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Magoado após saída, Alex Silva ataca dirigente e diz: 'Não sou problemático'

Magoado após saída, Alex Silva ataca dirigente e diz: 'Não sou problemático'

Atualizado: Quinta-feira, 2 Junho de 2011 as 10:25

Segunda-feira, 25 de maio. Uma reunião com o diretor de futebol, Adalberto Baptista, encerrou o ciclo de um dos jogadores mais vitoriosos do São Paulo nos últimos tempos. Após 143 jogos, 12 gols marcados e três títulos brasileiros conquistados, Alex Silva pediu rescisão de contrato e foi atendido. Seu empréstimo terminaria no dia 31 de julho, mas o clube do Morumbi já havia avisado que não compraria seus direitos federativos, que pertencem ao Hamburgo (ALE) e estavam estipulados em € 3,5 milhões (R$ 8 milhões).

Magoado com a forma como as coisas terminaram, Alex Silva seguiu para Amparo, cidade que fica a 150km da capital paulista, para colocar a cabeça em ordem. Com a ajuda dos pais e da esposa, ele agora se prepara para dar sequência à carreira em outro clube e mantém a forma em uma academia.

Em conversa exclusiva com o GLOBOESPORTE.COM e a TV Globo, o camisa 3 atacou o ex-vice-presidente de futebol do clube do Morumbi, Carlos Augusto de Barros e Silva, disse que se arrepende de ter falado que não jogaria em um rival do São Paulo, rejeitou os rótulos de baladeiro e problemático e afirmou que foi do céu ao inferno por causa da eliminação para o Avaí, nas quartas de final da Copa do Brasil. Confira o papo com o zagueiro.

GLOBOESPORTE.COM – Após uma semana, você resolveu falar. Já deu para administrar tudo o que aconteceu?

Alex Silva – Eu pedi para rescindir o meu contrato. Depois que a diretoria veio a público e disse que não havia interesse em continuar comigo, não valia a pena seguir até o fim. E eu não quero voltar para a Alemanha. Se eu ficasse até o fim do meu vínculo, no dia 31 de julho, iria estourar o limite de sete jogos do Campeonato Brasileiro e seria obrigado a voltar. Muitas coisas também me chatearam demais. Não havia mais clima para continuar. Fico triste pela maneira que deixei o São Paulo. Na minha cabeça, imaginei que seria o próximo capitão do São Paulo depois que o Rogério Ceni parasse.

A quais coisas você está se referindo?

Teve o episódio com o presidente (Juvenal Juvêncio), que disse eu havia inventado uma proposta do Sporting (POR). Mas a gota d’água foi a manifestação da torcida, após a derrota para o Avaí. Sempre fui um cara que deu o máximo em campo. Joguei com 20 pontos no olho, sempre dei sangue, nunca fugi do pau. Antes era o monstro, o que dava a cara para bater. Agora eu e o Miranda também nos tornamos dispensáveis. Nos últimos jogos, meu joelho estava muito ruim e joguei. Talvez, se tivesse feito como muitos outros fariam e tivesse ficado no Reffis tratando, nada disso teria acontecido.     Zagueiro mantém a forma em uma academia enquanto espera por um acerto com um novo clube. Defensor tem propostas de várias equipes do futebol brasileiro  (Foto: Marcelo Prado / Globoesporte.com)     Você acredita que esteja sendo crucificado após a eliminação na Copa do Brasil? Tal fato também aconteceu com o Dagoberto após a queda na Libertadores de 2010.

Nossos casos são diferentes. Acredito que se fosse jogador do clube também permaneceria. Como não sou, acabei saindo. O que mais me magoou, o que mais me deixou triste foi a revolta da torcida. Foi falta de respeito comigo por tudo que eu fiz no São Paulo. Todo muito agora só me critica pela minha saída, mas ninguém lembra do meu retorno quando tive propostas de rivais do São Paulo e de outros times do Brasil. A proposta salarial do Flamengo era muito maior e eu aceitei a do São Paulo, que era a menor de todas que eu tinha. Mas a vida segue. Se tivéssemos vencido o Avaí, tudo estaria tranquilo. No São Paulo, isso é normal. Se o Kaká, que virou o melhor jogador do mundo, foi criticado, não é de se estranhar o que aconteceu comigo. Talvez seja o meu jeito, sou transparente, não faço média com ninguém.

