardápio vermelho. A capital gaúcha virou capital da América. Passar o dia no estádio Beira-Rio foi o programa de muita gente. Pátio lotado desde o início da tarde e filas em cada um dos acessos às arquibancadas. Tempo de sobra, ansiedade no limite do suportável. Tanta que os portões foram abertos uma hora antes do previsto, às 17h30m.

Nem deu para acreditar

Quando chegou a hora de a bola rolar, às 22h, nem parecia que os torcedores haviam passado quase cinco horas praticando o repertório completo dos cânticos colorados. A torcida jogou com o time. Não se acomodou com a vantagem de poder empatar. Bola com o Chivas? Vaias. O atacante Bautista, aquele da luvinha, foi marcado com o sonoro “uhhhhhhhh!”. Um primeiro tempo esquisito. O Inter sempre foi melhor, mas não tanto quanto em Guadalajara. O Chivas sempre esteve pior, mas bem diferente da semana passada.

Foram momentos de euforia e frio na barriga. Cada ataque do Inter tinha o peso das mãos de 50 mil vermelhos sobre os mexicanos. Só que as investidas do Chivas perturbavam. E tome vaia. Quando o duelo ficou equilibrado demais, houve um breve silêncio. O Beira-Rio calado incomodou. Tinga, D’Alessandro e Taison perceberam. Foi um tal de correr para um lado, para o outro, chutar de longe, de perto, driblar. Os três foram os que mais tentaram.

O Chivas também tentou, se assanhou, quis estragar uma festa tão bonita, tão especial, tão vermelha. Aos 42, Bolívar perdeu uma bola no alto para o baixinho Omar Bravo. Como pode isso? No meio da área, Marco Fabián acertou um voleio que nem ele sabe como. Não houve silêncio no Gigante. A torcida cantou ainda mais, percebeu que o time acusou o golpe e segurou a onda. Havia um segundo tempo inteirinho. Cinquenta mil jogadores + Sobis e Damião. E sempre Giuliano

Foi como se o Inter não tivesse ido para o vestiário. Os comandados de Celso Roth foram, mas cinquenta mil jogadores ficaram no campo à espera do segundo tempo, à espera do Chivas. Sentiram-se desafiados. Como o placar de 1 a 0 levaria para a prorrogação, os mexicanos voltaram a passos de tartaruga. Enrolaram o quanto puderam.

O Inter voltou forte, rápido, com fibra. Voltou a ser o Colorado que aquele torcedor admirou nas quartas de final contra o Estudiantes e nas semifinais contra o São Paulo. Era pressão dentro e fora de campo. Tinha vibração dentro e fora do gramado. Mas só os jogadores poderiam colocar a bola na rede. Aos 26, Kleber, o lateral-esquerdo das assistências decisivas, cruzou para a área, a bola passou por Tinga e procurou Sobis. Rafael Sobis, herói da conquista de 2006, coadjuvante de luxo até o veto de departamento médico para Alecsandro, machucado. O Inter voltava a ser campeão. Tornava-se dono da América pela segunda vez. Um Beira-Rio em êxtase disparou a cantar.

O relógio poderia caminhar mais rápido. O Chivas nem lembrava mais de quanto enrolou para voltar do intervalo. Passou a atacar, parou em Renan. Quando Leandro Damião disparou, disputou corrida contra o zagueiro mexicano, os colorados só esticaram o pescoço, porque ninguém mais estava sentado. O garoto foi, foi, chutou, brilhou. Um delírio só no Gigante. E ainda teve gol de Giuliano, artilheiro do time na competição, talismã, craque em potencial. Delírio de bicampeão, de melhor time do continente, de potência sul-americana. E ainda tem o Mundial...

veja também