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Coritiba atropela o Palmeiras com direito a 'dancinha' e põe um pé na semifinal

Coritiba atropela o Palmeiras com direito a 'dancinha' e põe um pé na semifinal

Atualizado: Quinta-feira, 5 Maio de 2011 as 9:42

Coritiba e Palmeiras tinham o mesmo sentimento antes do duelo de ida das quartas de final da Copa do Brasil: seria o desafio do ano para os dois lados. Mas parece que só o Coritiba levou essa motivação a campo. Em uma das melhores atuações coletivas de uma equipe em 2011, o Coxa atropelou o Verdão na noite desta quinta-feira, no Couto Pereira: 6 a 0, vitória incontestável. Do outro lado, um perdido e apático Palmeiras, na sua pior apresentação da temporada, viu a classificação para a semifinal da Copa do Brasil ficar longe. Tranquilo, tranquilo, o Coritiba vai ao Pacaembu na próxima quarta-feira, às 21h50m, podendo perder por até seis gols de diferença para se garantir na semi. Com a goleada, já são 24 vitórias seguidas em 2011 - recorde nacional, cada vez mais consolidado. O time de Marcelo Oliveira mostrou ao Brasil as virtudes que fizeram do Coxa o campeão estadual invicto no Paraná.

O Palmeiras sofre seu segundo baque em cinco dias. No domingo, jogando melhor que o Corinthians, o time foi eliminado do Campeonato Paulista nos pênaltis. Agora, sem ver a cor da bola, com o meio-campo totalmente dominado, a equipe de Luiz Felipe Scolari terá de encontrar forças para tentar inverter o resultado nos seus domínios. O jogo que teria tudo para marcar bem o retorno de Marcos ao gol ficará, na verdade, na memória do torcedor como um dia para ser esquecido.

jogadores do Coritiba comemoram gol sobre o Palmeiras (Foto: Geraldo Bubnak / Ag. Estado)   Para se ter uma ideia do tamanho do desastre, o Palmeiras não sofria quatro ou mais gols no mesmo jogo desde a reestreia de Felipão no banco de reservas do Palmeiras, em 18 de julho de 2010, contra o Avaí. Na ocasião, o time catarinense fez 4 a 2 na Ressacada. Neste ano, o time só havia sofrido mais de um gol numa única oportunidade, na derrota por 2 a 1 para a Ponte Preta - e com time reserva. Foi a maior derrota do treinador à frente do clube. A última vez em que o Palmeiras sofreu seis gols havia sido em 2006, em uma derrota por 6 a 1 para o Figueirense, pelo Brasileiro.

Green Hell!

O "inferno verde" promovido pela torcida do Coritiba antes do jogo já mostrava a pedreira que o Palmeiras teria pela frente. O que o time de Felipão não esperava era uma blitz tão intensa nos primeiros 20 minutos de jogo. Empurrado pelos quase 30 mil torcedores da casa, o Coxa mostrou que suas 23 vitórias seguidas - recorde nacional - não vieram por acaso. Olhando nome por nome, o Coritiba pode até não impressionar à primeira vista. Dentro de campo, porém, parece que os jogadores se conhecem há anos.

Logo aos dois minutos, quando o centroavante Bill deu uma de armador pela direita e colocou a bola na cabeça do zagueiro Emerson, que quase abriu o placar, foi possível começar a entender os motivos de o Coritiba ser um time tão perigoso. Tocando a bola rapidamente e dominando o meio-campo, os paranaenses encontraram até com certa facilidade o caminho do gol diante de um Palmeiras atordoado, que tentava assimilar a pressão.

A zaga palmeirense sentiu demais a falta do suspenso Thiago Heleno. Sem o principal pilar nas bolas aéreas, o Coxa chegou ao 1 a 0 em um lance que se repete no Palmeiras pelo terceiro jogo seguido - assim como foi contra Mirassol e Corinthians, o Palmeiras vacilou em um escanteio vindo da direita. Desta vez foi Emerson, aos 11 minutos, que subiu bem mais do que qualquer outro e cabeceou sem chances para Marcos.

O Santo, aliás, que voltou ao time depois de três meses fora, teve poucas chances de aparecer. Em sua única intervenção, é verdade, operou milagre em uma cabeçada fulminante de Pereira, à queima-roupa. Insuficiente para conter a "fúria" do Coritiba.

Tocando a bola, variando o jogo, o Coxa chegou ao segundo com 22 minutos. Bill, agora pela esquerda, serviu o bom camisa 10 Davi, que invadiu a área e só completou de pé esquerdo para ampliar o marcador.

E tome bola aérea, bola rasteira, pela esquerda, pela direita. O Coritiba queria mais. E nada de o Palmeiras acordar. Isolado lá na frente, Kleber era o Gladiador palmeirense em meio a um mar de defensores rivais. O camisa 30 sentiu muito a falta de Valdivia, principal companheiro na articulação de jogadas. Lincoln mal conseguiu tocar na bola.

Aos 43, para fechar um primeiro tempo quase perfeito, o time da casa fez 3 a 0 com Léo Gago. O chute de longe, despretensioso, que desviou em Danilo e acabou enganando Marcos, foi um retrato fiel dos 45 minutos iniciais: Coritiba iluminado, Palmeiras desnorteado.

Palmeiras sem reação

Felipão bem que tentou mudar o panorama do jogo no intervalo. Tirou João Vitor, muito abaixo de seu potencial, e lançou Chico para reforçar o até então perdido meio-campo. No ataque, Wellington Paulista entrou para fazer companhia a Kleber. Nos primeiros dez minutos, até houve equilíbrio na posse de bola. Até que Leandro Amaro derrubou Rafinha dentro da área. Pênalti marcado por Leandro Vuaden.

Na cobrança, o xodó e artilheiro Bill não deu chances a Marcos: 4 a 0, para o Palmeiras perder de vez a cabeça. O camisa 9 ainda cavou a expulsão de Rivaldo, minutos depois. Bastante irritado, o lateral-esquerdo palmeirense deu uma cotovelada no rival e foi denunciado pelo quarto árbitro.

Nas arquibancadas, o "inferno verde" seguia mais forte. Aos gritos de "olé" e insultos contra Felipão, a torcida coxa-branca ocupou os 30 minutos finais e completou um dia de festa no Couto Pereira. Para fechar de forma perfeita, Geraldo e Anderson Aquino fizeram o quinto e o sexto, respectivamente, diante de um adversário já morto em campo. Goleada histórica. Agora, são 81 gols na temporada. E o Coritiba ainda quer mais...

  por Diego Ribeiro e Luciano Balarotti

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