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De 'Armeration' a 'Armerazione': dança de ex-palmeirense conquista Udinese

De 'Armeration' a 'Armerazione': dança de ex-palmeirense conquista Udinese

Atualizado: Segunda-feira, 21 Março de 2011 as 10:36

O dia 16 de setembro de 2010 ficará marcado como o dia em que a rotina de jogadores, torcedores e dirigentes do Udinese nunca mais foi a mesma. Naquela data, o lateral-esquerdo colombiano Armero foi apresentado oficialmente sem muitas pretensões. Durante a primeira coletiva de imprensa, o ex-jogador do Palmeiras insistia que sua meta era brigar por uma vaga no time titular. Armero conseguiu mais do que isso e, sem querer, tem sido fundamental na busca por uma vaga na próxima edição da Liga dos Campeões - no que seria a segunda participação no torneio em toda a história do clube de 115 anos.

Tudo começou quando os italianos conheceram o "tal de Armeration". A personalidade amistosa e o jeito desengonçado de dançar logo caíram  no gosto de todos os que convivem com o colombiano. As comemorações passaram a ser constantes e os resultados em campo foram instantâneos: a equipe realiza ótima campanha no Campeonato Italiano, ocupando a quarta posição na tabela de classificação. Não demorou muito para que o "Armeration" ganhasse uma forma italiana e se transformasse em "Armerazione".

- Quando o Pablo chegou, ele trouxe essas danças e deixou nosso ambiente mais alegre. Hoje em dia praticamos as danças durante os treinamentos mas nunca é a mesma coisa. Cada jogador criou a sua maneira de comemorar - revelou o meia suíço Inler, um dos principais adeptos do "Armerazione" no ex-clube de Zico, por telefone ao GLOBOESPORTE.COM.     Tanto Armero quanto Inler admitem que os europeus têm mais dificuldades que os sul-americanos para dançar. Pensando em não fazer feito diante dos torcedores, o suíço agiu rapidamente e procurou a ajuda de profissionais.

- Para mim não foi fácil de uma hora para outra aprender uma dança dessas. Eu me dediquei, fiz aulas e melhorei - brincou.     Os italianos foram os que, literalmente, mais demoraram a entrar na dança. Mesmo assim, diante de um ambiente tão agradável, ficou impossível resistir aos embalos sul-americanos. - Eles são mais tranquilos, mais frios, tem essa diferença. O italiano é mais tímido para dançar. Mas eles gostam de participar - explicou Armero, também por telefone.

Com cinco sul-americanos no elenco, naturalmente, a música latina domina as paradas de sucesso entre os jogadores. Armero é mais íntimo da música brasileira e ainda gosta de ouvir pagode e axé em seu Ipod. Entretanto, a fonte de inspiração para as coreografias vem de ritmos como o reggaeton e a salsa. Existe apenas uma restrição à música. Caso essa regra seja quebrada, o carinho conquistado pelo lateral pode se transformar em um puxão de orelha caso decida atacar de DJ em dias de jogos.

- Quando estamos indo para o estádio, o técnico não quer saber de música. Para ele o barulho atrapalha a concentração - afirmou, adotando um tom mais sério na voz.     Armero não acredita que sua alegria possa ser mal interpretada. O colombiano garante que, na hora de trabalhar, sabe manter a seriedade. Ou quase. Como diria Che Guevara, há que endurecer, mas sem perder a ternura.

- Não tem problema porque faço as danças nos momentos em que devo fazer. Quando é hora de treinar, trabalho normalmente. Estamos perto do final do campeonato, com partidas decisivas que podem nos garantir o retorno à Liga dos Campeões.

Devemos jogar com responsabilidade mas em hipótese alguma podemos perder a alegria - discursou. Em entrevista ao site oficial do Udinese, o meia ganês Asamoah concorda com Inler: Armero mudou a cara do Udinese.

- O nosso segredo é a alegria - sentenciou.    

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