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Julio Cesar, o cego Slater, vence o primeiro campeonato para deficientes visuais do Brasil

Julio Cesar, o cego Slater, vence o primeiro campeonato para deficientes visuais do Brasil

Atualizado: Segunda-feira, 17 Novembro de 2008 as 12

Julio Cesar, o cego Slater, vence o primeiro campeonato para deficientes visuais do Brasil

Uma sexta-feira recheada de emoções na abertura da terceira e decisiva etapa do Circuito Vivo de Surf Profissional, na Barra da Tijuca (RJ). Com ondas de cerca de meio metro, os profissionais disputaram oito baterias e deram lugar para os integrantes do projeto "Especialmente Surf - O Surf visto por Outros olhos", que disputaram a primeira competição para deficientes visuais do Brasil. E o campeão foi Julio Cesar, justamente aquele que desde o começo do projeto já se apelidara de Cego Slater, numa alusão ao nove vezes campeão mundial Kelly Slater. Depois de ganhar a competição entre os deficientes visuais, Julio Cesar ainda venceu uma bateria especial, que contou ainda com os profissionais Simão Romão e Yuri Sodré, que surfaram vendados, além de Karla Regina, também do Instituto Benjamin Constant.  

"Nunca na minha vida eu imaginei que disputaria um campeonato de surfe, ainda mais competindo com profissionais. É um sonho realizado. Consegui representar bem o meu ídolo Kelly Slater", disse Julio Cesar, que na bateria final ainda se deu ao luxo de fazer a dança do creu sobre a prancha. "O creu foi contra o preconceito, para aqueles que acham que não somos capazes".

"Esses caras são os verdadeiros ídolos", disse Simão Romão, que ficou em segundo na bateria especial. "Eles mostram que com força de vontade podemos enfrentar e superar desafios".

A competição entre os profissionais continua neste sábado, a partir das 7h, mas os deficientes visuais ainda voltam à água no domingo, para uma apresentação antes da final, por volta das 11h30min. A etapa da Barra da Tijuca decide o título estadual e também oferece valiosos 750 pontos para o ranking do Brasil Tour, que classifica os 15 melhores para o Supersurf 2009.

A disputa dos integrantes do projeto começou com duas baterias de quatro surfistas, sem distinção de sexo e os quatro que conseguissem as melhores notas no geral se classificariam para a final. Na primeira delas, Karla Regina fez 15 pontos, Ericksson, 9,4, Ana Gabriele 7,43 e Davidson 6,73. Na segunda, Tamiris marcou 14,67, conseguindo ainda uma nota 10, Julio César fez 12 pontos, Ricardo 8,33 e Wilson 7,06. Na final, o Slater do Benjamin Constant virou no finalzinho e venceu com 14,26, contra 14,16 de Carla Regina, 10,83 de Ericksson e 6,23 de Tamiris.

Responsável pelo treinamento do grupo, que começou a ter aulas há pouco mais de quatro meses, o instrutor Pedro Cunha, da Escola Carioca de Surfe, estava emocionado após a competição:

"Nem no meu tempo de competidor, quando ganhei campeonato, fiquei tão feliz quanto agora", disse Pedro Cunha.

Rio na vanguarda

Com a realização do Circuito Vivo de Surf Profissional, o Rio de Janeiro retoma o lugar de destaque que tinha nos anos 90, quando o Circuito Estadual era o mais importante do Brasil. Além disso, o estado retornou ao cenário internacional após seis anos de ausência.

Palcos históricos

A primeira etapa, de 18 a 20 de julho, aconteceu justamente onde tudo começou: no Arpoador. Foi encostado no Pontão que o surfe virou esporte no Brasil, no final da década de 50 e começo dos anos 60, e foi também pelas ondas perfeitas do Arpex que o Circuito Mundial chegou pela primeira vez no País, em 1976.

Além de ser considerada o Maracanã do Surfe, a Praia de Itaúna, em Saquarema, que recebeu a segunda etapa de 15 a 17 de agosto, entrou para a história ao receber os famosos festivais de surfe da década de 70. Num deles, a cidade foi invadida por cerca de 30 mil pessoas que durante o dia assistiam ao espetáculo nas ondas perfeitas e à noite vibravam com shows de Rita Lee e Raul Seixas.

A Barra da Tijuca, palco da última etapa, de 7 a 9 de novembro marcou a retomada do Rio de Janeiro no cenário Mundial, no final dos anos 80, quando a cidade tinha perdido a sua etapa internacional, o Waimea 5000.  Foi na Barra que Kelly Slater conquistou o seu primeiro título Mundial e mais de dez mil pessoas vibraram com a vitória de Teco Padaratz.

Fotos: Pedro Monteiro/Fotocom.net

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