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Crianças de projeto social e craques da Superliga sobem o morro no Rio

Crianças de projeto social e craques da Superliga sobem o morro no Rio

Atualizado: Quarta-feira, 18 Maio de 2011 as 9:56

Bruno (dir.), Matheus e Douglas curtem a visita à Providência (Foto: Debora Vives/Globoesporte.com)

  Meses atrás, o esporte uniu em uma quadra Bruno de Paula, 15 anos, Douglas Xavier, 16, e Matheus Moraes, 14. Agora, levou o trio de adolescentes a um mundo novo. Nesta terça-feira, os meninos da Pavuna, no Rio de Janeiro, pisaram pela primeira vez em uma comunidade carioca pacificada pela polícia e conheceram uma realidade diferente. Subiram o Morro da Providência e mostraram para cerca de 100 crianças de lá o que mais gostam de fazer: jogar vôlei. E não eram os únicos. Outros 200 alunos do programa social VivaVôlei, da Confederação Brasileira (CBV), puderam mostrar suas experiências à garotada da Providência, com direito a presenças ilustres de campeões da Superliga deste ano.

Tão alto quanto um jogador profissional, Bruno, com 1,91m de altura, está pronto para ir adiante no esporte. E na hora de escolher seu modelo, aponta logo para a seleção brasileira:

- Rodrigão é meu exemplo - revela o adolescente, referindo-se ao meio-de-rede que conquistou o Mundial na Itália no ano passado.

A ideia de integrar as comunidades surgiu justamente para mostrar o contraste entre elas - uma, livre do tráfico e de bandidos; a outra, ainda com problemas sociais.

- Trabalhamos em comunidades que não são pacificadas e são regiões que ainda enxergam uma realidade diferente do que hoje acontece aqui. O objetivo é mostrar para as nossas crianças que uma comunidade que antes era dominada pelo crime hoje tem ordem e paz no seu cotidiano - explica Marcos Aurélio Gonçalves, coordenador do projeto na CBV.

Com a proteção da polícia, a criançada lanchou, brincou e jogou minivôlei (Foto: Alexandre Arruda / CBV)

  Em um dia de muitas brincadeiras, o minivôlei tomou conta. O professor Rodrigo Silva da Conceição, do núcleo VivaVôlei de São João de Meriti, era um dos mais animados com o evento. Antes de entrar em quadra para jogar com os alunos, parou para explicar a modalidade.

- É uma adaptação do vôlei, feita para as crianças iniciarem na modalidade. As bolas e as quadras são menores, tem algumas regras específicas de acordo com a idade. Temos adaptações próprias do minivôlei a essas faixas etárias (de 7 a 16 anos) - diz Rodrigo.

Regiane e Vini, campeões da Superliga, batem bola no projeto (Foto: Alexandre Arruda / CBV)

  Visita especial

Com mais de 80 centros que atendem a cerca de 25 mil crianças e adolescentes de comunidades carentes em 13 estados, o VivaVôlei levou à Providência a levantadora Camilla Adão, do Macaé, e dois campeões da Superliga 10/11: o central Vini, do Sesi, e a ponteira Regiane, do Rio de Janeiro. Eles trocaram saques e cortadas com a garotada. Além disso, distribuíram autógrafos e tiraram fotos com as crianças.

  Esta foi a primeira vez que Regiane e Vini participaram de um evento de vôlei em uma comunidade. Os dois ficaram orgulhosos de ver tanta "gente pequena" praticando a modalidade.

- É importante, porque já começam a gostar do esporte desde pequeno - disse a ponteira.

Vini destacou o potencial da garotada e a importância de criar novos talentos no esporte.

- É importante para o vôlei ter essa continuidade, descobrindo talentos. Só através da nossa categoria de base é que vamos continuar dando sequência ao trabalho. É muito bacana ver crianças com potencial - comentou o central.

A brincadeira na Providência foi muito além do vôlei na terça-feira (Foto: Alexandre Arruda/arquivo CBV)

  Camilla Adão se mostrou bem à vontade no meio dos pequenos.

- Já fui criança e sei como é, né. A gente quer estar perto das pessoas que a gente admira, que jogam, que a gente vê na televisão, e isso é importante para eles, para verem que um dia poderão estar ali também (em quadra) - disse a jogadora.        

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