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Entre 'tapas e beijos', Juliana e Larissa só pensam no pódio olímpico

Entre 'tapas e beijos', Juliana e Larissa só pensam no pódio olímpico

Atualizado: Quarta-feira, 20 Abril de 2011 as 9:57

Sabe aquele casamento de anos, que já passou por altos e baixos e não vive um mar de rosas? Assim é o atual momento da melhor dupla de vôlei de praia do mundo, as brasileiras Juliana e Larissa. O relacionamento começou em 2002, passou por títulos e contusões e agora sofre um “desgaste natural”, como afirma a própria Larissa.

As duas não fazem questão de camuflar a situação: são francas com as palavras e mostram muita segurança quanto ao futuro da dupla. Futuro que já começou a ser traçado nesta terça, com o início da chave principal da etapa de Brasília do Circuito Mundial. A partir de agora e até o ano que vem, estão em jogo as vagas para as Olimpíadas de Londres-2012, praticamente uma obsessão para elas.

- Se o vôlei de praia deve algo para a gente, é uma medalha olímpica - sentencia Larissa.

Elas estão prontas para cobrar essa dívida. Pouco antes dos Jogos de Pequim-2008, Juliana machucou o joelho, e Larissa teve que jogar a competição da vida de ambas com uma parceira diferente: Ana Paula. Caíram cedo, nas quartas-de-final.

- Quando me contundi, fiquei muito triste, mas depois percebi que tudo serviu para eu amadurecer, voltar mais forte, muito a fim de vencer - afirma Juliana.

- Naquele momento, o chão se abriu, e o mundo desabou. Mas medalha olímpica nenhuma me daria tanta experiência quanto a contusão da Juliana me deu - reconhece Larissa.

O discurso das duas é afinado quando o assunto é o sonho olímpico, o grande objetivo em comum. Dentro de quadra, elas se cobram em busca das vitórias, por vezes até de maneira ríspida. Mas quando o jogo acaba, vai cada uma para um lado.

- Mulher é cheia de frescura, guarda rancor. Por isso, a gente tem que se respeitar, mas cada uma vive a sua vida. Nossa relação é até mais intensa que casamento, porque trabalhamos juntas, estamos sempre juntas nas viagens - contou Juliana.

- Separamos nossas vidas pessoais. A convivência gera algumas brigas, e manter o lado psicológico forte é o segredo. Para mim, o psicológico representa 40% do sucesso, enquanto o físico e o técnico são 30% cada. Como fazer para passar meses jogando pela Europa e não aguentar mais olhar na cara da parceira, do técnico? É aí que entra o lado psicológico - analisa Larissa.

E, após tantos anos de convivência, o que uma acha da outra? É nesse momento que a admiração mútua aparece.

- Ela não tem muita paciência, mas eu a admiro pela pessoa boa que ela é. Só quem a conhece, sabe - resume Juliana.

- A perseverança dela é incrível, ninguém no mundo tem igual. Ela fazia dez horas por dia de fisioterapia para tentar ir às Olimpíadas. Eu não aguentaria. Ela pedia gelo para botar no joelho até em churrasco na casa de amigo - revela Larissa.

Lembrança de um ciclo olímpico que não terminou como Juliana e Larissa gostariam, mas marcou muito. E os Jogos de 2012 estão logo ali para apagar qualquer mal-estar.      

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