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Léo Moura: 'São momentos que ficam pelo resto da vida'

Léo Moura: 'São momentos que ficam pelo resto da vida'

Atualizado: Terça-feira, 3 Maio de 2011 as 8:56

Léo moura e Ronaldinho com o troféu no vestiário (Foto: Divulgação)

  A primeira vez a gente nunca esquece. Seja pelo lado bom ou ruim. Leonardo Moura, 32 anos, chegou ao Flamengo em 2005 sem nunca ter conquistado um título na carreira. No ano seguinte, o lateral-direito levantou sua primeira taça, justamente sobre o Vasco, na Copa do Brasil. No último domingo, o jogador completou 11 títulos pelo Rubro-Negro. Pela primeira vez, ele ficou fora de uma final com a camisa rubro-negra de número 2.

Além da Copa do Brasil em 2006, Léo Moura levantou um troféu do Campeonato Brasileiro, três Campeonatos Carioca, três Taças Guanabara e uma Taça Rio. Com a vitória sobre o Vasco no último domingo, ele somou mais uma Taça Rio e outro Carioca no currículo.

A pedido do GLOBOESPORTE.COM, o lateral-direito fez um relato emocionado da sua primeira decisão fora das quatro linhas, como um torcedor comum que sofre, vibra e no final é coroado.

"No domingo pela manhã, acordei um pouco mais cedo que o habitual. Logo veio o pensamento que eu não iria jogar essa decisão contra Vasco. Ao pensar que estava fora, fiquei triste. O time estava prestes a ser campeão sem ter perdido um único jogo. E eu não estaria em campo.

Um pouco antes de 10h30m, já estava no hotel Windsor, na Barra da Tijuca, que também serve como nossa concentração. Fui fazer fisioterapia no meu joelho direito. Comecei a perceber a movimentação em torno da final e passou um filme na minha cabeça. Eu estava ali, e ao mesmo tempo não estava.

O lateral deu força aos companheiros na concentração do Fla (Foto: Eduardo Peixoto / Globoesporte.com)

  Os jogadores começaram a acordar, encontrei com alguns amigos que me perguntaram se eu estava melhor. Na hora do almoço, sentei na mesma mesa e grupo de sempre, com Thiago Neves, Jean, Welinton e Egídio. Mesmo sabendo que não iria jogar, bateu o nervosismo. Não consegui almoçar direito, comi muito pouco. Começamos a conversar sobre o jogo, imaginando como seria se fôssemos campeões.

Quando todos terminaram a refeição, os jogadores foram repousar nos quartos, enquanto fiquei no saguão do hotel. Olhava para um lado. Olhava pro outro. O clima da final estava no ar. Começou a me dar um frio na barriga. Minha mão suava.

Eu já estava disposto a participar da preleção, mas foi uma grande emoção, um momento que não sai da minha cabeça, quando olhei através do vidro de uma sala e o Vanderlei (Luxemburgo) me chamou para participar da conversa. Ele citou o caminho que o grupo percorreu até chegar ali, lembrou dos percalços e disse uma coisa que mexeu: na falta de um campeão, de um jogador que não pode estar ali, outro aparece. Ele disse que esse título seria de todos do grupo; dos que iriam pro jogo, e dos que estavam fora por lesão, que foi o meu caso, do Maldonado, do Vander. Foi um momento emocionante. Escutar isso de um treinador do porte do Vanderlei mostrou que o time estava forte para a final. Isso retratou o ambiente família.

Léo Moura e a filha &dividem& a faixa de campeão carioca (Foto: Wagner Meier / Globoesporte.com)

  Se aproximava a hora do jogo. O clima esquentava. Fui até o lado de fora do hotel e comentei com o motorista do ônibus do Flamengo que eu seguiria a comitiva, bem colado a eles. No meu carro, junto comigo foram minha mulher, minha mãe e outros familiares. No percurso, bem próximo ao ônibus, comecei a escutar o ‘buzinaço’. Quando você está dentro do Urubuzão, por causa do ar-condicionado e da música, não sabemos o que se passa lá fora. No meu carro, fiz questão de baixar o vidro e respirei os ares da decisão: torcedores na rua saudando a equipe, muitos vestidos com o manto, uma festa.

Na chegada ao Engenhão, passamos no meio da torcida do Vasco. Foi um momento de tensão e nervosismo. Assim que entramos no estádio a expectativa se multiplicou. Assisti ao jogo com a minha mulher no mesmo camarote onde estava a família do Ronaldinho. O filho dele, a mãe...

Comecei a me imaginar entrando em campo. A mão continuava a suar. Já sou um pouco ansioso, tenho costume de balançar as pernas, mas isso só aumentou. O time posou para a foto, eu não estava lá.

Com o jogo em andamento, quase gritei gol quando o Bottinelli perdeu uma chance no primeiro tempo. O Vasco chegou algumas vezes, mas nada que preocupasse. Quando o juiz apitou o final da partida em 0 a 0, pensei: "Não vou assistir os pênaltis, é muito para o meu coração". Decidi descer para o vestiário. Quando cheguei, Willians, que tinha sido expulso, estava lá também. Nós tivemos que assistir numa brechinha entre as grades, onde mal víamos o telão. Acho que só vi um ou dois pênaltis. Me guiei pela comemoração da torcida. Quando o grito era maior, sabia que era nosso.

Mesmo fora da final, Léo Moura foi figura de realce em mais uma conquista do rubro-Negro (Foto: Wagner Meier / Globoesporte.com)

  Foi duro. Quando o Thiago Neves marcou o pênalti que garantiu o título, invadi o gramado e até esqueci que estava machucado (Léo Moura se recupera de uma pancada no joelho direito sofrida no FlaxFlu na semifinal da Taça Rio, e que o tirou do jogo contra o Horizonte e da decisão com o Vasco). Depois da comemoração, o joelho até doeu um pouco.

Comemorei, dancei o Bonde sem Freio, peguei minha faixa de campeão, e me emocionei com a torcida gritando o meu nome mesmo sem eu ter jogado. No vestiário, tirei uma foto: eu, Ronaldinho e a Taça Rio. Um momento marcante. Depois da partida, fui festejar com a minha família. São momentos que ficam para o resto da vida.”      

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