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Grêmio perde em casa, mas conquista o Gauchão

Grêmio perde em casa, mas conquista o Gauchão

Atualizado: Domingo, 2 Maio de 2010 as 6:09

Doce derrota. Derrota de lamber os beiços. Insucesso de campeão. Pouco importa que o Grêmio tenha perdido o Gre-Nal deste domingo por 1 a 0. Gremista algum vai dar importância a um simples placar diante do fato mais definitivo, diante de uma certeza que ninguém vai conseguir apagar: o Tricolor, com humildade e futebol, bom de pé, cabeça e coração, é o grande campeão gaúcho de 2010.

O Tricolor fez valer o resultado do primeiro jogo, a vitória de 2 a 0 no Beira-Rio. Em casa, diante da torcida, levou 1 a 0 do Inter, com gol de Giuliano. E foi campeão mesmo assim, quebrando um jejum que incomodava a torcida azul desde 2007. O Rio Grande do Sul pertence ao Grêmio pela 36ª vez. O Colorado segue na frente no histórico estadual, com 39 conquistas.

O título solidifica o trabalho de Silas, que chegou a correr riscos de demissão Ao Inter, resta o consolo de ter vendido caro o resultado. Na quinta-feira, a equipe de Jorge Fossati tenta avançar às quartas de final da Libertadores. Precisa vencer o Banfield por 2 a 0 ou três gols de vantagem. O Grêmio, um dia antes, tenta confirmar presença nas semifinais da Copa do Brasil. Basta um empate contra o Fluminense no Olímpico.

Avisou e cumpriu: Inter mete pavor no Grêmio com gol cedo

Se corre, o bicho pega; se fica, o bicho come. O que o Inter mais queria era fazer um gol cedo, ainda no primeiro tempo, para deixar o Grêmio assustado, sem saber direito o que fazer da vida: ou atacar e correr o risco de levar mais um no contra-ataque, ou se defender e conviver com o perigo de ser pressionado. O Colorado avisou que pretendia meter pavor no rival. E conseguiu. Com nove minutos, pulou na frente.

O Inter foi a campo ainda mais modificado do que o previsto. Não bastassem as ausências de Sorondo, Guiñazu, D’Alessandro e Alecsandro, o técnico Jorge Fossati optou por colocar Bruno Silva na direita, com Nei no banco, e montar o time no 3-5-2, com Ronaldo Alves na zaga e Andrezinho na reserva. Apenas seis titulares absolutos foram a campo. E não é que deu certo?

Deu certo por alguns fatores. Primeiro, porque Giuliano jogou muito. Segundo, porque o setor ofensivo gremista não funcionou. Terceiro, porque o time de Silas não teve Mário Fernandes. E o guri é uma ausência das mais fortes. O quarteto defensivo azul teve três jogadores que ou têm deficiência técnica, ou ainda precisam ser testados: Edílson, Ozeia e Neuton. O Colorado soube aproveitar.

Era um jogo pegado, de correria, com divididas de sair faísca quando o Inter marcou seu gol. O lance nasceu em cruzamento da esquerda. Victor subiu mais alto e espalmou a bola para fora da área. Ela caiu nos pés de Giuliano. O meia dominou, mirou o canto esquerdo do goleiro gremista e mandou o chute. O ídolo tricolor foi batido pela promessa colorada. A bola entrou. Gol do Inter!

O Grêmio não fez um bom primeiro tempo. Não teve a aproximação, o tabelamento e a criatividade de outros jogos. Mesmo assim, ameaçou. E aí Pato Abbondanzieri abriu as asas para fechar o gol colorado. Ele fez cinco defesas na etapa inicial: uma em pancada de Edílson, duas em cabeceios de Rodrigo e Borges, outras duas em conclusões com os pés dos mesmos atletas.

O Inter ameaçou menos, mas assustou o adversário. Aos 21 minutos, Taison e Glaydson tabelaram pelo meio e acionaram Walter, que recuou para Giuliano. O meia, melhor figura do primeiro tempo, bateu colocado. A bola raspou o travessão de Victor. Em cruzamento para a área, os zagueiros tricolores se desentenderam, bateram boca, quase brigaram. Foi um sinal de que não reinava tranquilidade no setor.

Grêmio melhora, controla o jogo e conquista o título

O Grêmio voltou diferente. E melhor. Com Hugo no lugar de Leandro, o Tricolor foi um time mais intenso na largada da etapa final. Silas permitiu que sua equipe fosse ao ataque, sem medo das respostas coloradas. A bola circulou pelo campo de defesa do Inter. E quase foi parar dentro do gol de Abbondanzieri.

Aos seis minutos, o Olímpico viveu a expectativa do gol que poderia confirmar o título para o Grêmio. Douglas lançou a bola em profundidade, às costas do zagueiro Ronaldo Alves. Borges recebeu e ficou frente a frente com o goleiro colorado. O chute cruzado, de canhota, encontrou a rede, mas por fora. Quase. Hugo, dez minutos depois, cabeceou livre. A bola tocou o chão e encobriu o gol. Não entrou por detalhes.

O Inter precisava cumprir tarefa dupla: controlar o ataque azul e ir à frente. Aos 14, após escanteio, Walter desviou de cabeça e Bolívar, na frente de Victor, não conseguiu alcançar. O Grêmio respondeu. Jonas, aos 21 minutos, obrigou Abbondanzieri a operar novo milagre. O chute foi de muito perto, de frente, daqueles moldados para entrar. E não entrou.

O resto foi espera, expectativa, unhas roídas. O tempo voou para os colorados. E andou a passos de tartaruga para os gremistas, O Inter ainda perdeu a cabeça e teve Taison expulso por pancada em Jonas. O time de Silas soube controlar o rival. Com a torcida enlouquecida, não teve jeito para o rival. O Grêmio é, com toda a justiça, o campeão gaúcho de 2010.

Por: Alexandre Alliatti e Richard Souza

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