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Fã de Muricy, Bernardinho fala sobre o difícil relacionamento com a imprensa

Fã de Muricy, Bernardinho fala sobre o difícil relacionamento com a imprensa

Atualizado: Segunda-feira, 9 Novembro de 2009 as 12

Perfeccionistas, exigentes e defensores do trabalho árduo, Bernardinho, técnico da seleção brasileira masculina de vôlei, e Muricy Ramalho, comandante do Palmeiras, muitas vezes são vistos como pessoas de personalidade forte e difícil relacionamento, especialmente pela imprensa.

Em comum, os dois possuem um currículo invejável, e nomes marcados na história do esporte brasileiro como dois dos maiores vencedores em suas respectivas modalidades.

De malas prontas para disputar a Copa dos Campeões, que será realizada dos dias 18 a 23 de novembro, nas cidades japonesas de Osaka e Nagoya, Bernardinho vem acompanhando seu time no Centro do Desenvolvimento do Voleibol, em Saquarema, Rio de Janeiro. Entre um treino e outro, ele falou ao GLOBOESPORTE.COM sobre a admiração pelo colega de profissão.

''Eu gosto do Muricy. Sei que as pessoas dizem que ele não tem muita paciência, mas, às vezes, ele tem razão, até exagera, mas tem razão em muita coisa. É trabalhador, eu gosto, ele corre atrás. Ele tem que tentar se controlar em alguns momentos, às vezes não é fácil, eu sei disso pessoalmente. Mas podemos tirar totalmente a razão dele? Me desculpem, mas não dá para tirar, não. É uma situação de pressão, é difícil - comentou''.

Após uma fase mais ''light'', assim que assumiu a equipe do Palestra Itália, o tricampeão brasileiro voltou a adotar a cara fechada e o estilo 'ranzinza', notórios nos tempos de São Paulo. Já o campeão olímpico é conhecido pelas cobranças calorosas à beira de quadra e pelo jeito 'durão' com seus comandados e comandadas. Ambos já tiveram rusgas com a imprensa, mas isso, na opinião de Bernardinho, é justificável.

''Dependendo da partida, às vezes você não está com tanta paciência para explicar como as coisas acontecem. É importante que as pessoas entendam que tem que ter conteúdo e boa intenção. Às vezes querem criar um pouquinho de clima também, não é? Isso acontece. E quando o cara daqui (referindo-se aos jogadores e técnicos) não tem paciência com o cara daí (referindo-se aos jornalistas), o daí já cria um problema sério, e o daqui não tem esse direito, pois a gente não escreve todo dia, nem fala todo dia. É complicado - disse''.

Bernardinho também citou o técnico Dunga como exemplo neste relacionamento entre esportistas e jornalistas. O ex-levantador acha difícil deixar para trás certas críticas e acusações, ainda mais no caso do técnico da seleção brasileira de futebol, que 'apanha' desde os tempos de jogador.

''Eu digo que quem bate esquece, quem apanha não esquece nunca. Ninguém apanhou tanto nesse país que nem o Dunga. Agora querem ser simpáticos? Ele tem que ser correto, não tem que ser simpático. Se ele for entrevistado, ele tem que falar, pois a função dele exige isso, mas ele não tem que ser simpático com quem o apedrejou lá atrás, em 90 (referindo-se à Copa do Mundo), quando ele foi visto como Judas - encerrou''.

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