Chegou a conversar com o presidente Juvenal Juvêncio no dia de sua saída?

Não, falei apenas com o Adalberto Baptista (diretor de futebol). O Juvenal é um pai para mim, acredito que ele está triste pela saída e não teve coragem de me falar isso. Aquele episódio foi totalmente superado, conversamos no dia e esclarecemos. Não gostei do que ele falou, principalmente porque estávamos no dia de um jogo decisivo. E se por acaso eu fosse mal, seria crucificado, me acusariam de fazer corpo mole. O Juvenal é um brincalhão. Outros eu não sei, talvez não me quisessem mais, preferem o Coates (zagueiro uruguaio que está prestes a ser contratado).     Como um dos líderes do elenco, você já entendeu o que aconteceu naquela partida contra o Avaí em Florianópolis?

É simples. Foi um jogo em que os 11 não estiveram bem. A pegada do Avaí foi maior do que a nossa. Também tivemos falhas individuais. Eu falhei no primeiro gol ao deixar o William antecipar e marcar de cabeça. Mas se você analisar, o que aconteceu contra o Avaí foi apenas uma consequência. Estávamos empurrando com a barriga faz tempo. Tomamos sufoco do Goiás no Serra Dourada com um jogador a mais. No Morumbi, não jogamos bem. Contra o Avaí em casa foi outra pedreira. Um a zero foi lucro. A única partida boa na Copa do Brasil foi contra o Santa Cruz, em Barueri, quando tivemos atitude e poder de reação.

Você se arrepende em ter criticado a diretoria após a derrota em Florianópolis? (O jogador afirmou que havia dirigente que gostava de aparecer quando o time ganhava e sumia quando a equipe perdia)

Não, até porque não quis atingir ninguém. Na mesma entrevista em que eu falei isso, eu também disse que a responsabilidade era toda nossa, afinal diretor não coloca meião e entra em campo. Mas, quando eu falei que nenhum diretor aparecia, não estava falando mentira. Mas a responsabilidade era toda nossa. Talvez o Leco (Carlos Augusto de Barros e Silva, ex-vice presidente de futebol) tenha ficado incomodado, ele estava no gramado naquela ocasião. Ele fica bravo com todo mundo. Já teve problema com o Miranda e com o Dagoberto. Talvez a carapuça tenha servido para ele. No dia da entrevista, atendi um pedido da assessoria, já que ninguém queria falar. Vim a público e dei a cara para bater, não sou de me esconder (o GLOBOESPORTE.COM tentou contato com Leco, que não atendeu as ligações).     Alex Silva conversa com o repórter Andre Kampff, da TV Globo (Foto: Marcelo Prado / Globoesporte.com)       Como era a sua relação com o Carpegiani? Você chegou a ter problemas com ele.

Não tenho nenhum problema com ele. Quando houve o episódio da minha falta, conversamos em uma sala de homem para homem e resolvemos tudo. O Paulo foi um dos caras que mais lutaram pela minha permanência.

Você era um dos líderes do elenco. É possível dizer que o Carpegiani tem o controle total do elenco?

Ele tem o total comando do elenco. Isso ficou provado nas duas primeiras partidas no Campeonato Brasileiro.

Como você lidera com a fama de baladeiro e problemático?

