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Em meio a turbulências, Felipão se diz feliz e ataca 'turma dos xarope

Em meio a turbulências, Felipão se diz feliz e ataca 'turma dos xarope

Atualizado: Terça-feira, 13 Setembro de 2011 as 10:03

Há pouco mais de um ano, Luiz Felipe Scolari se reestabeleceu em São Paulo e está bem confortável com a atual condição. A proximidade da família, principalmente a mulher Olga, faz o técnico superar os problemas diários que vem enfrentando no Palmeiras, em queda livre no Campeonato Brasileiro e com apenas uma vitória nos últimos dez jogos. Com uma rotina regrada, Felipão tem intensificado os treinos, mas já admitiu que não consegue arrumar algumas deficiências de sua equipe. Mesmo assim, assegura que está feliz e tranquilo, pronto para encarar mais turbulências até o fim de 2012, quando termina seu contrato com o clube. Hoje ele é o técnico há mais tempo em um clube da Série A. Depois da visita às obras da Arena Palestra, na semana passada , Felipão conversou por cerca de 20 minutos com a reportagem do GLOBOESPORTE.COM.

- Posso dizer que estou bastante feliz, estou com minha família, o ambiente com os amigos continua muito bom, e no clube o ambiente também é bom. Quero fazer com que o Palmeiras dê o passo seguinte e deixe de ser um time que fica apenas naquele grupo dos oito primeiros colocados – afirmou o técnico.

Felipão visitou as obras da Arena na semana passada (Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com)     As turbulências incluem, por exemplo, a situação do meia Valdivia. Após uma boa proposta de um clube do Qatar, o Mago optou por permanecer, mas se recupera de uma lesão na coxa direita e vai desfalcar o Palmeiras até o início de outubro. Fechado com a diretoria, pelo menos até nova fumaça, o técnico diz que seguirá qualquer decisão tomada pelo presidente Arnaldo Tirone.

Firme, o técnico ainda assegurou que hoje tem uma relação muito boa com o vice-presidente Roberto Frizzo, criticou conselheiros oposicionistas e até criou a turma dos “xaropes”, que seriam os responsáveis pelas fumaças diárias no CT. O comandante ainda assegurou que vai ficar em São Paulo após o término de seu vínculo com o Verdão. Só não revelou se vai renovar, assumir uma posição diretiva ou ficar apenas como torcedor nas tribunas da futura Arena Palestra.

Confira abaixo a íntegra da entrevista

GLOBOESPORTE.COM: Ultimamente você anda um pouco mais fechado, carrancudo. O que anda lhe chateando mais no Palmeiras?

Luiz Felipe Scolari: Nada, às vezes tenho de estar com cara de brabo e cobrando algumas coisas de meus jogadores. É que meu time chega até um determinado ponto e dali ainda não passou. Se passar, vai chegar entre os primeiros. É essa demora que me faz ter um pouco mais de preocupação, e por isso posso transmitir um ar assim. Mas no cotidiano está tudo bem, tenho tido muitas alegrias, o ambiente com os amigos continua bem. Mas quero tentar fazer com que o Palmeiras dê o passo seguinte e não permaneça apenas naquele grupo dos sete, oito primeiros. Precisamos galgar posições. Isso me preocupa, claro, mas meu bom astral segue o mesmo.   E o que falta para superar esse ponto?

Falta uma qualidade a mais para definir, sei que meus jogadores trabalham para isso, mas nos falta uma ou outra situação de criatividade e desenvoltura na parte de decisão. Muitas vezes estamos com o jogo ganho e aí desconcentramos. Falta um pouquinho mais de concentração para darmos o passo seguinte.

O clima no grupo melhorou depois daquela situação do Kleber e a torcida do Corinthians (O Gladiador afirmou antes do Dérbi que já foi corintiano no passado)?

O clima hoje é muito bom. No momento, passamos por um clima excelente. Passamos por alguma dificuldade com aquela situação, que já foi resolvida. Voltamos a ter um clima muito bom, todos os atletas querem melhorar e fazer com que o Palmeiras cresça na tabela. O ambiente lá entre os jogadores é quase igual ao do começo do ano. Não tenho preocupação com esse item.

