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Klinsmann elogia decisão de Neymar de permanecer no Brasil

Klinsmann elogia decisão de Neymar de permanecer no Brasil

Atualizado: Quarta-feira, 7 Dezembro de 2011 as 3:04

Boa praça. Bom papo. E profundo admirador do futebol. Assim pode ser definida a personalidade de Jürgen Klinsmann. Nesta quarta-feira, logo após a palestra no Footecon, fórum internacional de futebol que acontece no Forte de Copacabana, o atual treinador da seleção dos Estados Unidos falou sobre todos os assuntos, não fugiu de nenhuma questão e ainda resgou elogios ao atacante Neymar, do Santos.

No Footecon, Klinsmann defendeu a permanência de

Neymar (Gustavo Rotstein/Globoesporte.com) Na opinião do técnico alemão, a joia do Santos acertou ao optar por permanecer no Brasil. De acordo com Klinsmann, ele só se sentiu à vontade para deixar a Alemanha e seguir para a Itália, onde atuou no Inter de Milão, aos 24 anos.

- Todos os treinadores do mundo conhecem o Neymar. Adoraria tê-lo em minha equipe. A decisão dele de ficar no Brasil é dele e do Santos. Ele precisa estar maduro para trocar de país. Tive que passar dos 24 anos para me sentir pronto para ir à Itália. Claro que ele tem chances de jogar por lá. Mas é outra cultura, outra língua. Meus amigos da Seleção queriam ir para a Espanha, para a Itália, mas não o fizeram. Acho que o Neymar tomou a decisão certa - avaliou Klinsmann.

E quem vai levar a melhor no Mundial de Clubes? Barça ou Santos? Klinsmann preferiu sair pela tangente e deixou a resposta no ar.

- Não sei. Não tem como prever o vencedor - afirmou o treinador, sempre brincando com a intérprete que ficou ao seu lado durante toda a entrevista.

Durante a coletiva, Klinsmann lembrou ainda de sua experiência nos Jogos Olímpicos de 1988, falou da emoção de encarar o Brasil e da derrota nos pênaltis, em Seul, na Coreia do Sul, para o time que contava com Romário.

- É completamente diferente disputar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. É uma experiência fantástica. Em 1988, fomos derrotados pelo Brasil. Espero que o país aproveite essa chance. Para mim, a experiência foi maravilhosa. Tão boa quanto disputar uma Copa do Mundo - disse o treinador.

Na sequência da coletiva, Klinsmann falou do desenvolvimento do futebol alemão, foi questionado sobre as acusações feitas ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e de como a informação circula rápido no mundo globalizado de hoje.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista de Klinsmann:

GLOBOESPORTE.COM: A Alemanha cresceu muito nos últimos anos. O trabalho começou quando você assumiu o comando da equipe antes do Mundial de 2006?

JÜRGEN KLINSMANN: O time alemão se desenvolveu muito nesses últimos sete anos. Estamos com sorte por estar com ótimos jogadores jovens que tem tido um desenvolvimento bom nas categorias de base. Chegou o momento de colher os frutos. A Alemanha terá condição de encarar times como Alemanha, Espanha e Argentina. Temos que passar pela Eurocopa e estamos prontos para disputar as competições.

GLOBOESPORTE.COM: O Brasil de 1994, comandado por Carlos Alberto Parreira, é uma de suas referências no futebol?

JÜRGEN KLINSMANN: Vivemos em um mundo global. Você conversa com muita gente do futebol. Parreira, Menotti... Existem muitas fontes onde você pode aprender. Aprendo com cada técnico e tento utilizar no meu trabalho nos Estados Unidos. Como treinador, você é um aluno sempre. É ótimo aprender com treinadores como o Parreira.

GLOBOESPORTE.COM: A Fifa tem tido problemas com o Comitê Organizador da Copa do Mundo. Você acha que isso pode afetar a realização da Copa do Mundo?

JÜRGEN KLINSMANN: Só quem vive no país sabe qual é a importância de cada questão. O futebol é aglutinador de pessoas, seja onde for. Sendo do bem ou do mal, você vai querer mostrar um bom trabalho. Resta saber qual legado você vai querer deixar do seu país, qual imagem você vai quer deixar para o mundo. Vocês terão a chance de organizar a Copa e logo depois as Olimpíadas.

GLOBOESPORTE.COM: Você tem acompanhado o trabalho do Mano à frente da Seleção? O que acha?

JÜRGEN KLINSMANN: Como técnico você precisa aproveitar as qualidades de cada jogador. O Mano está diante de um grande desafio. Ele precisa moldar um time com as maiores habilidades de cada jogador. Espero que ele coloque fé nos jovens jogadores. Existem muitos talentos novos aqui. O fato de o Brasil não ter tido um bom desempenho na África do Sul ou na Copa América não significa que coisas boas não estejam sendo feitas. Você precisa ser tão bom quanto o seu entorno. Falo da equipe, da torcida, da mídia. Vocês têm os ingredientes fundamentais porque os jogadores têm qualidade. Comparado ao meu time, os Estados Unidos, eu espero que um dia os meus jogadores tenham essa qualidade. Estamos investindo no futuro, mas isso não significa que não possamos ganhar de vocês.

GLOBOESPORTE.COM: Na Alemanha, a seleção venceu na estreia jogando em casa. Acha que é fundamental uma estreia com vitória para o Brasil em 2014?

JÜRGEN KLINSMANN: Em geral, a atuação do dono da casa no primeiro jogo é importante. Ele te dá sinais de quem você é, do que você pode apresentar. Temos que mostrar a nossa paixão, ganhar os jogos, aproveitar o momento. Falei muito isso aos nossos jogadores para eles desfrutarem do momento. Eles aproveitaram o momento e isso foi fundamental para o processo. É importante vencer o primeiro jogo porque dá o tom para o campeonato e para o país. Creio que o Brasil fará uma boa estreia.

GLOBOESPORTE.COM: Tem acompanhado as notícias de corrupção no futebol mundial e na Fifa?

JÜRGEN KLINSMANN: Estamos interessados em tudo o que acontece no mundo do futebol. Ninguém pode dizer o que é verdade, o que é mentira, se é especulação ou não. Como treinador, eu preciso tomar cuidado ao falar desse tipo de coisa. Você acompanha, discute, mas não pode julgar as pessoas por não ter as informações corretas. E estou há muito tempo nesse meio para saber que nem sempre a imprensa está certa. Não se pode julgar de forma leviana. Com a internet, as informações circulam muito rápido e nem sempre sabemos de metade da história.        

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