De todas as besteiras que estão falando, isso é o que mais me incomoda. Eu gosto de samba e não escondo de ninguém. Vou muito a uma casa que tem na Vila Madalena. Não devo satisfações a ninguém sobre o que eu faço no meu dia de folga. Já vi vários jogadores que passaram pelo São Paulo chegarem para treinar sem a menor condição e a diretoria passava um pano na cabeça. Eu nunca fiz isso. O mais engraçado é que eu sempre fui assim. Na época em que conquistamos três títulos brasileiros, acho que era até pior, já que não era casado. Parece que agora eu não presto mais. É impossível um jogador ser tão problemático e continuar como titular. Realmente não entendo como isso. Parece que é coisa de alguém que quer desvalorizar o meu passe.

Você já foi advertido por alguém do São Paulo sobre isso?

Nunca. Se sou tão problemático assim, era para ter aparecido alguém e feito isso. O Muricy (Ramalho, ex-treinador), conversava comigo na boa e pedia para eu maneirar na semana de um jogo decisivo. O Carlos Alberto (meia que jogou no São Paulo em 2008 e hoje está no Bahia) teve problemas em vários clubes e foi dispensado por mau comportamento. Se sou assim também, por que nunca fui expulso de clube?     Após o clássico contra o Palmeiras, Alex Silva atacou Valdivia no twitter. Após tanta repercussão, o zagueiro cancelou sua conta  (Foto: Reprodução)     Você sempre polemizou pelo twitter. Tem algo de que se arrepende?

Eu nunca usei o twitter para dizer que fui ao banheiro ou comer cachorro quente na esquina. Usava como uma maneira de me defender. A imprensa escutava o diretor e não ouvia o lado do jogador. Mas tem uma coisa que eu me arrependo: de ter ameaçado o Valdivia após o clássico contra o Palmeiras pelo Campeonato Paulista. Não deveria ter feito isso.

Você teve duas passagens pelo São Paulo: Na primeira, entre 2006 e 2008, o time conquistou três títulos brasileiros. Na segunda, do início de 2009 até agora, o clube amarga um jejum de conquistas. O que mudou no clube?

Primeiro, os três títulos foram com o mesmo treinador e com o mesmo elenco. Foram pequenas mudanças. Agora, a cada temporada, muda-se muito o grupo, muitos chegam e muitos saem. Aí, de sete que chegam, só dois dão certo, e isso prejudica. As mudanças de treinador também atrapalham. Além do mais, a diretoria resolveu mudar sua filosofia, que agora é investir em Cotia.     No início do ano, você disse que não se via jogando em um clube rival do São Paulo. Agora isso mudou? Por quê?

Mudou e é uma coisa que me arrependo de ter dito. Naquela época, eu só pensava em continuar e o clube só falava em me comprar. As coisas mudaram, o que eu posso fazer? Cansei de dar manifestações de que gostaria de continuar. Pelo twitter, cheguei até a me rebaixar ao pedir para ficar. Isso está bem claro, ninguém vai distorcer a história. Agora a vida segue e vou pensar bem com que clube vou acertar.

Já recebeu proposta de algum clube?

São muitas ofertas, mas o meu empresário está cuidando disso. Daqui, só sei do Santos. Ninguém do Corinthians me procurou. Mas vale lembrar que, ao rescindir o meu contrato, o São Paulo colocou uma cláusula dizendo que eu não posso assinar com Santos, Corinthians ou Palmeiras até o dia 31 de julho, que seria a data do final do meu empréstimo.

No caso de você vestir a camisa de um rival do São Paulo, você vai comemorar se marcar um gol?

Claro, isso é uma besteira enorme. Eu tenho muito carinho pelo São Paulo, mas seria um desrespeito enorme ao meu próximo clube se eu não comemorasse. Sei que quando for enfrentar o São Paulo vou ser xingado, cobrado. Mas se mostrar o meu futebol, a cobrança vai mudar para cima dos dirigentes que me deixaram ir embora. Agradeço ao São Paulo, marcou a minha vida, fiz grandes amigos, mas agora é passado. Aproveito para pedir desculpas, caso tenha magoado alguém. Agora a vida segue.            

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