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Discípulos de Telê, Muricy e Aguirre tentam honrar a memória do mestre

Discípulos de Telê, Muricy e Aguirre tentam honrar a memória do mestre

Atualizado: Segunda-feira, 20 Junho de 2011 as 9:50

O confronto histórico entre Santos e Peñarol, na próxima quarta-feira, às 21h50m (horário de Brasília), no Pacaembu, pela final da Taça Libertadores, colocará frente a frente dois técnicos que têm em comum o mesmo mentor. Muricy Ramalho, comandante do Peixe, e Diego Aguirre, treinador da equipe carbonera, são discípulos de Telê Santana. Ambos tentam levar seus times ao posto mais alto da América para honrar a memória do mestre, morto em 2006, e que conquistou a competição duas vezes: em 1992 e 1993, ambas pelo São Paulo.

Muricy, 55 anos, foi auxiliar de Telê no São Paulo, entre 1994 e 1996. É daqueles que se refere ao ex-treinador como mestre. Já Diego Aguirre, dez anos mais jovem, jogou no São Paulo por alguns meses em 1990. Aproveitou o período para fazer um estágio, ainda como jogador, já pensando no futuro.

Muricy Ramalho e Diego Aguirre: discípulos de Telê (Foto: Editoria de Arte/GLOBOESPORTE.COM)

  Em conversa com o Globoesporte.com , na última quinta-feira, dia seguinte ao empate em 0 a 0 com o Santos, em Montevidéu, no primeiro jogo da decisão, Aguirre falou com saudade de Telê. Diz que aprendeu muito com o mestre. Não apenas sobre questões técnicas e táticas.

- Também aprendi muito como pessoa. O Telê era um ser humano fantástico, que sempre tinha uma palavra certa, uma orientação a passar. Cuidava dos seus jogadores em todos os aspectos - conta Aguirre.

O técnico do Peñarol diz que não lembra de uma lição específica de Telê. Mas tem muitas recordações sobre o modo como o mestre idealizava o futebol.

- Ele sempre gostou do futebol bem jogado, do toque de bola. Não admitia jogador errar passe. Era muito rígido com relação a isso, com razão, evidentemente - comenta o treinador, lembrando que também aprendeu muito com Abel Braga, com quem trabalhou no Inter, nos anos 80.

  Muricy lembra dos tempos em que Aguirre trabalhou no São Paulo. Na ocasião, o atual técnico santista já havia pendurado as chuteiras e ainda não havia iniciado seu trabalho como técnico, mas mantinha amigos no Tricolor e frequentava o Morumbi.

- Fico feliz por saber que ele fala coisas boas sobre o Telê. Aliás, não é surpresa, né? Todo mundo que trabalhou com Telê só guarda ótimas lembranças. Para mim, ele significou demais. Foi como um pai, um professor mesmo - diz Muricy.

O técnico santista afirma que uma das lições que aprendeu com Telê foi bem dura: a de como o futebol desgasta o treinador.

- Eu vi o seu Telê ficar doente por causa do futebol. Ele vivia aquilo intensamente. É algo estressante demais. A cobrança é desumana e o profissional sofre. Por isso, hoje eu procuro descansar bem no fim das temporadas, tento relaxar, faço meus exames regularmente. Tudo isso porque sei que o futebol é duro com quem trabalha sério.

Elogios mútuos

Muricy ao lado de Telê, em treino do São Paulo, em 

1995 (Foto: Arquivo / Ag. Estado)

  Diego Aguirre admira o trabalho do colega Muricy Ramalho. Vai na contramão da diretoria do Peñarol, que apresentou queixa à Conmebol contra as reclamações que o treinador santista fez à arbitragem de Carlos Amarilla , depois do jogo de ida, em Montevidéu.

- Eu não acompanho seu trabalho de perto, claro, mas tenho visto alguns jogos de seus times nos últimos tempos. Ele tem conquistado títulos. Seus times são sempre muito sólidos e difíceis de serem vencidos. Sem dúvida é um grande técnico - comenta.

Muricy, por sua vez, cumprimenta Aguirre pela campanha na Libertadores e pelo modo de jogar da equipe uruguaia.

- Você vê logo que é um time bem estruturado, bem dirigido, com um sistema definido, os jogadores sabendo o que tem de fazer. O Aguirre está de parabéns.

Agora, é esperar qual dos discípulos de Telê levará a melhor na quarta-feira.        

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