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Fábregas: 'Arsenal deve tomar uma decisão: ganhar ou formar jogadores'

Fábregas: 'Arsenal deve tomar uma decisão: ganhar ou formar jogadores'

Atualizado: Terça-feira, 19 Abril de 2011 as 3:44

Cesc Fábregas ainda está muito feliz no Arsenal, mas não nega que a falta de títulos o incomoda. Enquanto os rumores sobre uma possível saída crescem – o Barcelona, clube onde atuou na base, é o principal candidato a levá-lo no meio do ano –, o meio-campista espanhol mostrou mais uma vez estar com a cabeça no lugar. Símbolo da maturidade dos Gunners aos 23 anos, ele contestou a filosofia  implementada pelo técnico francês Arsene Wenger, no comando do clube desde 1996. Comprar e formar jovens jogadores é mais importante do que um troféu?     – Suponho que para os presidentes isso seja importante. Mas ainda imagino que haverá um momento em que terá que dar o passo... Ou ganhar ou não ganhar. Você se diverte, durante uma fase do campeonato, como este ano, por exemplo, quando estávamos em quatro competições diferentes. E dizia: eu tenho tudo isso! Mas logo falta esse ponto final e aqui é onde se tem que tomar uma decisão: ou ganhar ou formar jogadores – disse Fábregas, em entrevista à revista espanhola “Don Balón”.

O camisa 4 não fugiu das perguntas. Ainda afirmou não ter se arrependido de ter deixado o Barcelona, hoje vencedor e colhedor dos frutos de sua geração, tão jovem. Confira os melhores trechos da entrevista abaixo, em tópicos:

Fábregas é capitão e 'dono do time' aos 23 (Getty)

Arsenal, um time eternamente jovem?

Acredito que o sucesso está em uma boa combinação. Por isso eu me sinto muito feliz por ter jogado no grande time que comecei, campeão invicto em 2004. Eu estava sozinho com Van Persie e íamos crescendo e assistindo aos nossos ídolos como Henry, Bergkamp, Vieira. Aprendemos com os melhores. Agora é diferente, porque todos nós somos jovens demais para ter uma pessoa que diga: “Uau”.

Espelho para os jovens

Eu só tenho 23 anos e é importante lembrar. Comecei tão cedo que pareço que tenho 27 ou 28 anos. Então você olha e vê que eu tenho um longo caminho a percorrer. Por isso tive muita sorte. Agora é mais complicado. Se colocassem o Wilshere no time que eu jogava antes... Seria diferente. Não digo que seja nem melhor nem pior. Antes havia referências, jogadores vencedores, fortes e aprendia mais rápido jogando com eles.

Culpado por seguir no Arsenal?

Parece que se eu não der um passo agora não vou dar nunca mais. Tenho 23 anos e se vou embora neste verão terei 24. Se for no outro, terei 25, e depois 26... 27! As coisas têm que ser levadas com paciência e há de se esperar o momento oportuno. O dia que deixar o Arsenal será com a cabeça. Além disso, quem me assegura que vou jogar no meu novo time? Ou talvez não evoluir. Aqui tenho a sorte de, apesar de não ganhar muito, ficar mais forte. Falo com Puyol e ele me disse que até os 26 anos não ganhou nada... O Puyol, que já ganhou tudo no mundo do futebol! A paciência e o trabalho são o mais importante na vida.

Arsène Wenger pouco questionado   Agora é mais fácil entender por que estou há muitos anos aqui. Mas está claro que se você vem da Espanha e diz a Guardiola e Mourinho que estarão três anos sem ganhar nada está claro que não vão te seguir. Mas aqui é diferente, o treinador é uma pessoa inteligente e o clube valoriza outras coisas: que a equipe sempre esteja na Liga dos Campeões, que lute até o fim, que compre gente jovem, a estabilidade econômica. Suponho que para os presidentes isso seja importante. Mas ainda imagino que haverá um momento em que terá que dar o passo... Ou ganhar ou não ganhar.

Sem títulos, mas com um futebol plástico

É verdade. Quando comecei ganhamos a Copa da Inglaterra e logo chegamos à final da Champions. Essa não levamos, mas você pensa: é a primeira vez que este clube chega a uma final de Liga dos Campeões, que já jogaram milhões de jogadores aqui e fomos nós que conseguimos. Mas a partir de 2007 eu comecei a dizer aquilo de “não ganhamos, mas jogamos muito bem”. E depois se dá conta de que não serve. Diverte-se, durante uma fase do campeonato, como este ano, por exemplo, quando estávamos em quatro competições diferentes. E dizia: eu tenho tudo isso! Mas logo falta esse ponto final e aqui é onde se tem que tomar uma decisão: ou ganhar ou formar jogadores.

Torcedor do Barcelona levou cartaz para Fábregas no confronto contra o Arsenal pela Champions (EFE)

  Ida para o Chelsea?

Não irá acontecer. Se um dia eu deixar o Arsenal nunca será para outra equipe inglesa. Pode ter certeza.

Aliciamento de jogadores da base   Isso acontece no mundo inteiro. Eu fui o primeiro, sim, mas houve outros casos. O Manchester United também levou o Piqué. O único que está claro é que no Barcelona há jovens da base muito bons que podem chegar a jogar no time principal, 60% provavelmente. Mas nem todos vão o fazer no Barcelona e alguns jogadores estão conscientes disso.

No primeiro time do Barcelona chegam os privilegiados: os Xavis, os Puyols. E então há os superprivilegiados, como Busquets e Pedro, que ganharam na loteria. Eles trabalharam, mas chegou um treinador que disse: “Amanhã você joga”. Isso não acontece muito. Eu tenho muitos amigos que ainda estão no Barça B, como Victor Vázquez. Acredite em mim, alguns ainda eram melhores do que eu. Mas você tem que escolher. Cada um encontra o seu caminho.      

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