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Ex-craques da NBA ensinam e se divertem em clínica no Rio de Janeiro

Ex-craques da NBA ensinam e se divertem em clínica no Rio de Janeiro

Atualizado: Sexta-feira, 24 Setembro de 2010 as 7:49

Não, não, não”. O sujeito de 41 anos e 1,85m grita e corre para corrigir o posicionamento do garoto na defesa. Pouco depois, vai até outro e pede mais arco no arremesso da linha de lance livre. Cada pedido carrega a autoridade de quem passou 12 anos nas quadras da NBA. A molecada ouvia tudo sem questionar. Até porque logo ali ao lado, de braços cruzados, estavam outros dois ex-jogadores que, somados, levantaram “só” oito taças da liga americana. O elétrico Dee Brown e os relaxados Ron Harper e Bruce Bowen pareciam confortáveis como professores. E os 40 jovens atletas da clínica America’s Team Camp, no Rio de Janeiro, só queriam ser bons alunos. As confederações de basquete do Brasil, da Argentina, do México e de Porto Rico indicaram, cada uma, 10 nomes para a clínica promovida pela Nike, pela NBA e pelo Consulado Americano. As atividades começaram nesta quinta-feira, no Marina Barra Clube, que já tinha servido de palco para os treinos da seleção masculina antes do Mundial da Turquia.

Diretor da clínica, Brown era quem mais botava a mão na massa. O ex-armador do Boston Celtics, campeão do torneio de enterradas de 1991 ao cravar com o braço cobrindo os olhos, não parava um segundo sequer de orientar a garotada.

- O mais importante é mostrar para eles o que é preciso para se tornar um atleta profissional. Se eles não tiverem essa disciplina e essa paixão, não adianta. Eu joguei durante 12 anos e vi que grandes craques como Michael Jordan e Magic Johnson sempre davam 110%. Se eles pensarem assim, terão sucesso. O basquete é um idioma universal. Não preciso falar português e espanhol para ensinar. Se eu entrar ali na quadra e mostrar, eles vão ver e entender – explicou Brown.

De fato ele mostrou, suando como se ainda estivesse em atividade. Seus colegas estavam bem mais tranquilos. Harper, por exemplo, não desmontava o sorriso e parecia estar se divertindo observando a ação. Tudo isso com a moral de quem foi campeão três vezes com o Chicago Bulls de Michael Jordan e outras duas com o Los Angeles Lakers de Kobe Bryant.

- É bom estar de volta a um ginásio e mostrar aos garotos como se joga o basquete. Tento passar a minha experiência, e tem sido muito bom – afirmou Harper, de 46 anos. Tricampeão com o San Antonio Spurs, Bruce Bowen é o “caçula” dos professores, com 39, recém-aposentado na NBA. Considerado um dos melhores defensores da história da liga americana, ele aprovou a receptividade dos jovens latino-americanos.

- Realmente estou gostando das atividades aqui no Rio, de como os jogadores têm sido agressivos na quadra e estão aceitando as instruções. Às vezes os garotos americanos acham que já têm tudo. Até se ajudam, mas pensam “Opa, eu já sei isso”. Aqui eles estão realmente abertos para o que nós temos a dizer – contou.

Enquanto os garotos participavam de jogos de três contra três, tinha brasileiro aproveitando bem a experiência. Único técnico do país entre os 14 que foram chamados para auxiliar os ex-craques da NBA, Luís André Costa, do Fluminense, ficou impressionado com a intensidade do trabalho dos americanos.

- Os detalhes do trabalho a gente até tem aqui no Brasil. Mas a forma como eles encaram o jogo é como se fosse a última bola da vida. São extremamente intensos, bem diferente do brasileiro, que atua mais no improviso. Então tem sido uma vivência ímpar. O convite surgiu em função dos resultados que tive no clube, então encaro como uma responsabilidade muito grande. Quero coletar o maior número possível de informações e passar tudo que estou aprendendo aqui para os meus companheiros de trabalho – avisou Luís André, que trabalha com a base no time das Laranjeiras e planeja levar outros treinadores para assistir à clínica.

O America’s Team Camp prossegue até domingo no Marina Barra Clube, com treinamentos, competições internas e seminários.

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