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'Em casa', Inter fica no empate com Cerro-URU

'Em casa', Inter fica no empate com Cerro-URU

Atualizado: Sexta-feira, 19 Março de 2010 as 12

Faltou a vitória. Em uma noite de celebração do coloradismo das mais de 20 mil pessoas que pegaram a estrada e foram até a cidade uruguaia de Rivera, o Inter ficou no 0 a 0 com o Cerro, nesta quinta-feira (assista ao vídeo ao lado). O estádio Atílio Paiva, na fronteira com o Rio Grande do Sul, ficou superlotado na partida que manteve o time de Jorge Fossati na vice-liderança do Grupo 5 da Libertadores da América, agora com cinco pontos, dois atrás do próprio Cerro.

Não é um resultado desprezível. Ele permite que o Inter assuma a liderança da chave já na próxima rodada, dia 31 de março, no Beira-Rio, novamente contra a equipe de Montevidéu. Mas o placar decepcionou a torcida presente em Rivera. Os colorados esperavam mais do time.

O empate marcou a passagem para um esquema de apenas dois zagueiros. D’Alessandro, no retorno ao time, dividiu a articulação com Giuliano e Edu. O sistema pode ser mantido nos próximos jogos. Neste domingo, o Inter volta a campo, mas pelo Campeonato Gaúcho. O adversário é o Pelotas, no Beira-Rio.

Inter se sente em casa, mas para em Rolero

Estádio Atílio Paiva, Rivera, Uruguai. Mas pode chamar de Beira-Rio. Os colorados abandonaram o lado brasileiro e cruzaram a fronteira para ver o Inter jogar no país vizinho. Milhares deles. Uma invasão de impressionar. Se massacravam na arquibancada com a proporção de quase dez brasileiros para um torcedor do Cerro, os vermelhos foram acuados em campo nos dez primeiros minutos. Na bola parada, os donos da casa, com um jeitão de visitantes, incomodaram Pato Abbondanzieri por duas vezes. No susto, o argentino se virou para defender. A trinca uruguaia com os velozes Suarez, Alejandro Mello e Rodrigo Mora precisava ser seguida bem de perto.

Por mais criatividade, o técnico Jorge Fossati lançou mão do 3-5-2, seu esquema preferido, para ter Giuliano, D’Alessandro e Edu juntos no meio, num 4-5-1, com Alecsandro na frente. O zagueiro Fabiano Eller ficou entre os suplentes. De volta ao time titular depois de uma lesão na face, D’Ale mostrou a velha e boa forma. Bons passes, dribles marotos. Era um dia para dar caneta. E ele deu. Tudo passava pelo camisa 10.

Confira os melhores momentos da partida:

Menos afobado, o Inter começou a se encontrar. Sem abandonar o estilo incansável, Guiñazu controlou o excesso de vontade e parou de fazer faltas. Pela direita, Bruno Silva foi mal. Deu algumas pancadas e errou passes. Não passou disso. Ainda que Kleber estivesse discreto, a esquerda funcionava muito melhor com os avanços de Edu.

Marcação adiantada, pouco espaço para o Cerro, e o Colorado cresceu. Não fosse Rolero, sempre bem colocado, o gol teria saído. Talvez mais de um. Giuliano tentou duas vezes, aos 13 e aos 28. Na primeira, se colocou bem na área para aproveitar a sobra de bola e bateu de direita, nas pernas do goleiro. Após cruzamento pela esquerda de Edu, em sua melhor partida pelo Inter, Alecsandro escorou na segunda trave para o centro da área, e Giuliano cabeceou no canto esquerdo. Rolero foi buscar.

Se estava difícil de perto, era a hora de tentar de longe. O chute de Alecsandro ganhou um efeito estranho ao desviar em Pablo Mello e quase pegou o goleirão desprevenido, aos 25. Na primeira aparição ofensiva de Bruno Silva pela direita, o uruguaio cruzou, Alecsandro brigou com os zagueiros, e a bola sobrou para D’Ale na entrada da área. Chute bonito, de primeira, com o pé direito (que não é o bom!). Rolero usou a ponta dos dedos para afastar. Bem menos ousado, o Cerro criou a última chance de perigo da primeira etapa. Em cobrança de falta de Rodrigo Mora, Abbondanzieri evitou o gol com um tapa, aos 43.         

Colorado cria pouco, e Cerro segura empate

Fossati deu pouco mais de dez minutos a Bruno Silva para que o lateral-direito melhorasse no segundo tempo. Com um cartão amarelo e vários passes errados na conta, ele deu lugar a Nei. Mudou pouco. O substituto também foi punido com cartão. O Inter continuava melhor, apesar de menos contundente. Kleber tentou aparecer mais e teve a companhia de Giuliano nas investidas pela esquerda, lugar que vinha sendo ocupado por Edu, que passou para a direita.

Chutes de fora da área e sem direção eram tentativas nada produtivas. Até começavam bem, mas quase sempre terminavam longe da meta. Um pouco mais discreto, D’Alessandro usou bem o lado esquerdo, aos 22. No cruzamento rasteiro, Alecsandro conseguiu ajeitar para Guiñazu. O capitão isolou. Giuliano tentou em seguida. Mais distante ainda.

O fôlego de D’Ale acabou aos 26 minutos. O argentino começou a demonstrar sinais de cansaço, e Fossati chamou Andrezinho. A torcida não gostou, mas a mudança parecia necessária. A maioria absoluta nas arquibancadas tentou fazer a diferença. Os colorados invadiram Rivera para isso e começaram a cantar mais forte, num empurrão com vozes. A velocidade de Taison foi a terceira alternativa do técnico. Ele entrou no lugar de Giuliano, que também caiu de rendimento, para pouco tocar na bola.

O Cerro parecia bem faceiro com o empate, mas decidiu sair para o jogo sem deixar de administrar o resultado. Até voltou a fazer Pato trabalhar, aos 38, em nova jogada de bola parada. Na única chance que teve no segundo tempo, Alecsandro, único homem de área vermelho, teve de sair dela para arriscar. O chute, aos 48, assustou Rolero, mas não passou disso. Empate sem graça e sem gols.         

Por: Alexandre Alliatti

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