MENU

Goleiro lembra drama de Robson Costa: "Ele queria que eu arrancasse a madeira"

Goleiro lembra drama de Robson Costa: "Ele queria que eu arrancasse a madeira"

Atualizado: Quarta-feira, 10 Março de 2010 as 12

Aos três minutos de partida contra o Palmeiras Jundiaí, Robson Costa, do Clube Atlético Deportivo de Guarapuava, deu um carrinho para tentar evitar um lance de perigo do adversário. Perto do local, o goleiro e capitão do time, Flavio Araújo, o Brigadeiro, viu quando o companheiro gritou de dor e logo percebeu que o problema era sério. Foi o primeiro a pedir ajuda quando notou a lasca de madeira do piso do ginásio atravessada na coxa de Robson, que, consciente, chegou a fazer um pedido ao amigo.

- Eu estava bem perto do lance, dentro da área. Eu sabia que a lesão era grave, mas não do jeito que foi. Ele conversou comigo, tanto que me pediu para que eu mesmo arrancasse a madeira, para aproveitar que o sangue estava quente. Quando foi levado para o hospital, pediu para que a gente ganhasse o jogo – afirmou o goleiro.

Depois de passar por cirurgia, Robson não resistiu e acabou morrendo na manhã de domingo, por volta de 7h. Amigo do jogador há cinco anos, quando se conheceram no time de São Miguel do Iguaçu, Brigadeiro fala com carinho do companheiro.

- O futsal tem as características completamente diferentes das do futebol, até pela questão salarial. No futsal, depois de um tempo, todo mundo se torna amigo, companheiro. E o Robson era exatamente isso. Era muito dedicado, fazia faculdade, trabalhava em dois períodos. Tinha um caráter indiscutível. Era brincalhão, mas também um pouco tímido com pessoas que ele não conhecia direito.

Supervisor do time de Guarapuava, Jose Valter Liberato se diz surpreso até agora com a morte de Robson. O dirigente afirma que, em quadra, todos achavam que o lance com o jogador havia sido grave, mas não tanto quanto acabou se mostrando. Ele chegou a pensar que se tratava apenas de uma lesão muscular, já que a lasca havia atravessado a coxa do atleta. Liberato só teve exata noção do fato após a cirurgia.

- Tão logo terminou a partida, fui para o hospital. Estava preocupado, mas não imaginava que fosse tão grave. Quando a cirurgia terminou, por volta de 2h da manhã, foi que o médico nos falou da gravidade. Mas tentei tranquilizar os jogadores, que já estavam em maioria no hospital, sem esconder o que havia acontecido e dizendo que toda cirurgia tem um risco, e que aquela não era diferente. Procurei um por um para conversar, e todos fizemos uma vigília, tentando passar uma energia positiva para o Robson - disse.

Os jogadores da equipe de Guarapuava retornam aos treinos nesta quarta-feira, depois de dois dias de descanso. Liberato afirma que, daqui para frente, o time deverá saber se comportar com a perda do companheiro.

- Logo depois da morte do Robson, eu liguei para a Federação para alertar que seria complicado jogar no sábado ( a equipe estrearia no Estadual de futsal nesta data, contra o Paraná ). Aí, foi um pedido nosso para que adiassem os jogos, até para tentar recuperar os jogadores. Por isso, a gente resolveu dar mais um dia de descanso. Não sabemos como vai ser. Vamos ter que dividir o coração com a razão. Só no dia a dia para ver como vai ficar.

Depois da morte de Robson, os dirigentes do clube pediram à família do jogador para que um primeiro velório fosse feito na sede da equipe, para que torcedores e amigos pudessem se despedir. Lá, entregaram uma camisa autografada por todos os atletas para a mãe e para a noiva do antigo companheiro. Liberato afirma que o clube planeja outras homenagens, mas Brigadeiro diz que a melhor forma de lembrar de Robson é se empenhando ainda mais em quadra.  - Acho que a maior homenagem é dar continuidade ao trabalho. Ele amava aquilo que fazia. Ao sair de quadra naquele dia, tudo o que ele pedia era que a gente vencesse o jogo. Então, acho que, se a gente parasse, ele não ficaria feliz.

Capitão do time, Brigadeiro sabe que tem papel fundamental na recuperação dos jogadores. Assim como Liberato, no entanto, acredita que eles terão equilíbrio necessário para se manter em pé.

- Eu converso muito com os jogadores, e acho que os meninos me escutam. Saudade, a gente vai ter sempre. Mas todos têm família por trás para ajudar também. Temos que levantar a cabeça e continuar trabalhando. Precisamos ter equilíbrio. Claro que vamos ter sempre a imagem dele na cabeça, mas vamos ter de executar nosso trabalho da melhor maneira.

Com a interdição provisória do ginásio Joaquim Prestes, o Guarapuava perdeu também o seu local de treinos e jogos. Liberato explica que existem opções na cidade, mas que o retorno ao local onde Robson se feriu vai acontecer naturalmente.

- Mesmo sendo complicado, nós vamos voltar. É a nossa casa, onde nós mandamos nossos jogos. Então, assim que liberarem, voltaremos para lá.

Por: João Gabriel Rodrigues

veja também