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Lugano se inspira no São Paulo de Ceni para acabar com jejum Uruguaio

Lugano se inspira no São Paulo de Ceni para acabar com jejum Uruguaio

Atualizado: Sexta-feira, 22 Julho de 2011 as 12:01

Lugano já foi capitão do Uruguai em 55 jogos

(Foto: Marcos Felipe / Globoesporte.com)

  Na Copa América de 1995, quando o Uruguai conquistou um título pela última vez, Lugano ainda era apenas Diego, ou melhor, Tota, um garoto que dava seus primeiros passos nas categorias de base do Nacional de Montevidéu. 16 anos depois, o atual capitão da Celeste pode repetir o gesto do ídolo Enzo Francescoli e levantar a taça do torneio continental outra vez.

E uma das inspirações do defensor para liderar a seleção uruguaia, favorita na decisão do próximo domingo diante do Paraguai, vem do Brasil. Mais especificamente do São Paulo, clube que Lugano defendeu entre 2003 e 2006 e no qual conquistou seus principais títulos na carreira: a Taça Libertadores e o Mundial de Clubes de 2005.

- Quando se está no São Paulo, você tem que vencer. É um clube exigente que traz uma mentalidade ganhadora. Todo ano você tem que levantar um troféu. E você acaba se acostumando a isso. Isso é importante, ajuda. Essa experiência eu procuro passar para os mais jovens aqui na seleção – disse Lugano, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM.

Me imagino um dia voltando para o São Paulo por conta de tudo que o clube me deu"

- Eu aprendi com o Rogério Ceni a ter a vocação e a vontade de vencer sempre. É um cara que deseja conquistar taças e levar seu grupo a ser o melhor. Seja no treino, no rachão, no Paulista, na Libertadores. Sempre foi assim. Acho que ninguém no mundo tem essa fome que ele tem – elogiou o zagueiro do Fenerbahçe.

Além dos elogios a Ceni, o trintão Lugano também falou no animado papo sobre a ansiedade pela partida de domingo, o resgate do futebol uruguaio, o apoio da torcida brasileira e sobre o seu futuro que, obviamente, pode ser no Tricolor do Morumbi. Confira mais abaixo.

Lugano durante entrevista no hotel-concentração do Uruguai em Buenos Aires, palco da final de domingo

Responsabilidade de ser capitão

Não sei o que tem que ter (para ser o capitão). Não sei se tenho isso. Isso quem tem que falar são meus companheiros. Mas alguma coisa eu tenho. Afinal já são 55 jogos com a braçadeira. Sou o jogador com mais jogos como capitão na seleção já que comecei muito novo ( Nota: Lugano estreou em 1º de julho de 2003 em um amistoso contra Hong Kong e tem 63 jogos pela Celeste ). Só sei que doo tudo eu que tenho para que esse grupo consiga resultados. Mas também se não tivermos, pois às vezes não depende só de nos, quero que esse elenco tenha uma imagem positiva para nossas crianças e para nosso país. O futebol ocupa um espaço muito grande na mídia e, por isso, o comportamento tem que ser exemplar.

Ansiedade pela decisão Não é possível dormir sem que ao menos uma vez a imagem (de levantar a taça) não passe pela cabeça. Procuro manter a calma. Tento usar a experiência para ajudar nos dias que antecedem (a final) e tento manter o clima de tranquilidade e harmonia em todo o grupo.

Título para o povo

A gente está valorizando muito esse trabalho. Valorizando o amor que a gente coloca na seleção. Queremos dar ao algo para comemorar e para se sentir orgulho e mostrar que o Uruguai não vive só de história, mas também do presente.

Família Celeste

Não pode ter no mundo do futebol uma harmonia, um ambiente melhor do que o temos. Foi muito difícil nas eliminatórias quando o Uruguai não jogava bem e era criticado( Nota: o time só se classificou para o Mundial de 2010 na repescagem ). Então esse grupo se fechou. Não sei se isso ganha título, mas ajuda na hora que você vencer ter um cara (amigo) de verdade para abraçar. E também na hora da derrota ter um cara para te apoiar. Você desfruta muito mais os triunfos. É ótimo jogar pela com seres humanos excepcionais. Não tenho muito mais palavras para descrever. Só convivendo aqui para entender.

BRASIL MUNDIAL F.C.: caso de amor entre Uruguai e Brasil. E não é com Lugano

Lugano em ação pela seleção uruguaia: Aos 30 anos, zagueiro já disputou 63 partidas pela Celeste (AP)

  Resgate do futebol uruguaio e comparações com o Brasil

Isso já vem acontecendo nos últimos anos. Fomos muito bem na Copa do Mundo. Mas ser campeão é difícil, afinal são mais de 200 seleções afiliadas a Fifa. Chegar entre os quatro também, ainda mais para um país como Uruguai que é pequeno. Não sei se estamos melhor que o Brasil, mas acho que hoje estamos no mesmo nível. Nos últimos quatro, cinco anos o nosso futebol conseguiu se organizar um pouquinho e, organizado, o Uruguai pode ser forte. Estamos chegando bem em todas competições e em todas as categorias ( Nota: a seleção sub-20 se classificou para os Jogos Olímpicos de 2012, enquanto a sub-17 é atual vice-campeã mundial ).

Apesar do estilo viril, Lugano só foi expulso uma

única vez com a camisa do Uruguai

Carinho da torcida brasileira

A gente fala muito disso aqui, sobretudo nós que temos um contato mais próximo com o Brasil. Passamos essa empatia que temos com você para os nossos companheiros. Não sei explicar porque isso acontece, mas acho que o nosso time ganhou o carinho não só do Brasi, mas de todo o mundo, porque é um grupo que dá a vida pela seleção, mas sem falar com o respeito a ninguém. Acho que isso vai gerando uma simpatia. Tomara que na próxima Copa do Mundo o Brasil também torça por nós (risos).

Copa de 2014 Espero estar lá. Mas primeiro tenho que pensar em no domingo. Já é difícil estar amanhã na seleção, imagina daqui a três anos (risos). Mas projeto disputar a Copa, pois se a gente não pensa grande, nunca chega.

Futuro no São Paulo?

Evidentemente eu tenho uma forte ligação com o São Paulo. Sou torcedor do clube e os torcedores gostam de mim. Estou feliz no Fenerbahçe, onde tenho mais dois anos de contrato. Mas sem dúvida penso em voltar um dia. Mas não sou adivinho e não tenho uma bola mágica. Não sei se isso vai acontecer amanhã, ano que vem ou se nunca vai acontecer. Mas eu Me imagino um dia voltando para o São Paulo por conta de tudo que o clube me deu.

Lugano nos tempos de São Paulo (Foto: VIPCOMM)          

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