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Judô "cheio de apetite" para os Jogos de Pequim

Judô "cheio de apetite" para os Jogos de Pequim

Atualizado: Sexta-feira, 1 Agosto de 2008 as 12

Judô "cheio de apetite" para os Jogos de Pequim

Presença de nutricionista da CBJ tranqüiliza atletas às vésperas das Olimpíadas

 

Pela primeira vez uma nutricionista integrará uma delegação olímpica no Brasil. A carioca Roberta Lima, que acompanha a seleção brasileira de judô desde 2003, estará ao lado da equipe durante os Jogos Olímpicos de Pequim. O trabalho pioneiro tem um objetivo claro: manter os 13 atletas com a energia em alta para os combates olímpicos. A luta começa na balança, já que há peso máximo para cada uma das categorias em disputa. "Dar o peso", no jargão do judô, já não é mais uma missão cruel como chegou a ser em anos passados.

"Os atletas já sabem que o que mais importa não é bater o peso, e sim de que forma ele está chegando naquele peso. Não interessa estar no peso e estar desidratado, sem reservas energéticas. Ele vai lutar, mas não vai render. E em atletas deste nível, qualquer detalhe faz a diferença", ensina a nutricionista.

"Nossa brilhante campanha no Mundial 2007 tem o dedo da Roberta", elogia o coordenador técnico da Confederação Brasileira de Judô, Ney Wilson, referindo-se aos três ouros, um bronze e dois quintos lugares conquistados.

Roberta acompanhou a equipe em diversas competições este ano e está no Japão participando da aclimatação.

" O trabalho tem sido duro. São duas batalhas por dia: o almoço e o jantar. O café da manhã é tranqüilo, pois compro a comida direto no mercado. Mas as grandes refeições eu tenho que negociar com os japoneses e aí vêm as dificuldades! Eles são muito tradicionais e não aceitam bem a mudança do cardápio, tudo tem que ser falado com jeito, e como a culinária japonesa é muito diferente da nossa, são várias mudanças, claro", diz a nutricionista, que não se preocupa apenas com os mais magrinhos da equipe. "Os japoneses servem porções muito pequenas, principalmente se pensarmos nos nossos pesos pesados. Por conta disto tenho que ficar de olho na suplementação, quando falta alguma coisa, seja proteína, seja carboidrato", completa Roberta.

Na Vila Olímpica, com sua oferta infinita de delícias gastronômicas (incluindo aí uma lanchonete Mac Donald´s de graça dentro da zona residencial), a preocupação aumenta. Mas Roberta já sabe o que fazer.

"Pequim é um outro grande desafio. O desfio começa por eu ser a primeira nutricionista numa delegação olímpica. Assim, não tenho de quem buscar experiência. O segundo desafio é o mundo de tentações que envolve uma Vila. Consegui, junto ao COB, o cardápio de todos os restaurantes e de todos os dias lá dentro. A intenção é passar este cardápio para cada atleta, indicando as melhores e piores opções com objetivo de eles conhecerem o que vão comer antes de ir para o refeitório. Com isso eles não vão perder tempo escolhendo o alimento e como já vão focados no que vão comer fica mais difícil de cair em tentação", ensina Roberta.

Antes vista como "polícia" na hora das refeições, hoje os atletas reconhecem o valor da companhia de uma nutricionista à mesa.

"A Roberta tem sido fundamental. A culinária japonesa é um pouco pobre de opções e nutrientes coisa para mim, que sou peso pesado e perco peso facilmente pode ser a morte. Isso influencia no meu desempenho nos treinos", comenta o grandalhão João Gabriel Schlittler, que se esforça para superar a barreira dos 110kg comendo cerca de nove mil calorias por dia.

O campeão mundial Luciano Correa, com 100kg, emenda: "A Roberta está preocupada sempre com cada um individualmente. Com isso ela dosa bem a dieta para que todos cheguem aos Jogos comendo o melhor possível", reconhece o meio-pesado.

Com pouco mais da metade do peso corporal de João Gabriel, o ligeiro Denílson Lourenço tem na nutricionista uma aliada na luta com a balança. Seu peso de competição é 60kg mas, até Pequim, todos estão autorizados a treinar com, no máximo, 3% acima do peso de sua categoria.

"Roberta me passa bastante segurança. Mesmo sabendo que, no meu caso, não há muito o que fazer para a situação ser confortável", diz, sem perder o bom humor.

A nutricionista também estará atenta à hidratação dos atletas antes e depois das lutas. Pelo planejamento, Roberta estará com os judocas desde o momento da pesagem até o último combate, orientando a reposição energética e a água a ser ingerida. "Tenho certeza que serei recompensada com medalhas!", finaliza.

A seleção olímpica de judô treina acompanhada de atletas da seleção brasileira júnior. A equipe olímpica entra na Vila no dia 5 de agosto, com chegada em Pequim prevista para 11h30 (aeroporto).

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