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Descontração e exaustão na pista de obstáculos do pentatlo militar

Descontração e exaustão na pista de obstáculos do pentatlo militar

Atualizado: Segunda-feira, 18 Julho de 2011 as 2:45

Sol forte, música alta nas caixas de som e um bom número de pessoas na plateia. Esse era o clima para a prova da pista de obstáculos do pentatlo militar, nos Jogos Mundiais Militares. No percurso, os atletas passavam por 20 obstáculos em 500m, em um calor de 40º, empurrados pelos gritos dos treinadores e de alguns companheiros. Alguns comemoravam, outros nem isso.

Colchão azul no fim da pista é o refúgio dos atletas após a prova (Foto: Leonardo Velasco/Globoesporte.com)

  Único brasileiro a competir pela manhã, o capitão Maximiliano Reolon não escondia o cansaço. Jogou-se no colchão, colocado após a linha de chegada, ficou um tempo sentado e levantou-se devagar. E este é apenas o segundo dia da modalidade, que teve a prova de tiro no domingo. Nos próximos dias, os atletas ainda vão encarar a natação utilitária, o lançamento de granada e a corrida.

- Agora precisa de, no mínimo, 12 horas de recuperação. É uma prova que quando você chega não consegue nem ficar em pé e fica com um gosto de sangue na boca por cerca de uma hora - relatou o competidor, que lamentou o erro em um dos obstáculos, que lhe custou 2s no tempo total de 2m26s.

Capitão Reolon após a prova: "Preciso de 12h de recuperação" (Foto: Leonardo Velasco/Globoesporte.com)

  Enquanto ainda tentava se recuperar do esforço, o capitão Reolon recebeu um abraço do filho, que pulou no seu colo. Depois, para terminar de dar entrevistas, mandou o garoto e sua sobrinha brincarem em uma pista ao lado.

- Isso vira gincana para as crianças. Quando elas me acompanham, ficam brincando aí - contou.

O capitão treinador do Brasil, Helio Macedo, que brincava com a filha pequena pouco antes das provas, explica que o ambiente descontraído é normal no evento.

- O clima é sempre assim. Nessa parte desportiva, o pessoal é bem light. Tem até país com gente de cabelo grande, barba, até brinco, um pouco diferente do que acontece aqui - explicou.

Gari Reinaldo acompanhava as atividades militares

(Foto: Leonardo Velasco/Globoesporte.com)

  Mas não eram apenas eles que estavam entretidos. Funcionário da limpeza do evento, Reinaldo via a competição pela primeira vez e comentava os resultados com uma colega de trabalho.

- É diferente. Tem que ter um preparo físico muito forte, um fôlego muito grande. Não é fácil. Já chega desgastado no fim da prova, tem uns que já desmaiam no colchão. Se fosse para optar entre aqui e o futebol, ficaria com o futebol. Mas aqui é um contra o outro e dá para ver bem a competição - afirmou Reinaldo.

Calor castiga competidores, mas dinamarqueses aprovam

Se o clima de descontração agradava, os 40º marcados no termômetro aumentavam a dificuldade da competição.

- Estou tão cansado que não conseguia nem andar. Está tão quente - lamentava o finlandês Juha Hirsimäki, apoiado na grade da zona mista e tão ofegante que mal conseguia falar.

A cena foi parecida com o alemão Martin Scherer, que comemorou muito depois de fazer seu melhor tempo, especialmente por causa do calor e do tempo seco. Curiosamente, os dinamarqueses comemoravam o clima.

- Na verdade, está perfeito para nós. Talvez um pouco quente, mas muito bom. Essa não é minha melhor disciplina por causa do meu físico, este vai ser meu último pentatlo nesse nível de competição e queria terminar forte - disse o dinamarquês Brian Dasbjerg, atual campeão mundial.

Debaixo de 40°, competidores sofreram para superar obstáculos (Foto: Leonardo Velasco/Globoesporte.com)

  Na organização, cabo se inspira para virar competidor

Apesar de parecer curiosa para quem não está acostumado, a pista de obstáculos faz parte do treinamento militar e é requisito para todos do exército brasileiro, que precisam completar a prova em 4m30s, quase o dobro do que os atletas costumam fazer no pentatlo militar, na casa dos 2m20s. E a proximidade com a prova também serviu de inspiração. Destaque do batalhão na pista em 2009, o cabo Pablo já sonha em virar sargento e estar na pista em Jogos Mundiais Militares Futuros.

- Fui destaque geral em 2009 e até ganhei medalha, mas meu tempo foi de 3m09s. Esses caras aqui são muito bons. Vou fazer a prova para sargento e gostaria de entrar para essa área. Meus planos são esses, e, se tudo der certo, vou estar lá - disse o cabo.          

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