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Em boa fase, Vôlei Futuro atrai torcida e faz de Araçatuba a 'cidade do vôlei'

Em boa fase, Vôlei Futuro atrai torcida e faz de Araçatuba a 'cidade do vôlei'

Atualizado: Sexta-feira, 8 Abril de 2011 as 10:49

A bola rolando no gramado poucas vezes foi motivo de orgulho para os araçatubenses. Dentro de campo, apenas a Associação Esportiva de Araçatuba, a AEA, chegou a dar algumas alegrias, como os três títulos na Série A-2 de São Paulo, mas, afundada em crise, perdeu espaço e torcedores. Em meio às ruínas do principal time do lugar, nasceu, através de uma iniciativa privada, um projeto diferente. Hoje, quase dez anos depois, o futebol saiu de cena. Com duas equipes fortes, ambas nas semifinais das Superligas masculina e feminina, o munícipio do interior paulista surge como referência no vôlei nacional através do Vôlei Futuro.

Torcida do Vôlei Futuro lota o ginásio durante os jogos das equipes (Foto: Divulgação / Site Oficial)

  Com um grande investimento para esta temporada, o Vôlei Futuro atraiu nomes de peso, como Ricardinho e Leandro Vissotto, no masculino, e Paula Pequeno e Fabiana, no feminino. De quebra, trouxe para si ainda mais a torcida local, que adotou o esporte como principal paixão. Ginásios lotados, torcedores com as camisas dos times pelas ruas e idolatria em relação aos jogadores. Como Franca no basquete, Araçatuba se fortalece como a “cidade do vôlei” no Brasil.

- Não foi a partir deste ano que a população daqui começou a apoiar o Vôlei Futuro. Desde o início do projeto, quando nós não éramos ninguém, quando não tínhamos jogadores com essa qualidade técnica, com esse renome, com essa repercussão mundial, eles já nos apoiavam, já enchiam os ginásios. Já havia uma identificação muito grande. Eu lembro que há cinco anos um jornal daqui fez uma pesquisa e o time teve 96% de aprovação – afirma Marcela Constantino, diretora do grupo e nome forte por trás do Vôlei Futuro.

Sem a concorrência do futebol - como é comum em outras locais de referência no vôlei -, Araçatuba se tornou nos últimos anos uma cidade voltada para as quadras. A estrutura também impressiona. Um ginásio com capacidade para 2.500 pessoas, onde são realizados os treinos das duas equipes; uma academia própria, com salas de fisioterapia; e um sítio, que serve de sede para a pré-temporada dos jogadores, ponto de recuperação dos lesionados, restaurante e área de lazer durante as folgas.

Foi justamente a estrutura do projeto – claro, aliada a uma boa proposta financeira – que conseguiu atrair astros do vôlei brasileiro para Araçatuba. O investimento tem dado retorno. Depois de um início cambaleante, os times chegaram pela primeira vez a uma semifinal de Superliga após cinco edições disputadas. Os homens perderam o primeiro jogo, fora, para o Cruzeiro, e tentam forçar o terceiro confronto com uma vitória neste sábado. Já as mulheres iniciam, na próxima semana, o duelo contra o Osasco.

Estudante Giovana com a camisa do Vôlei Futuro ( João Gabriel Rodrigues / GLOBOESPORTE.COM)

  - Hoje, eu acho que o Vôlei Futuro levou o nome de Araçatuba para o Brasil inteiro. Sem dúvida, a cidade do vôlei hoje é Araçatuba. Eles vivem o vôlei, abraçaram o projeto. E isso não tem preço. E é bacana que o projeto, que já existe há dez anos, conquistou pela primeira vez o Campeonato Paulista (o time feminino foi vice-campeão), conquistou os Jogos Abertos e está pela primeira vez na semifinal. É importante para a torcida que vem apoiar e para o patrocinador – diz Leandro Vissotto.

Para a partida de sábado, contra o Cruzeiro, todos os ingressos foram vendidos no mesmo dia. Há uma fila de espera para possíveis bilhetes extras de última hora.

- É impressionante a acolhida ao projeto. A cidade é apaixonada pelos jogadores, defende todos com unhas e dentes. É uma honra ter esse time aqui. E acho que aqui é mesmo a cidade do vôlei. Claro, ainda não temos a tradição de outros times, mas é um projeto que não tem em nenhum outro lugar do país – afirmou a advogada Marjorie Moura, que foi ao treino de quinta-feira.

Com forte marketing, Vôlei Futuro ganha as ruas da cidade

Na mesma medida que investiu na formação de equipes mais fortes em quadra, o Vôlei Futuro também viu no marketing uma forma de conseguir atrair ainda mais a torcida para o lado do time. Com uma campanha de inovadora no cenário nacional, as equipes têm camisas personalizadas dos principais jogadores, linha de produtos para crianças, mascotes e artigos para mulheres e homens, como brincos, pulseiras e pingentes. Para Marcela, este é um dos diferenciais do time de Araçatuba.

- Por que eu não vou ter uma camiseta diferente da oficial, por que eu não vou ter camisa casual que eu possa sair para um jantar, para uma reunião? As pessoas criaram uma conexão, uma ligação com o time. Então, nós começamos a querer atingir todo mundo que está nos seguindo. A gente tenta atingir o máximo de coisas para qualquer pessoa poder comprar.

Marcela Constantino entre a linha de produtos do Vôlei Futuro (João Gabriel / GLOBOESPORTE.COM)

  E a procura é grande. Vendedora da loja do Vôlei Futuro que fica no ginásio de Araçatuba, Jéssica Camila afirma que os torcedores buscam todos os acessórios do time.

- Principalmente nos dias de jogos, treinos, o movimento é muito grande. São muitos os interessados - garante Jéssica.

Projeto na base para ampliar vínculo

Para fazer jus ao nome, o grupo também investe na base. Com 17 projetos espalhados por Araçatuba, o Vôlei Futuro tenta estender o vínculo da cidade com o esporte por outras tantas gerações.

- Sempre tivemos a mesma cara, dividida em duas áreas, de formação e performance. Na área de formação, temos as crianças, e a equipe adulta entra justamente para ser o espelho dessas crianças. É uma forma de retroalimentar o projeto – afirma a dirigente.      

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