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Lesões, cartões e mudanças de esquema: o drama da zaga tricolor

Lesões, cartões e mudanças de esquema: o drama da zaga tricolor

Atualizado: Terça-feira, 28 Setembro de 2010 as 9:39

A derrota por 3 a 0 para o Goiás, dentro do Morumbi, expôs um problema recorrente no São Paulo em 2010. Ponto de equilíbrio da equipe desde 2006, quando o Tricolor conquistou o primeiro da sequência de três títulos nacionais, o sistema defensivo vem apresentando falhas neste Campeonato Brasileiro. Tanto que, em 25 jogos, o time já sofreu 34 gols, o que resulta na pior média desde 2005, quando o clube estava mais preocupado com a disputa do Mundial Interclubes no Japão. Os problemas que levam a esse desempenho são variados: a lesão do principal zagueiro, o excesso de cartões e suspensões, além das frequentes mudanças de posicionamento no setor. O primeiro e mais importante problema foi a longa ausência de Alex Silva, que ficou um mês parado por conta de uma lesão no joelho direito. Ele desfalcou o Tricolor em dez partidas entre agosto e setembro. Neste período, o time conquistou 13 dos 30 pontos disputados e sofreu 16 gols, média de 1,60 por partida. Outro que teve de ficar de molho foi o reserva imediato Xandão, que já desfalcou o time por dois jogos em virtude de dores no tornozelo, no mesmo período em que o titular estava machucado. Mesmo assim, ele é o defensor que mais atuou no Brasileiro: 17 vezes.

Miranda, titular da zaga ao lado de Alex, sofre em outro aspecto: o excesso de cartões. Contra o Goiás, por exemplo, ele ficou fora do jogo por ter tomado o terceiro amarelo na partida anterior - já são nove advertências no total. Ao lado de Richarlyson, outro que tem importante função defensiva, ele é o jogador são-paulino mais amarelado pelos árbitros.

Sem os três principais zagueiros, os suplentes Samuel e Renato Silva já tiveram de ser acionados várias vezes. O primeiro tem sete jogos no Brasileirão, o segundo, nove. Ambos sofreram com a falta de ritmo de jogo e cometeram falhas que resultaram em gols. O último exemplo foi a jogada em que Samuel não conseguiu dominar a bola na área e originou o primeiro gol do Goiás. Os diferentes posicionamentos defensivos nos 25 jogos do Brasileirão também contribuem para a queda de rendimento do setor. Com Ricardo Gomes ou Sergio Baresi, a equipe já atuou ou com linha de quatro defensores, ou três zagueiros de ofício (com Richarlyson pela esquerda), ou dois zagueiros com um volante na sobra - Rodrigo Souto. Hoje, Baresi luta para encontrar a melhor formação e tem atuado com Souto ajudando os zagueiros.

Mesmo jogando lá na frente, no comando de ataque, o atacante Ricardo Oliveira sabe que a defesa não vive bom momento. Mas ele não culpa apenas os zagueiros. Para o camisa 99, o time como um todo não tem se compactado conforme o técnico Sergio Baresi pede, e os espaços acabam ficando maiores para o adversário atacar. Aí tem de ver a capacidade de sacrifício de cada um. Se tomamos tantos gols, é porque alguns não estão fazendo a função com eficiência. Não dá para questionar a qualidade de Miranda, Xandão, Alex e Samuel. Se os números dizem que a zaga é uma das mais vazadas da competição, é porque temos de melhorar a parte defensiva toda. Não só os quatro ou três zagueiros que jogam, mas o time todo precisa marcar - ressaltou Oliveira.

Com Alex plenamente recuperado e Miranda zerado nos cartões, o Tricolor pode escrever uma nova página neste Brasileirão e retomar a tradição recente de formar ótimos esquemas defensivos. Contra o Grêmio do artilheiro Jonas, 13 gols no Brasileirão, a dupla terá a primeira prova de fogo para saber se o São Paulo pode voltar a confiar totalmente no setor.  O duelo é nesta quarta-feira, às 22h, no Olímpico.

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