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Com chances 'dobradas', judô brasileiro espera Mundial mais duro

Com chances 'dobradas', judô brasileiro espera Mundial mais duro

Atualizado: Quinta-feira, 12 Agosto de 2010 as 10:11

Como em todas as mudanças, há os prós e os contras. A comemorar, será a primeira vez que dois judocas brasileiros de uma mesma faixa de peso poderão disputar o Mundial. O problema é que isso também acontece no lado de todas as outras seleções, o que promete fazer da competição no Japão, entre os dias 9 e 13 de setembro, a mais difícil dos últimos anos.

Após um Mundial sem medalhas na Holanda, no ano passado, o fato é que o Brasil embarca para o país asiático com o dobro de chances de conquistas em três categorias, todas masculinas: -81kg (Leandro Guilheiro e Flávio Canto), -90kg (Tiago Camilo e Hugo Pessanha) e +100kg (Walter Santos e Rafael Silva). Na noite desta quarta-feira, a seleção brasileira fez seu último treino completa antes do embarque para o Mundial, no dia 28 de agosto – as exceções foram Bruno Mendonça e Walter, que estão a serviço das Forças Armadas.

O coordenador da Confederação Brasileira de Judô, Ney Wilson, explica que só foram chamadas “duplas” quando realmente dois judocas estavam bem colocados no ranking, o que não acontece entre as mulheres. Para Flávio Canto, a dificuldade vai ser ainda maior:

- No Mundial, não vão ter apenas dois brasileiros. Vão ter dois russos, dois franceses... Provavelmente, vai ser o Mundial mais cheio e o mais difícil.

Tiago Camilo, ouro na edição de 2007, no Rio de Janeiro, acredita que a mudança nas regras da Federação Internacional de Judô (IFJ) facilita a chegada de um judoca brasileiro em boas condições aos Jogos de Londres. Um ouro no Mundial dá a maior pontuação possível no ranking olímpico.

- Acho que isso é muito bom. Se eu ficar pelo caminho até as Olimpíadas, algum outro judoca do Brasil pode dar continuidade. O Brasil sempre teve grandes judocas. E isso possibilita que a gente chegue bem nos Jogos.

Amigos disputam vaga nas Olimpíadas de 2012

Leandro Guilheiro, vice-líder do ranking, e Flávio Canto, oitavo na lista, vivem uma situação especial. Muito amigos fora do tatame, os dois disputam uma vaga nos Jogos de Londres na mesma categoria. Se a regra não tivesse sido alterada, a primeira vez que um deles ficaria fora de uma competição importante seria agora, no Japão. A hora da decisão, então, foi adiada para mais tarde.

- Eu acho mais justo, por causa do ranqueamento. O Brasil pode ter até três judocas bem em cada categoria. Podendo levar dois para o Mundial, é mais justo. Mas o tempo nos ensina a dar mais valor a outras coisas. Adoro o judô, mas outras coisas também são importantes. O Flávio, por ser um pouco mais velho que eu, deve parar um pouco antes de mim. Mas a vida continua. Ainda devemos viver mais uns 50 anos. Seria muito pouco estragar a amizade por causa da disputa – afirmou Guilheiro.

Com a ida dos dois para o Japão, cresce também a possibilidade de um encontro inédito entre eles no tatame. No entanto, Canto só quer ver o amigo se for em uma possível final.

- Seria gostoso. Qualquer outra situação seria ruim. Não gosto de lutar contra um amigo. Prefiro não lutar. Mas em uma final seria uma situação diferente, os dois buscando uma medalha inédita. O Leandro é um dos meus melhores amigos, inclusive fora do judô. Temos os mesmos objetivos. Se um for em frente, o outro vai estar do lado de fora torcendo – garantiu Canto.

Outro que também vai com um companheiro de categoria para o Japão é Hugo Pessanha. Em ótima fase, o judoca de 24 anos vive a expectativa de disputar o seu primeiro Mundial. E terá a companhia de um dos atletas mais vitoriosos do esporte no país, Tiago Camilo.

- Eu acho muito legal. Não é qualquer categoria que tem dois judocas tão bem ranqueados. Se acontecer de encontrar com ele em uma luta, que vença o melhor. Todos têm chances. Acho que tenho que fazer o meu dever de casa, me manter bem ranqueado. Não sei torcer contra os outros, mas fazer a minha parte e deixar a CBJ decidir.

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