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Kelly Slater supera dor e leva o tetra em Bell's Beach

Kelly Slater supera dor e leva o tetra em Bell's Beach

Atualizado: Sexta-feira, 9 Abril de 2010 as 12

Foi uma prova de resistência. Quatro baterias, de 30 minutos cada, no frio, em uma praia com estrutura improvisada. No pé direito, uma fita para amenizar as dores. Lesionado, Kelly Slater, de 38 anos, teve um duro dia de trabalho. Quando o expediente terminou, já no fim da tarde, na Austrália, ele foi bater o cartão, ou melhor, tocar o sino. Pela quarta vez na carreira, o americano eneacampeão do mundo venceu em Bells Beach, o segundo desafio da temporada. Um triunfo saboroso, com uma atuação de gala contra o atual dono do caneco do Circuito Mundial e anfitrião da etapa, Mick Fanning.

- Prometi que, se vencesse esse campeonato, deixaria todo mundo tocar o sino - disse.

Com a vitória, Slater pula da nona para a segunda colocação do ranking. Entre os brasileiros, o melhor foi desempenho em Bells foi de Adriano de Souza, o Mineirinho, eliminado nas quartas. Jadson André também chegou ao último dia, mas parou nas oitavas. A próxima etapa do Mundial começa no dia 23, em Santa Catarina.

Slater se machucou na terça-feira, quando treinava em Bells. Foi dúvida na terceira fase, mas chegou ao campeonato poucos minutos antes de sua bateria e se classificou. O mar, em condições ruins, deu a ele um dia de descanso. Mas, nesta quinta-feira, era dia de trabalho. Não em Bells propriamente, mas na vizinha Johanna.

No improviso, a etapa recomeçou. Não havia área reservada para os atletas nem mesmo onde comer, para repor as energias entre uma bateria e outra. Para Slater, a jornada começou nas oitavas, com uma vitória sobre o taitiano Michez Bourez. Depois, passou pelo australiano Bede Durbidge e pelo americano Bobby Martinez.

Do outro lado da chave, Mick eliminava o compatriota Taj Burrow, líder da temporada. Era hora do confronto de campeões do mundo. Antes, porém, um outro duelo de titãs: Tom Curren x Mark Occhilupo. Era, então, a hora da bateria que valia o sino.

Depois de um leve aquecimento de Fanning - uma nota 1,00 -, Slater remou para o que parecia ser a primeira boa onda da bateria. Uma rasgada, um cut back, uma queda e nota 2,83. Nervoso, o aussie foi novamente para uma onda fraca: 1,13.

Mick, na metade da bateria, finalmente começou a trabalhar e tirou 7,17 para assumir a liderança. Cansado em sua quarta bateria no dia e com dores no pé, Slater precisava de 5,74 se quisesse brigar pelo título.

A 12 minutos para o fim, o americano foi para um onda, mas não conseguiu sair dela. Mick, agora com a prioridade, foi na que se formava atrás. Os juízes ainda não tinham informado a nota do australiano quando Slater pegou a melhor onda da bateria. Deu uma rasgada, pegou embalo, deu um aéreo sem as mãos, rodou na espuma, mas conseguiu segurar-se na prancha.

Vinha, então a nota de Mick: 4,83. Kelly precisaria de 7,33, mas os juízes anunciaram que aquela sua onda tinha valido 8,93. Ele agora liderava, com 13,60 pontos. Mick precisava de 6,44. Mas a situação ficou ainda pior quando, dois minutos depois, viu o americano voar de novo e ganhar 8,10.

Com 17,03 pontos, Slater deixou Fanning procurando uma nota à beira da perfeição. A cinco minutos do fim, buscava um 9,86, mas se despediu com os 12,00 pontos que tinha conseguido até ali.

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