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Hugo Pessanha fica dividido entre lealdade ao Exército e lesões

Hugo Pessanha fica dividido entre lealdade ao Exército e lesões

Atualizado: Terça-feira, 19 Julho de 2011 as 12:50

O sargento Hugo Pessanha foi chamado de última hora para defender o Brasil no judô nos Jogos Mundiais Militares do Rio de Janeiro. O carioca veio substituir o lesionado Tiago Camilo, cortado na véspera da cerimônia de abertura. Também lesionado, Pessanha não pensou duas vezes em atender à convocação. A lealdade ao exército falou mais alto. Agora, com uma medalha de ouro por equipes no peito, porém, o judoca volta a pensar em sua saúde antes de afirmar que trará mais medalhas no torneio individual.

Hugo Pessanha foi chamado às pressas para os Jogos Mundiais (Foto: Wagner Meier / Photocamera)

  Fã declarado do militarismo, Hugo Pessanha se alistou no Exército em 2005, muito antes do início do projeto conjunto entre as Forças Armadas e a CBJ. Em 2007, participou da quarta edição dos Jogos e conquistou uma medalha de bronze na Índia. Desta vez, com o alistamento de Tiago Camilo, melhor judoca brasileiro de até 90kg no ranking mundial, Pessanha ficou como reserva, o que parecia ser uma benção, já que o carioca tenta se recuperar de uma lesão na lombar sofrida durante a Copa do Mundo de São Paulo.

Porém, uma lesão no tornozelo tirou Camilo dos Jogos e Pessanha foi convocado. Apesar das dores e do momento de tratamento, o dever à pátria moveu o carioca a se apresentar.

- Essa foi minha maior motivação. Eles me chamaram de última hora e eu estava meio perdido. Mas além de ser uma convocação do Exército, que é uma instituição que eu gosto e abracei para minha vida, é o dever à patria, estar ali representando o Brasil. É o nome do Brasil no judô que está em jogo, não podia deixar essa lacuna. Um outro atleta podia estar menos preparado ainda, não sei nem quem eles iriam chamar, não tem definido um terceiro reserva. Não pensei duas vezes, vou ter que ir sim, dei minha palavra que estaria lá se precisassem, e cá estou eu - contou Pessanha.

O quão eficiente ele pode ser, porém, se tornou a pergunta após a competição por equipes. O carioca acabou sendo desnecessário por quase toda a competição, já que a seleção brasileira venceu três de suas quatro disputas do dia já nas três primeiras lutas da melhor de cinco, tornando as últimas duas dispensáveis - a equipe optou por conceder a vitória e poupar os atletas nessas situações. Quando precisou entrar no tatame para lutar de fato, na semifinal contra a Polônia, Pessanha entrou frio e acabou perdendo por ippon. Rafael Silva, o "Baby", garantiu a classificação brasileira com uma vitória no combate derradeiro.

O carioca não escondeu a decepção com o rendimento abaixo do esperado e admitiu que, se não estiver bem, não vai competir no individual.

- Estou fazendo fisioterapia há dois dias seguidos. Lesão na lombar é complicado, porque não tem como não mexer. Vou conversar com os médicos, vamos ver o que eles acham melhor pra mim. Mas pelo menos a primeira missão já foi cumprida, espero que eu consiga passar bem essa semana, me tratar e competir no individual. A gente precisa pensar também no nosso corpo, nosso instrumento de trabalho. Se eu vir que vai me colocar em perigo, que a lesão pode se agravar, vou me poupar - afirmou.

Mariana Silva, que sofreu torção no tornozelo esquerdo durante a competição por equipes no feminino, também é dúvida na categoria até 63kg. Ela passará por tratamento intensivo nesta terça-feira e será reavaliada.          

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