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Família apela para o sentimentalismo por volta de Túlio Tanaka ao BR

Família apela para o sentimentalismo por volta de Túlio Tanaka ao BR

Atualizado: Quinta-feira, 15 Dezembro de 2011 as 10:29

Túlio Tanaka, brasileiro naturalizado japonês, na

mira do Botafogo (Foto: Getty Images)   Neto de japoneses, Marcus Túlio Tanaka se transformou em personagem corriqueiro no futebol mundial. Nascido no Brasil, foi para o Japão estudar e jogar futebol aos 16 anos de idade. Tanto tempo fora do país fez sua família apelar para o lado sentimental na tentativa de trazê-lo de volta. Sua mãe Maderli sofre intensamente de saudade do filho, que está na mira do Botafogo e desembarca em São Paulo sexta-feira.

A família de Tanaka mora em Palmeira D’Oeste, terra natal do jogador, no interior de São Paulo. A aposta é que, apesar do contrato com o Nagoya Grampus ir até o fim de 2012, desta vez ele voltará ao Brasil para ficar mais perto dos pais, que sonham vê-lo defendendo a seleção japonsea na Copa do Mundo de 2014.

- O Japão é muito longe. A gente sente demais isso. O telefone tem que tocar todo dia aqui em casa para a gente falar pelo menos um pouquinho com ele. Ele está tanto tempo distante e queria que estivesse mais perto. Não tivemos convívio familiar, pois o Túlio foi embora muito jovem. Se ele jogar a Copa de 2014, será uma felicidade, uma surpresa muito agradável – comentou Paulo Tanaka, pai do jogador.

Um dos maiores incentivadores da volta de Túlio para o Brasil é o tio Cláudio Tanaka, que mora no Rio de Janeiro. Ele é pai de duas filhas, que também jogam futebol e gostariam de acompanhar o primo de perto. Afinal, trata-se de um jogador com uma Copa do Mundo no currículo.

- O tio dele sempre fala para ele ir jogar no Rio. Pelo menos, é mais perto que o Japão – brincou Paulo. – Não é que o Túlio esteja insatisfeito, mas queremos torcer por ele mais de perto.

Orgulhoso pelo currículo do filho, eleito seguidas vezes para a seleção dos melhores da J-League, Paulo só fica chateado ao falar sobre um lance que marcou a carreira de Túlio. Pouco antes da Copa do Mundo de 2006, num amistoso com a Costa do Marfim, chocou-se com Drogba, que se machucou na jogada.

- Fiquei muito triste, pois ele nunca foi violento, não tem isso no currículo. Nunca havia feito nada para denegrir sua imagem. A repercussão foi ruim para ele. Não passou de um lance normal de jogo. O Drogba e o técnico da Costa do Marfim reconheceram isso. Ele acabou fazendo uma boa campanha na Copa do Mundo de 2010 – comentou Paulo, lembrando que o Nagoya conquistou o primeiro título nacional no ano passado, o de estréia do seu filho no clube.

Por incrível que pareça, houve dúvida na família Tanaka sobre a naturalização do filho. Na época, Maderli foi contra, mas acabou sendo convencida. Em 2004, quando o processo terminou, entrou na lista de convocados para a Olimpíada de Atenas e ficou decepcionado quando ficou fora da Copa do Mundo de 2006. Zico era o técnico do Japão.

- Quando ficou fora, queria até vir embora e largar tudo. Eu disse que deveria continuar. Acho que ele nunca falou com o Zico diretamente. O Túlio é muito reservado e não fala sobre os problemas. A gente sabe quando ele está chateado, ma sempre diz para deixarmos como está, que vai dar um jeito. Só depois soube de uma declaração do Zico dizendo que nunca chamaria o Túlio. Mas não ouvi isso – contou Paulo.

Como todo pai, ele procurou incentivar Túlio no começo de sua carreira. Depois de tentar a sorte no Brasil e não conseguir emplacar, embarcou no sonho japonês. Nem mesmo Paulo acreditava que pudesse chegar aonde está hoje, com prestígio internacional, jogando na seleção.japonesa.

- As coisas já estavam escritas. Ele chegou a treinar no Cruzeiro, com Fábio Júnior e Geovani. O técnico era o Ney Franco. Ficou 40 dias, mas depois não foi chamado. Treinou no Mirassol e, então, veio o convite do Japão. Não achava que seria dessa forma. Imaginei que fosse estudar e jogar num time e ponta, mas não com tanto sucesso – revelou Paulo.          

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