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Com o surfe, Teco abre caminho para jovens catarinenses ameaçados de morte

Com o surfe, Teco abre caminho para jovens catarinenses ameaçados de morte

Atualizado: Terça-feira, 27 Abril de 2010 as 12

Faltava uma semana para o início da etapa brasileira do Circuito Mundial de surfe, em Imbituba. Dono dos direitos da competição, o ex-surfista profissional Teco Padaratz mal tinha tempo para responder os muitos e-mails que lotavam sua caixa de mensagens. Fez questão, porém, de anotar na agenda: "palestra". Os ouvintes eram jovens do Procurando Caminho, projeto que, por meio do surfe, tenta mudar a vida de meninos envolvidos com drogas e até mesmo ameaçados de morte.

O projeto cruzou o caminho de Teco há menos de um ano. Convidado para dar uma palestra, conheceu o trabalho desenvolvido pelo padre Wilson no Centro Cultural Escrava Anastácia. Baseado em números, o seminarista conseguiu convencer o governo de Santa Catarina de que investir na recuperação é uma economia. O custo por cada menino no projeto é de R$ 250,00 - por um presidiário, R$ 1.700.

Com o apoio do governo, o centro cultural aumentou o número de inscritos de 40 para 300. Além de terem aulas de surfe, eles aprendem artesanato – fazem oficina de fabricação de peças de arte com resina, material usado nas pranchas.

- Na primeira palestra, senti uma energia muito forte, um certo medo até. Eles são muito sinistros, mas depois você começa a conhecê-los e vê que são pessoas boas, mas que estão envolvidas em problemas sérios. 

Teco se viu em um mar desconhecido. Um dos monitores, por exemplo, tinha mais de dez homicídios na ficha criminal. Estava ali trabalhando, remunerado, para dar aula de surfe a gangues rivais. Ele e os alunos não podiam ir a qualquer lugar. Apenas uma praia da cidade tinha permissão para receber as turmas. Pai de duas filhas, Teco entende a precaução.

- Sei que acaba sendo preconceito, mas as pessoas ficam com medo mesmo. São jovens envolvidos com o tráfico. Sempre há risco de haver algum problema.

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