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Fabiana Murer está ansiosa para a estréia olímpica

Fabiana Murer está ansiosa para a estréia olímpica

Atualizado: Quarta-feira, 30 Julho de 2008 as 12

Em entrevista, saltadora paulista fala sobre expectativa para Pequim, a carreira e a vida pessoal

A duas semanas do início dos Jogos Olímpicos de Pequim, a saltadora Fabiana Murer participou do GP de Estocolmo, na Suécia, esta semana e segue nos próximos dias para Macau, na China. Nesta estrevista, a atleta fala sobre a infância, a paixão pela ginástica artística ? praticou a modalidade para valer durante nove anos - "Até a hora que eu estava crescendo muito rápido, ficando alta e vi que não tinha mais futuro". Na China, a garota de Campinas fará a estréia em Olimpíadas e não esconde a ansiedade. "Fico imaginando o estádio lotado e eu na competição. Sei que vou estar um pouco nervosa".

Ela conta ainda sobre os tempos de estudante, é formada em Fisioterapia, e a vontade de seguir a carreira. "Depois que eu me aposentar no salto com vara". Fã do ucraniano Sergei Bubka, recordista mundial e campeão olímpico, Fabiana encara uma rotina dura de treinamento, o que a obriga adotar um estilo de vida "mais light". Na entrevista a seguir ela também fala sobre vaidade e sonhos.

Como você começou no atletismo?

Fabiana Murer: Nasci em Campinas e com sete anos comecei a fazer ginástica artística. Minha mãe resolveu me colocar na ginástica porque eu tinha umas amigas na escola que faziam. Desde o começo foi super fácil, e eu logo passei para uma equipe intermediária. Foi muito rápida essa evolução e me dediquei um longo tempo à ginástica, até meus 16 anos. Até que uma hora, comecei a ver que estava crescendo muito rápido, ficando alta e vi que não tinha muito futuro na ginástica. Eu era uma das melhores ginastas lá de Campinas, mas sabia que não ia conseguir evoluir muito mais. Comecei também a ter dificuldades, quando ia fazer exercícios a barra assimétrica, quase batia o pé no chão. Na trave eu desequilibrava bastante. Eu queria fazer outro esporte, mas não sabia exatamente o que. Minhas irmãs faziam natação, fui tentar fazer também, mas achei muito chato, não tinha muita paciência.

Depois de um tempo meu pai viu um anúncio no jornal, onde estavam montando uma escolinha de atletismo em Campinas. Ele falou: "Ah vai lá fazer, né? Você não quer parar a ginástica?". E como eu queria continuar essa carreira de esportista, fui fazer o teste. Nunca pensei em fazer salto com vara, pensava em fazer corrida ou salto em distância. Fiz o teste que era corrida e salto em distância, fui superbem e o Elson, meu técnico até hoje, era um dos treinadores que estava selecionando os atletas. Ele viu meu biotipo, viu que eu fui bem no teste e foi conversar comigo. Quando eu disse que fazia ginástica, ele já me indicou o salto com vara, não tive muita escolha. Mesmo assim, no primeiro ano eu fiquei meio em dúvida ainda se largava mesmo a ginástica e me dedicava realmente ao atletismo. Depois de um ano de treino, consegui fazer o índice para o mundial juvenil. A partir daí, percebi que levava jeito pro salto com vara. Aí eu larguei a ginástica de vez e fiquei só no salto com vara.

Você conseguiu conciliar o esporte com os estudos?

Fabiana Murer: Fiz Faculdade, sou formada em fisioterapia. Consegui conciliar a faculdade e os estudos e me formei. Acho que se fosse hoje em dia seria muito difícil fazer Faculdade. Eu viajo e acabo ficando dois, três meses fora. Acho que é a carreira que eu quero seguir depois que eu me aposentar no salto com vara, fazer uma nova carreira como fisioterapeuta.

O que significa para você participar de uma Olimpíada?

Como atleta sempre tive um grande sonho: estar numa Olimpíada. E agora está quase realizado. Fui classificada para Pequim e estou muito ansiosa. Fico imaginando o estádio lotado e eu na competição. Sei que vou estar um pouco nervosa, principalmente, na prova eliminatória, porque você tem que passar por aquilo para poder chegar à final. Quero fazer um salto com uma boa técnica e acho que a medalha é conseqüência. Sei que é bem difícil essa medalha, mas não é impossível. Eu sonho com isso.

Qual a importância do equilíbrio psicológico na hora da competição?

Fabiana Murer: Acho que o lado psicológico é muito importante, principalmente no salto com vara que é uma prova onde você fica muito tempo dentro da pista, vendo as outras saltarem. E não é como um salto em distância ou um lançamento, onde você lança ou salta o mais longe que puder. No salto com vara você tem uma certa altura para saltar e não importa se salta 10 ou 20 centímetros a mais, isso não vai contar pontos. O sarrafo tem que estar na altura certa, então acho que o psicológico conta bastante em relação a isso. Acho que o atleta tem que saber controlar e trabalhar isso. Meu técnico acaba me ajudando bastante porque ele tenta me preparar, me dizer o que vou sentir o que esperar na competição. E isso tem dado certo, ele me ajuda bastante.

Foi difícil se adaptar ao novo estilo?

Fabiana Murer: Em 2001 eu e meu técnico começamos a fazer um intercâmbio com o Vitaly Petrov que foi técnico do Sergei Bubka e que hoje treina a Yelena Isinbayeva, os dois recordistas mundiais. E logo no início, ele mudou totalmente minha técnica, como eu segurava a vara, como eu abaixava, como eu corria. Então, foi um período muito difícil porque na época eu era recordista brasileira e quando a comecei a fazer essa técnica dele, meus resultados começaram a decair bastante. Eu via as outras brasileiras saltando mais do que eu, batendo o meu recorde, foi bem difícil. Levei dois anos para me adaptar a essa nova técnica e consegui bater o recorde brasileiro outra vez. A partir daí, comecei a crescer, melhorar meus resultados e agora consegui o índice para Olimpíada.

Você ainda tem tempo para praticar outros esportes?

Fabiana Murer: Eu ainda pratico a ginástica artística, só que é para ajudar no salto com vara. Quando estou de férias, gosto de escalar indoor, na academia. Eu preciso manter a forma. Acompanho muito a ginástica artística e o vôlei também.

O que você acessa na internet?

Fabiana Murer: Acho importante acompanhar as notícias, principalmente do esporte. Acesso bastante os portais da Federação Internacional de Atletismo e da Confederação Brasileira de Atletismo para ver como andam as outras competidoras, o quanto que elas estão saltando. Para me comunicar com fãs e amigos, uso Orkut e o MSN. Muitas pessoas, principalmente depois do Panamericano, começaram a acessar meu perfil, com algumas dúvidas sobre o salto com vara, minha carreira, que competições eu vou fazer etc. Mais pra frente, quero criar meu próprio site.

Você já pensou como será a sua vida depois do salto com vara?

Fabiana Murer: Eu já comecei a pensar no que vou sentir quando parar. Acho que realmente vai ser duro terminar, mas acho que isso é normal. Chega uma hora que acaba não dura para sempre. Por isso, já fiz Faculdade, penso em uma outra carreira. Mas, por enquanto, quero curtir bastante essa boa fase que estou.

Postado por: Myrian Rosário 

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