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Inspirado na manobra do 'Cristo', Bob Burnquist busca o tri

Inspirado na manobra do 'Cristo', Bob Burnquist busca o tri

Atualizado: Quarta-feira, 29 Junho de 2011 as 9:09

Bob voa para conquistar o bicampeonato da

MegaRampa em 2009 (Foto: Divulgação)

  Em duas décadas de carreira, Bob Burnquist nunca se contentou apenas em vencer campeonatos. As competições foram o palco que o carioca radicado na Califórnia encontrou para extrapolar os limites e elevar o nível do esporte. E é isso que ele promete fazer neste fim de semana no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, na terceira edição da MegaRampa. O SporTV vai transmitir as eliminatórias no sábado, e a TV Globo exibe a final ao vivo, no domingo, dentro do Esporte Espetacular.

Pronto para fazer história, o bicampeão mundial de skate vertical e bicampeão da MegaRampa falou com o GLOBOESPORTE.COM sobre a expectativa para um dos eventos mais extremos do skate mundial, o risco de lesões e como superá-las, do futuro da modalidade e, entre outros assuntos, da manobra inovadora inspirada no Cristo Redentor, que ele quer executar em São Paulo. Nada muito complicado para quem já saltou no Grand Canyon, nos Estados Unidos, de skate e aterrizou de paraquedas.

Confira a entrevista completa:

GLOBOESPORTE.COM: Você vai arriscar tudo na MegaRampa 2011?

Eu quero fazer algo novo este ano. Espero fazer manobras diferentes. Na última edição, eu não tive muita constância na execução das manobras, mas quero tentar os mortais. Quero poder em algum momento fazer o Backflip Christ Air (mortal para trás com os braços abertos) e, quem sabe, completar com um 900, que eu sei que todo mundo quer ver. Tudo é possível. O negócio é acreditar. É muito perigoso, mas eu vou tentar.

Em Las Vegas, Bob executa o Backflip Christ Air, a manobra do "Cristo"  (Foto: Divulgação)

  GE.COM: Quem serão seus principais adversários na busca pelo tri?

Este ano deu uma chacoalhada no ranking. Tem muitos atletas de alto nível. No Brasil, tem o Pedro Barros, mas ele me disse que está machucado, o Rony Gomes. De fora, tem o Jake Brown e o Adam Taylor, que tem uma ótima variedade de manobras. Sem contar o brasileiro Lincoln Ueda, que agora ocupa o terceiro lugar no ranking. Ele é um cara muito modesto, daqueles que anda muito mais de skate do que pensa. Se ele ganhar em São Paulo, eu também vou comemorar.

GE.COM: Como está a preparação para a MegaRampa 2011? Estou bem preparado, tenho andado bastante de skate. Até me machuquei recentemente no pé esquerdo, mas fui bem no último campeonato. Fiquei em primeiro semana passada no Woodward West Mega Ramp Open, na Califórnia, resultado que me deu confiança. Também fiz uma exibição numa minimegarrampa em Nova York que foi super legal (confira no vídeo ao lado) .

GE.COM: Como foi essa lesão?

No início do ano, corri na Austrália num campeonato de bowl (pista com formato de uma piscina oval), depois vim para o Brasil competir no vertical, voltei para os EUA para correr outros campeonatos de bowl e depois fui pra China na megarrampa e no vertical. Estou andando em muitas categorias e países diferentes. Estava muito cansado. Fui fazer um evento de bowl, que já tinha decidido não correr, mas é difícil falar não. Aí acabei me machucando. Saí no corner errado do bowl e voei para o flat (parte plana da pista). Rompi uns ligamentos do pé esquerdo. Mas estou bem, porque fiz um trabalhado de fortalecimento.

Em 2006, Bob executou um salto de skate, seguido de um base jump no Grand Canyon (Foto: Divulgação)

  GE.COM: Então logo depois desse evento você conseguiu executar uma manobra inédita, mesmo lesionado?

O show de Las Vegas do Travis Pastrana (ícone do motocross) foi um teste para mim. Foi o evento perfeito para eu voltar a andar, porque era uma minimegarrampa e não tinha o quarter final (a última rampa da pista). Fiquei dolorido, não conseguia andar direito até eu acertar o Back Flip Christ Air, que eu estou chamando de Bob Flip Christ Air. É um mortal que eu abro os braços como o Cristo Redentor. Eu não esperava. Deu uma confiança a mais, apesar de o pé continuar dolorido. O bom da megarrampa é que ela não é tão técnica quanto o vertical, o bowl e o street.

Se eu quebro minha perna, a primeira manobra que eu vou tentar é aquela que me fez cair, para destraumatizar logo." Bob Burnquist

GE.COM: Você já sofreu alguma lesão tão grave quanto a do Jake Brown em 2007, que caiu na parte plana da Megarrampa depois de saltar mais de cinco metros acima dela?

O que aconteceu com ele foi o pior que pode acontecer num acidente na megarrampa. Já passei por algo parecido. A competição é sempre perigosa, porque o atleta quer executar as manobras mais difíceis e ele não mede esforços por isso. Tentamos ultrapassar os limites. Foi 'punk' presenciar aquilo. O Jake puxou os limites dele, porque é um cara de personalidade.

GE.COM: Na F-1, dizem que um piloto não volta a ser tão veloz depois de um grave acidente. No skate acontece algo parecido?

Depende muito da personalidade da pessoa. O Jake é um cara que arrisca mesmo, não está nem aí. Tanto é que, depois do tombo, ele pegou dois pódios e ganhou a medalha de ouro. Se eu quebro minha perna numa volta, depois que eu me recupero, a primeira manobra que eu vou tentar é aquela que me fez cair, para "destraumatizar" logo.

GE.COM: Você é uma pessoa mais reconhecida no Brasil ou nos Estados Unidos?

Acho que eu conquistei muitos fãs nos Estados Unidos e no mundo pelo meu estilo, minha criatividade e personalidade no skate. Mas quando eu chego no Brasil é diferente. As pessoas têm orgulho de me ver representando o país, de estar fazendo o meu melhor. É um sentimento muito especial correr sabendo que estão todos torcendo por um brasileiro. No fim da minha volta é sempre emocionante ver as pessoas vibrando.

Bob durante a passagem da tocha das Olimpíadas

de Atenas, em 2004,  pelo Rio de Janeiro

(Foto: Arquivo Pessoal)

  GE.COM:  Você, primeiro da história a conduzir a tocha olímpica sobre um skate, sonha em representar o Brasil em uma edição das Olimpíadas?

O skate já tem, por si só, uma individualidade e uma atenção. Acho que as Olimpíadas têm mais a ganhar com o skate do que o contrário. Ainda não vejo uma entidade que represente de uma maneira correta o skate dentro do orgão olímpico. Acho que ainda tem muita evolução pela frente para que se chegue à escolha da modalidade e do formato corretos a serem disputados nos Jogos. Desde que teve uma apresentação em Atlanta, dizem que o skate pode entrar nas Olimpíadas. Já ouvi falar que a federação de ciclismo teria que encaixar o skate... Se não for a federação de skate para organizar o skate, eu estou fora. Não sou uma pessoa fechada, mas se tivesse skate nas próximas Olimpíadas eu não correria.

GE.COM: Aos 34 anos, o que mais você pensa em fazer na sua carreira?

Eu ainda não penso em aposentadoria, porque estou muito bem fisicamente e competindo em alto nível. O skate evolui para todos os lados, como um polvo e seus tentáculos. A criação de novos obstáculos e rampas e a quebra de recordes ainda me motivam muito.              

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