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Danilo Couto, finalista do XXL: 'A tradição do Brasil se fortalece a cada ano'

Danilo Couto, finalista do XXL: 'A tradição do Brasil se fortalece a cada ano'

Atualizado: Quinta-feira, 22 Abril de 2010 as 12

Era manhã de Natal. Em vez de abrir os presentes em casa, Danilo Couto seguiu para Jaws, na ilha havaiana de Maui. Ali, em um dos locais mais temidos do mundo para a prática do surfe, ele pegou a onda que pode lhe render o prêmio XXL, considerado o "Oscar" da modalidade. Concorre na categoria “melhor onda”. Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, por e-mail, ele conta como foi aquele dia extremo e como os brasileiros se orgulham de representar o país em um esporte antes dominado por estrangeiros. E o surfista que encara paredes de 20m revela apenas um medo: de que o planeta seja destruído pela ação do homem. A premiação será nesta sexta-feira, na Califórnia.

Quais são suas maiores lembranças daquele dia? Imaginou que, com aquela onda, chegaria à final?

Foi na manhã de Natal, e não tinha tanta gente na água, só os mais fissurados. Aquela onda foi às 8h25m, bem na hora de abrir os presentes. Eu disse à minha filha que meu presente estava no mar e que tinha que ir lá recebê-lo. Eu e o Rodrigo Resende, parceiro que me puxou, até comentamos no fim da onda. Olhamos um para o outro, olhamos para o mar, estava tudo branco, o mar balançado, situação típica após quebrar uma bomba. Sabíamos que era uma das maiores do dia. Mas só depois de ver imagem e, comparando as outras, vi que tinha chances.

Alguma vez ficou decepcionado por não ter sido selecionado?

Ja fui finalista deste concurso por três vezes: 2004 (maior onda), 2005 (maior tubo) e 2007(melhor performance). Na verdade, não pego onda grande pensando em ser finalista do concurso. Isso pode ser o motivo errado... Surfar nestes dias pensando no prêmio. Por prazer, queremos sempre pegar a maior onda possível, no maior dia do ano, e, se tudo se encaixar, poderá ser finalista do concurso e, quem sabe, ganhar o titulo. 

O Brasil está sendo mais reconhecido no surfe de ondas grandes?

A potência do Brasil em ondas grandes já é reconhecida há muito tempo. Carlos Burle, Resende e Eraldo Gueiros são de uma geração anterior e há muitos anos fazem parte da elite mundial. Atualmente, desponta uma nova geração que já mostra levar jeito. A tradição do brasileiro nas ondas gigantes continua e se fortalece a cada ano que passa.

Dá para fazer planejamento de viagem? Ou é sempre uma surpresa?

O plano é estar preparado fisicamente e mentalmente e com equipamento em mãos os 365 dias do ano para entrar no avião a qualquer momento. O dia gigante é perfeito. Às vezes surge quando você menos espera. Estar atento e preparado a todo momento faz a diferença. Não é brincadeira passar às vezes 36 horas entre voos e aeroportos e em seguida enfrentar 20m de onda. O trabalho é serio.

Surfistas de ondas grandes precisam ser corajosos. Do que você tem medo?

A coragem é necessária, porem sensatez para ter longevidade no esporte também é importante. Quero surfar estas ondas por muito tempo ainda. Tenho medo da destruição do planeta pelo ser humano. E o planeta já começou a sentir, com terremotos e tsunamis como consequência.

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