E a situação do Valdivia, é algo que incomoda?

Não posso dizer mais nada sobre o Valdivia, só o presidente pode falar. Se ele sair é mais um problema para mim, é um jogador de alta qualidade, faz com que a equipe jogue mais futebol e tenha mais técnica, mas a situação não envolve comissão técnica, e sim direção e uma série de detalhes que não me cabem. Sem ele nós perdemos muito. Mas eu já disse muitas vezes que o clube tem dificuldades, e nossos diretores sabem disso melhor do que eu.

Hoje o Felipão está feliz?

Bastante, mais até hoje porque fui convidado para ver a obra e fiquei contente . Não imaginava que tudo já estava nesse ponto, vou falar com o presidente para que eu possa junto com minha família fazer parte dos sócios do Palmeiras, frequentar a parte social... Se eu permanecer em São Paulo, não tem lugar melhor para frequentar do que o Palmeiras. Posso dizer que vivo um dos meus momentos mais felizes, apesar de tudo.

Luiz Felipe Scolari vive fase tranquila, apesar das pressões (Foto: Marcos Ribolli/ GLOBOESPORTE.COM)

  Mas até que ponto as rusgas políticas irritam? O senhor até abriu mão da multa rescisória...

Isso é o normal, se muita gente, ou alguns que se intitulam dirigentes, palmeirenses muito mais do que qualquer outro vão à imprensa, vão ao Palmeiras, emitem pareceres dizendo isso e aquilo, dou a oportunidade por meio de um documento que o clube não tem nenhum compromisso comigo de pagar multa. Está lá com o presidente. Se o Palmeiras quiser me mandar embora amanhã, eu vou e pronto.

Quem mais chateia dentro do clube?

Vários chateiam, é normal, todo mundo sabe os nomes. É quem chateia pela construção da Arena do Palmeiras, pela árvore que não está no lugar, são os mesmos xaropes de sempre. Esses podem ir no COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) amanhã e pedir minha saída.  Estou dando a oportunidade para que esses aí ou calem a boca ou façam o que têm de fazer.

Mais uma turma para incomodar, a dos xaropes?

E os xaropes não incomodam só a mim, incomodam a todos que querem fazer o bem pelo Palmeiras. Vocês sabem muito bem quem são.

Felipão diz que tem tido tempo para imaginar novas

jogadas (Foto: Cesar Greco / Agência Estado)

  Há ruídos na comunicação entre o senhor e o vice-presidente Roberto Frizzo?

Opiniões diferentes não são rusgas e nem problemas, são colocações de qualquer uma das partes. E as partes, sendo inteligentes, ouvem, tiram aquilo que é melhor e resolvem. Nunca tivemos problemas, apenas alguns ajustes que são normais em uma relação, e hoje somos muito mais amigos do que estão imaginando por aí.

O senhor já afirmou que ficaria restrito aos assuntos do futebol, mas está fácil manter esse foco?

Não fica difícil, não. É aí que vocês se enganam. Estou cada dia mais focado, imaginando jogadas, trabalhando diferente em alguns aspectos para melhorar meu grupo. É ótimo que a gente vá ouvindo uma ou outra coisa, mas separando o joio do trigo. Tenho é de trabalhar pelo progresso do grupo, meus jogadores precisam galgar posições em prol do Palmeiras. Mas para isso sofremos nós da comissão técnica, sofrem eles pela exigência, o torcedor porque o resultado não vem. Mas não há problemas nesse sentido. Todos nós queremos crescer e evoluir em algum aspecto que deixamos a desejar.

Apesar de todos os problemas, o senhor tem vontade de permanecer no clube após o fim de 2012?

Tanto dá vontade que eu disse que serei associado do clube. Até o fim do ano já quero frequentar as piscinas e o parque aquático. Ainda tenho o término de 2011, mais todo o ano de 2012. Mas como técnico ou torcedor, pode ter certeza de que estarei aqui.

Felipão conversa com TV Globo e Globoesporte.com (Foto: Marcos Ribolli/ GLOBOESPORTE.COM)                

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