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Guga no topo: o melhor jogo da vida e, enfim, o novo número 1 do mundo

Guga no topo: o melhor jogo da vida e, enfim, o novo número 1 do mundo

Atualizado: Sexta-feira, 3 Dezembro de 2010 as 3:18

Uma séria lesão, um retrospecto apenas mediano em quadras duras e cobertas, uma equação matemática trabalhosa, adversários do nível de Andre Agassi e Pete Sampras... Tudo levava a crer que Gustavo Kuerten deixaria a Masters Cup de Lisboa, no ano 2000, na vice-liderança do ranking.

Mas o catarinense nunca foi de desistir rápido de seus objetivos. E naquele domingo, dia 3 de dezembro, exatos dez anos atrás, seu maior objetivo, o topo do ranking mundial, estava ao alcance de seus saques, forehands, backhands, slices e voleios.

Bastava uma vitória sobre Andre Agassi. Tarefa ingrata, sim, mas que já não parecia improvável. Nos últimos três dias, afinal, Guga havia derrotado Magnus Norman, Yevgeny Kafelnikov e Pete Sampras. Faltava um jogo, contra o mesmo americano que o derrotou na primeira partida daquela semana mágica. Então bicampeão de Roland Garros, o brasileiro viu a chance, agarrou-a com toda a força e fez, naquele domingo, o melhor jogo de sua vida.

E a vitória veio com um triplo 6/4 em 2h06m, com 19 aces executados e sete break points salvos, sem ceder uma quebra. Sem deixar Agassi, ex-número 1 do mundo, respirar. Guga, enfim, chegava ao topo do mundo.

- Eu diria que esse jogo, abreviando, foi a melhor performance que tive como profissional. Analisando toda a figura, lidar com tudo aquilo que requer a situação, foi o maior rendimento que eu tive, não tenho dúvida. Ali eu tinha ainda algumas incertezas, mudanças recentes no meu estilo de jogo naquela quadra, uma restrição física... Tinha o lance de enfrentar caras como Agassi e Sampras naquele piso, em que eu nunca tinha ganhado torneio e ainda era algo angustiante para mim... Para ser número 1 do mundo, lidar com essa expectativa, jogando contra esse nível de caras, não dando nenhuma oportunidade... Para traduzir, foi um planejamento de A a Z, e consegui executar todas as tarefas em grau 9, 10. Foi muita eficácia de todas as formas - lembra Guga, que recebeu o GLOBOESPORTE.COM na sede de sua empresa, em Florianópolis, para lembrar momentos da conquista em Lisboa.

O jogo não teve o mesmo aperto da semifinal contra Sampras, mas só porque o brasileiro jamais permitiu que Agassi equilibrasse as ações. O americano admitiria isso na coletiva, logo depois.

- Acho que tive oito, dez break points, e ele (Guga) só errou um primeiro saque. Acho que só coloquei uma dessas bolas em jogo. Agora, acho que deveria ter sido muito mais agressivo, mas isso tem muito a ver com ele. Ele assumiu a liderança e executou bem. O backhand dele estava vindo fora da minha zona de conforto - avaliou.

Vitória garantida, Guga se tornava o primeiro brasileiro número 1 do mundo no tênis. Após um cumprimento sincero de Agassi, o brasileiro só teve o que festejar. Começou com o microfone na mão. Pela primeira vez falando em português ao ganhar um torneio de grande porte fora do país, o catarinense quebrou o protocolo e deu um abraço na "mãe número 1 do mundo", dona Alice.

No vestiário, estourou champanhe ao lado da família e do técnico Larri Passos, virou o líquido no troféu do Masters de Lisboa e bebeu direto da taça. Comeu um bolo no formato de número 1, tomou caipirinha e ainda recebeu uma visita de Agassi, que lhe deu os parabéns mais uma vez. O americano ainda atendeu o pedido de dona Olga, sua fã, que solicitou uma foto.

Fora da arena, família e amigos íntimos comemoraram junto em um jantar para cerca de 15 pessoas. "Foi muito low profile", conta Diana Gabanyi, sua assessora de imprensa na época. Para o irmão, Rafael Kuerten, a janta tinha outro clima.

- O jantar, num restaurante bacana, para mim já parecia final de festa. A adrenalina foi tão alto que aquele momento ali, dentro do vestiário, foi a grande comemoração.

No dia seguinte, Guga já não era encontrado em Lisboa. Cedinho, sem tempo de um último alô para a família, que ainda dormia, o tenista embarcava para o Havaí...

No dia 11, Guga e Andre Agassi se enfrentarão em uma partida comemorativa, no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.

Por: Alexandre Cossenza

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