MENU

Guarani aposta em goleiro-artilheiro para derrotar a Ponte Preta

Guarani aposta em goleiro-artilheiro para derrotar a Ponte Preta

Atualizado: Sábado, 16 Julho de 2011 as 8:37

O relógio marcava 40 do segundo tempo, quando o árbitro Heber Roberto Lopes assinalou falta para o Guarani. Jogando em casa, a equipe de Campinas perdia por 2 a 0 para o ABC e se aproximava da quarta partida consecutiva sem fazer gols. Do outro lado do campo, Emerson olhava para o banco de reservas e pedia para fazer a cobrança. Sinal verde do técnico Giba, e lá foi ele.

Ajeitou a bola com carinho, deu três passos para trás e... Pronto: estava quebrado um jejum de 440 minutos sem gols. Apesar do resultado negativo, surgia uma nova esperança para a torcida. Além de garantir ali atrás, poderia decidir lá na frente (veja o lance no vídeo acima) .

Acúmulo de funções que não parecem incomodar o goleiro. Pelo contrário. Desde a infância, ele está acostumado a lidar com isso. Em Rancharia, sua cidade-natal, a cerca de 500 quilômetros de São Paulo, conciliava estudo e trabalho desde os 11 anos. Era entregador de leite.

O futebol, uma paixão antiga, só surgiria na vida de Emerson em 2000, aos 18. Começou na Portuguesa Londrinense, onde atuava em três posições diferentes.

- Brincava que tinha o time cascudo e o time titular. No cascudo, eu jogava como lateral e volante. Mas no titular queriam que eu ficasse no gol. Foi quando comecei a gostar de jogar na posição.

No início da carreira, Emerson jogava no gol e na linha (Foto: Gustavo Tilio / GLOBOESPORTE.COM)

  Mesmo se firmando como camisa 1, desde o time de juniores, mantinha essa obsessão por cobrar faltas.

- Morava no alojamento do clube. Não tinha pressa para ir embora. Então, procurava me aperfeiçoar. Treinava faltas e batia tiro de meta com a perna esquerda.     Os treinos até o primeiro gol de falta duraram 11 anos. Neste período, passou por Iraty-PR, XV de Jaú-SP, Toledo-PR, Atlético Ibirama-SC, Paulista-SP e União São João-SP. Em nenhum deles, teve chance de mostrar sua habilidade aos técnicos. No próprio Guarani a oportunidade demorou a aparecer.

- Normalmente, os treinadores vetam. Só deixam os jogadores de linha. Precisei brincar com o preparador de goleiros (Vander Batistella), dizer que cobrava falta e mostrar a ele que tinha um bom aproveitamento. Ele falou com o Vilson Tadei (ex-técnico), que gostou e me deu liberdade. O mesmo aconteceu com o Giba, que elogiou a minha iniciativa.

Treina cerca de 70 faltas por dia. Mesmo com tantas repetições, as chances nas partidas ainda são escassas. Na Série B, além do gol diante do ABC, Emerson realizou apenas mais uma cobrança: frente o Vila Nova, na oitava rodada, quando acertou a barreira.

Emerson é esperança de gols no dérbi campineiro 

(Foto: Gustavo Tilio / GLOBOESPORTE.COM)

  As raras oportunidades não são motivo para lamentações. Ele sabe que sua prioridade é defender. O Guarani, apesar de estar na zona de rebaixamento, tem bom desempenho e sofreu 13 gols em dez jogos, um a mais que a líder Portuguesa. Emerson já se diz contente com o simples fato de ter conquistado esse direito, algo impensável há alguns anos no futebol brasileiro. Por isso, agradece a um jogador em especial.

- O Rogério Ceni deu a cara para bater e iniciou isso no Brasil. Até então, goleiro era só para defender e não precisava jogar com os pés. Hoje o futebol é diferente e você tem de saber sair jogando. Queira ou não, ele abriu as portas para mostrar o que podemos fazer.

No dérbi deste sábado , o goleiro tem uma nova chance de ajudar a tirar o Guarani desta situação incômoda no campeonato. Se fizer gol, de preferência o da vitória, pretende mostrar algo diferente em relação ao jogo com o ABC: uma comemoração especial.

- Vou ser bem sincero. No último jogo, meu pensamento era pegar a bola, colocar no meio e correr para tentar o empate. Mas na hora, por ser meu primeiro gol e em um clube de expressão como o Guarani, fiquei sem saber o que fazer. Agora vamos bolar uma comemoração definitiva.            

veja também