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Conca segue tendência de gringos e leva Flu ao vice na história do Craque

Conca segue tendência de gringos e leva Flu ao vice na história do Craque

Atualizado: Quarta-feira, 8 Dezembro de 2010 as 12:15

Uns chegam com festa, beijo na camisa e milhares de flashes disparando em sua direção. Outros, nem tanto. Assustados com o assédio, nem entendem o que a imprensa pergunta e, para piorar, tentam se aventurar com um português muito mal enrolado. A chegada de estrangeiros para a disputa do Brasileirão já dura décadas, e sua importância para a evolução da qualidade do campeonato também. Virou rotina. Sai a lista de candidatos ao Prêmio Craque Brasileirão, e lá estão os nomes gringos: Petkovic, Tevez, Valdívia, Acosta... Juntos, eles somam duas vitórias e sete entre quinze indicações na principal categoria, a de melhor jogador do campeonato, ou seja, tem 40% das conquistas da estatueta mais cobiçada. Em 2010, Montillo tentou, mas Conca foi o cara da vez. O argentino foi mais um a fazer história no país onde craque se faz em casa, mas a ajuda da importação é sempre bem-vinda.

Ídolo no Fluminense, Conca fez mais do que do que empurrar o time a quebrar o jejum de 26 anos sem o título do Brasileirão. Depois de subir três vezes ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro nesta segunda-feira, o hermano impulsionou o clube ao status de segundo melhor do país em números de prêmios individuais do Craque. Antes da edição de 2010, o Tricolor estava em quarto lugar, empatado com Palmeiras e Corinthians, com seis vitórias. Agora, também com a ajuda de Mariano (melhor lateral direito) e Muricy Ramalho (técnico), já acumula onze e passou o rival da disputa da taça deste ano, o Timão, que ficou com dez, e o Flamengo, que tem nove. Perde apenas para o São Paulo, que é o líder isolado, com 24 estatuetas.

Responsável pelas categorias de base da Seleção Brasileira, Ney Franco preferiu não valorizar as atuações dos estrangeiros no Brasileirão e lembrou que o país tem muitos talentos para eliminar a concorrência gringa da disputa pelo prêmio de craque do campeonato.

- O Brasil tem poder econômico para buscar jogadores até nas categorias de base de clubes da Argentina. Temos aqui atletas como o Lucas, do São Paulo, que tem tanto talento quanto o Conca ou o Montillo, e o Neymar, que acredito ser a maior revelação dos últimos anos. Não acredito que (o domínio dos estrangeiros) seja uma tendência – disse o coordenador.

Valdivia e Acosta ameaçaram domínio de Ceni em 2007

Pode não ser uma tendência para Ney Franco, mas o passado mostra o contrário. A arrancada de um clube na lista de maiores vencedores do Craque devido a atuação de um argentino não é novidade. Em 2005, no primeiro ano da premiação, Tevez foi eleito o craque do campeonato e abriu a contagem para o campeão brasileiro Corinthians, que somou seis vitórias naquela edição.

Já em 2006, o domínio foi de Rogério Ceni, o melhor jogador do campeonato. O goleiro do São Paulo, aliás, é responsável por cinco dos 24 prêmios do time na história. Uma curiosidade também é que o setor mais premiado do Tricolor paulista é a defesa. Miranda está invicto há quatro anos como zagueiro pela esquerda, e Lugano, Breno e André Dias também reforçaram a lista.

Ceni levou a principal estatueta para casa novamente em 2007, além de ter sido o Craque da Galera. Porém, dois estrangeiros voltaram a ameaçar o poderio dos brasucas. Valdivia, do Palmeiras, e Acosta, revelação do Náutico, foram candidatos ao prêmio também. Apesar da vitória do goleiro são-paulino, o chileno e o uruguaio não ficaram de mãos abanando e entraram para a seleção do campeonato, como melhores meia-esquerda e atacante.

Em 2008, nenhum estrangeiro fez a festa na premiação. Já no ano seguinte, Petkovic (Flamengo), Guiñazu (Internacional) e Conca (Fluminense) conquistaram as estatuetas de meia-esquerda, volante pela esquerda e Craque da Galera.

Por: Fred Huber e Mariana Kneipp

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