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Em homenagem 'tardia', medalhistas de 1960 atacam indiferença da CBB

Em homenagem 'tardia', medalhistas de 1960 atacam indiferença da CBB

Atualizado: Quarta-feira, 15 Dezembro de 2010 as 3:03

De uma comissão técnica de 14 pessoas, nove restam. Parte de um grupo que marcou a história do basquete masculino no Brasil recebeu uma homenagem nesta manhã de quarta-feira em São Paulo e, embora o clima fosse de festa pelo reencontro dos amigos, críticas ferrenhas à Confederação Brasileira de Basquete contrastaram com os sorrisos iniciais dos ex-atletas.

O time que conquistou a medalha de bronze na modalidade nas Olimpíadas de 1960, em Roma, considerou tardia a lembrança feita pela entidade, destacando a indiferença nacional pelos feitos de uma geração vencedora, bicampeã mundial e duas vezes medalhista olímpica.   Amaury, Sucar, Mosquito, Rosa Branca, Edson Bispo, Fernando Brobró, Jatyr, Moysés, Blatskauskas, Boccardo, Wlamir Marques e Algodão foram os atletas homenageados, ao lado do técnico Kanela e do auxiliar Renato Brito, que não pôde comparecer. Esta geração conquistou o Mundial de 1959 e também de 1963, além das medalhas de bronze nas Olimpíadas de 1960 e 1964.

Dos 12 atletas, Amaury, Jatyr, Rosa Branca e Wlamyr participaram das quatro conquistas. Conquistas que são pouco lembradas por uma geração que não vê seus atletas disputarem os jogos há 16 anos. A última vez que a seleção masculina de basquete brasileira participou das Olimpíadas foi em 1996. Visivelmente emocionado, Wlamir não poupou a CBB e fez duras críticas pelo atraso na homenagem ao time vencedor, relembrando os quatro colegas, Rosa Branca, Brobró, Blatskauskas e Algodão, e o técnico Kanela, que já faleceram.   - Você sabe o que é passar 50 anos para se fazer uma homenagem? Nós estamos indo embora. Não pode demorar. Já foram quatro. Restaram oito. Nos 50 anos do título mundial (de 1959), não teve homenagem da CBB. Foi do Ministério do Esporte. Essa homenagem é espetacular, é linda. Mas temos queixas a fazer, e temos que reclamar. Até quando nós vamos ser tratados ou considerados amadores, por mais quantos anos? Quando, hoje, qualquer atleta cobra por entrevista e recebe quantias exorbitantes no esporte., recebendo quantias que jamais nossos holerites (contracheques) alcançariam? Não fizemos mais do que a nossa obrigação mas... cadê o reconhecimento? E nesses 50 anos que passaram? Alguém sabe o que fizemos de nossas vidas? Pensou nas nossas necessidades? Daqui para frente, espero que não demorem 50 anos para comemorar alguma coisa. A cada dez está bom – afirmou o ex-atleta.

Fazendo coro ao medalhista olímpico, a esposa de Rosa Branca, falecido em 2008, considerou pouco a homenagem da confederação.

- Gostaria que ele estivesse aqui para ver isso. Para o muito que eles fizeram para o país, é pouco. Acho mais do que justo eles serem homenageados – defendeu Odete.

Saulo, filho de dona Odete, também fez questão de deixar a crítica.

- É um pouco tarde. Eles resolvem lembrar quando muitos já nem estão presentes. Não se tem ciência no país do que eles fizeram para o Brasil, em títulos. Meu pai ficava muito chateado com isso.             O ala e pivô Amaury, ao receber o prêmio, agradeceu a homenagem mas fez questão de pedir o apoio do governo ao esporte no país.

- Estou muito emocionado em rever os amigos, de um grupo que por dez anos representou o Brasil, e com muito orgulho. Hoje o momento é outro, mas é necessário continuar apoiando e incentivando o basquete no Brasil – disse, interrompido pelos aplausos dos colegas.

Todos os oito ex-jogadores que compareceram ao evento receberam prêmios e homenagens. Familiares dos atletas falecidos representaram os medalhistas.

- Existe um lugar mais nobre para alguém do esporte morrer do que na quadra? Acho que é o que vai acontecer comigo. Eu não quero mais nada de ninguém. São exemplos que ficam para a história. Isso aqui não é uma aula. É um sentimento de amor que estou jogando nessa mesa. Não queremos mais retorno. Queremos apenas morrer em paz, e feliz – concluiu, às lágrimas, o ala Wlamir.    

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