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Mano afirma que primeiro é preciso ganhar, se possível jogando bonito

Mano afirma que primeiro é preciso ganhar, se possível jogando bonito

Atualizado: Sexta-feira, 27 Agosto de 2010 as 8:04

Mano Menezes viu sua vida mudar muito nas últimas semanas, tudo que já era grande, ganhou dimensão ainda maior. Depois do sucesso no segundo clube mais popular do Brasil, o Corinthians, e o convite para ser o treinador da Seleção Brasileira, mesmo sem ser a primeira opção (Muricy Ramalho recusou), o técnico virou o símbolo de uma renovação radical na amarelinha. Não só pela convocação de jovens valores, mas na filosofia de jogo, saindo do pragmatismo de Dunga para o futebol-arte. A bela estreia na vitória sobre os Estados Unidos, por 2 a 0, ultrapassou as expectativas inclusive dos mais otimistas e até uma certa euforia apareceu um mês após a melancólica eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul para a Holanda.

Porém, em entrevista exclusiva ao SporTV, o próprio Mano faz questão de alertar que nem sempre será possível jogar bonito e em contexto e momento completamente diferentes afirma algo que cairia muito bem na boca de seu antecessor:

- O técnico tem que encontrar uma maneira de ganhar.

Como é lidar com a paixão de 190 milhões de brasileiros?

- Bom, eu acho assim, mudou a repercussão de tudo o que a gente faz, e ela vem mudando, sempre para maior. Agora é o ponto mais alto de tudo isso, é diferente você cantar o Hino Nacional vestido com as cores do futebol brasileiro, a diferença é comemorar um gol com a camisa da Seleção, é algo que será extremamente positivo.

E como foi ouvir o Hino pela primeira vez?

- Foi diferente, no Brasil tem a legislação, tocam o Hino nos campeonatos, mas é claro que com as cores da Seleção é mais emocionante, mais tudo.

E como é a rotina de treinador de seleção? Muitos pedidos? Como você tem sentido os torcedores?

- Eu acho que a primeira coisa positiva que a gente sentiu é que o torcedor está pedindo para convocar o seu melhor jogador para levar para a Seleção, e quando o torcedor pede para levar o seu melhor jogador é que a primeira amostragem da Seleção ele gostou.

Ronaldo quer voltar. Como você vê isso? Pensa em despedida para ele?

- Não depende só do técnico, essas decisões mais amplas envolvendo jogadores que já fizeram parte da Seleção tem que partir da CBF. Se partir terá apoio do técnico. É impossível duvidar do Ronaldo, é o aprendizado que todos tivemos. O momento é difícil, ele mesmo reclamou do corpo, mas eu acredito que ele ainda tem capacidade para jogar em alto nível e essa é a expectativa de todo torcedor brasileiro.

Como você está dividindo os projetos de 2012 e 2014?

- São dois projetos distintos. Essa idéia inicial de levar jogadoers com idade olímpica é dar familiaridade a eles na Seleção, para que lá na frente estejam bem ambientados. Mas ainda não temos a Seleção olímpica, porque ainda não temos a vaga, primeiro temos que conquistar esta vaga, que vai ser disputada pela Seleção sub-20, por isso a preocupação para que a gente tenha uma equipe que brigue pela vaga.

Quando tempo se leva para olhar para a Seleção e falar: esse time tem a cara do Mano?

- Não gosto muito dessa idéia de dar a cara do técnico, nem de restringir. A Seleção tem que ter a cara do povo, a expectativa do torcedor. Tem que olhar para o campo e pensar: era isso que a gente queria.

Como o Brasil já está automaticamente classificado para Copa, não tem eliminatórias para a Seleção, teremos um calendário extenso de amistosos. Você vai evitar uns kwaits, vai atrás de alemanhas, franças... Qual será o critério?

- Quando nós tivermos o momento de preparação final, todo mundo sempre questiona o nível do adversário, mas aí você só está dando ritmo. Agora que nós vamos traçar parâmetros, traçar rendimentos, o adversário é importante na formação de competitividade. Se não teremos eliminatórias, temos de compensar de outra forma, por isso vamos escolher adversários. Todos eles, que nos dêem algo significativo quando a gente vencer.

Como Mano Menezes elabora uma convocação, qual é o ritual?

- Bom, nós estamos estabelecendo uma metodologia de observação, que não é mais como antigamente, que você ia observar os jogadores no estádio, nós vamos fazer isso com os jogadores brasileiros, mas os que estão na Europa você também precisa de uma linha de observação de jogos, será um grupo muito mais numeroso, uma lista prévia. Nós vamos criar uma pré-lista, mais numerosa, com cinquenta, sessenta jogadores, e aí se estabelece uma observação mais direcionada. Teste talvez não seja ao nome adequado, mas vamos seguir os jogadores, acompanhar um numero maior de jogos, levá-los para a Seleção, e aí sim conhecê-los no dia a dia, não em relação a disciplina, mas a instruções mesmo, se ele entende, se tem facilidade para executar... Nessa primeira convocação foi todo mundo aprovado?

- Foi um bom amistoso, como ponto de partida, porque era natural que tivéssemos mais dificuldade. Isso tem a ver com talento, porque apesar de jovens tem personalidade mais determinantes para fazer na Seleção o que faziam nos clubes.

Está sendo exatamente como você esperava, este começo de trabalho?

- Em relação a número de perguntas, esses aspectos estão sendo como eu imaginava. O que está sendo diferente é que o inicio foi mais alentador do que comumente é. Foi para melhor as coisas, e isso tem dois aspectos: positivo, você vê perspectivas mais próximas, e as pessoas acreditam mais no trabalho, tem mais confiança, e a segunda, que tem que tomar cuidado, é frear a empolgação, porque sabemos que tem muito chão pela frente.

Você diz que é muito fácil quando o público pede na rua o jogador que você já tem na lista, e você foi muito elogiado pelo torcedor, pela imprensa. Mas uma hora a derrota vai chegar, como você acha que será esse momento?

- Acho que a cobrança é na mesma proporção do elogio da vitória, porque envolve a Seleção do país, pelo qual todos torcemos sempre. O futebol é muito importante para o brasileiro, temos que ter esse entendimento. Quando as coisas não funcionarem bem será proporcional a cobrança.

Você comentou que o futebol brasileiro precisa ser protagonista no jogo, você tem essa responsabilidade de resgatar o futebol bonito, o verdadeiro futebol brasileiro. Talvez no Grêmio e no Corinthians, as suas equipes principais, não era exatamente assim a sua forma de atuar. Você mudou?

- Vamos dividir em partes. Eu não acho que tenhamos que deixar claro para as pessoas que a pretensão é resgatar algo que foi totalmente perdido. Não, o futebol tem períodos, as coisas quase sempre funcionam não por uma única vontade de alguém, com o técnico. Acontecem momentos diferentes no futebol e as vezes você não conquista vitória e de um jeito tem de mudar o rumo, e é o que estamos fazendo agora. Segundo, eu tenho muito orgulho do Corinthians de 2009, do jeito de jogar, extremamente ofensivo e a cara do futebol brasileiro, e do Gremio de 2006 também, porque foi o melhor momento do trabalho, pois conquistamos resultados jogando de uma maneira que a gente gosta. O técnico tem que encontrar uma maneira de ganhar. Você tem de ganhar. E aí tem de ganhar jogando bem, e depois ganhar jogando como todo mundo gosta. Se for possível juntar isso em uma equipe ela marcará época, e é o que estamos tentando fazer.

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